search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Médicos criam manual sobre riscos do uso de celular por crianças

Notícias

Publicidade | Anuncie

Cidades

Médicos criam manual sobre riscos do uso de celular por crianças


A dona de casa Clayde Rocha, 29, começou a se vestir de boneca para brincar com a pequena Vitória Rocha da Silva,  6 anos, para afastá-la do celular (Foto: Kadidja Fernandes/ AT)A dona de casa Clayde Rocha, 29, começou a se vestir de boneca para brincar com a pequena Vitória Rocha da Silva, 6 anos, para afastá-la do celular (Foto: Kadidja Fernandes/ AT)

Médicos da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançaram um manual de orientação aos pais sobre os riscos do uso excessivo de celular por crianças. A preocupação deles é com a saúde, já que a exposição às telas é prejudicial e pode causar danos físicos e mentais.

O documento traz diversas orientações, como a proibição de celular para menores de 2 anos de idade e limitação de tempo para crianças com até 5 anos. Além disso, detalha os problemas para a saúde, como dependência digital, transtorno do sono, depressão, irritabilidade e tendinite.

“O uso está cada vez mais intenso, até mesmo pelos pais, que introduzem precocemente as telas para crianças com baixa idade, o que traz prejuízo psíquico e motor. Muitas vezes, quando o pai tenta interromper, a criança já está doente”, alertou o pediatra Marco Antônio Chaves Gama, um dos responsáveis pelo documento.

O manual destaca a influência familiar no uso desregrado das telas. “Estamos ensinando que o tempo de espera é tempo de toque na tela. Com isso, estamos introduzindo a ansiedade precoce. Isso faz uma diferença negativa muito grande no desenvolvimento da criança”, ressaltou Gama.

O documento atualiza as recomendações lançadas pela entidade em 2016, já que, durante esse período, novos problemas apareceram e a dependência digital passou a ser tratada como doença pela Organização Mundial da Saúde.

“Dada a urgência do tema, decidimos atualizar as orientações para auxiliar pediatras, pais, responsáveis e educadores a evitar os principais agravos advindos da utilização inadequada das tecnologias digitais”, afirmou a presidente da SBP, Luciana Rodrigues.

Os médicos também estão preocupados com o conteúdo acessado pelo celular. Dados da pesquisa TIC Kiks Online revelam que 86% das crianças e adolescentes brasileiros, entre 9 e 17 anos, estão conectados, o que corresponde a 24 milhões de pessoas.

Cerca de 32% dos participantes do levantamento relataram contato com imagens ou vídeos de conteúdo sexual e formas de machucar a si mesmos; 14% com fontes que informam sobre modos de cometer suicídio; e 11% com experiências com o uso de drogas.

Saiba mais

Manual

  • O Manual de Orientação #MenosTelas #MaisSaúde foi lançado por médicos do Grupo de Trabalho de Saúde na Era Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
  • As orientações são para pais, responsáveis, médicos e educadores.

Orientações

Evitar

  • Evitar exposição de crianças menores de 2 anos às telas.
  • nada de telas durante as refeições. Além disto, se desconectar uma a duas horas antes de dormir.
  • Encontros com desconhecidos on-line ou off-line devem ser evitados.

Limitação

  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma hora por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre 2 e 5 anos.
  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma ou duas horas por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre 6 e 10 anos.
  • Limitar o tempo de telas e jogos de videogames a duas ou três horas por dia, sempre com supervisão; nunca “virar a noite” jogando para adolescentes com idades entre 11 e 18 anos.

Alternativas e regras

  • Oferecer como alternativas: atividades esportivas, exercícios ao ar livre e contato direto com a natureza, sempre com supervisão.
  • Criar regras saudáveis para o uso de equipamentos e aplicativos digitais, além das regras de segurança, senhas e filtros apropriados para toda a família, incluindo momentos de desconexão e mais convivência familiar.
  • saber com quem e onde seu filho está, e o que está jogando ou sobre conteúdos de risco transmitidos (mensagens, vídeos ou webcam) é responsabilidade legal dos pais e cuidadores.

Denúncia

  • Conteúdos ou vídeos com teor de violência, abusos, exploração sexual, nudez, pornografia ou produções inadequadas e danosas ao desenvolvimento cerebral e mental de crianças e adolescentes, postados por criminosos devem ser denunciados e retirados pelas empresas de entretenimento ou publicidade responsáveis.

Os riscos

Saúde mental

  • Dependência digital.
  • Depressão, irritabilidade e ansiedade.
  • Transtornos do déficit de atenção e hiperatividade.
  • Transtornos do sono.
  • Transtornos da imagem corporal e da autoestima.
  • Comportamentos autolesivos, indução e riscos de suicídio.

Problemas físicos

  • Transtornos de alimentação: sobrepeso/obesidade e anorexia/bulimia.
  • Sedentarismo e falta da prática de exercícios.
  • Problemas visuais, miopia e síndrome visual do computador.
  • Problemas auditivos e perda auditiva induzida pelo ruído.
  • Transtornos posturais e músculo-esqueléticos.

Problemas sociais e crimes

  • Entre outros, riscos da sexualidade, nudez, , abuso sexual e estupro virtual.
  • Aumento da violência e abusos.
  • Bullying e cyberbullying.
  • Uso de nicotina, bebidas alcoólicas, anabolizantes e outras drogas.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).