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Educação 2020

O que muda na educação e nas escolas após pandemia

27/10/2020 16:30:00 min. de leitura

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O cenário pós-pandemia começa a se desenhar com a flexibilização das normas de isolamento e com a autorização para o retorno das aulas presenciais. Com isso, surgem novos desafios para gestores, professores, alunos e famílias.

No novo normal, a educação terá de contar com novas habilidades, formas de aprendizado e tecnologia. É o que descreve o professor e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), Eduardo Dechamps.

O especialista, que é doutor em Engenharia Elétrica, ex-secretário de Educação do Estado de Santa Catarina e ex-presidente do CNE, vai abordar o assunto no 2º Congresso Digital Educacional do Sinepe-ES.

“Por conta da pandemia, temos que dividir o processo educacional em três partes. A primeira foi a situação emergencial, onde todos tiveram de se adaptar de um dia para o outro. A segunda é o momento que vivemos. Com o retorno das aulas presenciais, ainda há muitas dúvidas em relação ao vírus e a própria pandemia”, destaca Dechamps.

Ele acrescenta que a terceira parte desse processo será o período pós-pandemia, quando teremos uma série de contribuições do período de isolamento social.

“Um exemplo disso é a tecnologia, que era pouco utilizada como ferramenta de suporte a professores e alunos e que, durante o período, foi largamente utilizada. Apesar das limitações, foi possível descobrir que se pode fazer muita diferença com ela no futuro.”

Dechamps diz que a educação no novo normal vai precisar quebrar uma barreira entre o ensino presencial e o ensino a distância.

“A tecnologia é uma ferramenta muito importante para a gente quebrar um pouco as paredes da sala de aula e trazer o mundo para dentro da escola. Ela pode permitir, por exemplo, uma customização. Cada aluno aprende em uma velocidade diferente, então, a partir da utilização da tecnologia, podemos fazer um programa específico de aprendizagem para cada criança, ainda que elas estejam no mesmo ambiente.”

Por outro lado, o especialista ressalta que não é possível eliminar os benefícios do contato e da interação social que a escola traz.

“Temos que quebrar essa ideia de que são coisas separadas. O processo educacional é contínuo. Isso pode ser uma das grandes mudanças que teremos a partir do fim da pandemia.”

“Novo normal é um cenário desafiador”

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A pandemia do novo coronavírus trouxe grandes desafios para a educação. Depois de mais sete meses de aulas remotas, alunos, professores, colaboradores e familiares enfrentam uma nova dificuldade: a volta às aulas presenciais.

Esse novo cenário será o tema do 2º Congresso Digital Educacional do Espírito Santo, promovido pelo Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES).

De acordo com o presidente do sindicato, o professor e gestor educacional Moacir Lellis, o cenário é desafiador.

“O chamado novo normal é um cenário desafiador. Não tem sido fácil, principalmente para o nosso setor, mas acreditamos que estamos aprendendo a cada dia. Estamos repensando e construindo competências e habilidades diariamente.”

Ele ressalta que os desafios são muitos e o momento é de praticar resiliência e se adaptar aos novos formatos.

Desafios

“Os desafios emocionais e financeiros que passamos neste período nos deu clareza e entendimento para perceber que não fizemos tudo, fizemos tudo que pudemos, e não foi pouca coisa.”

A volta das aulas presenciais, segundo o presidente do Sinepe-ES, irá exigir atenção redobrada com a saúde e acolhimento por parte das escolas.

“Neste momento, temos de acolher as famílias e os alunos. Foi um período drástico para crianças e jovens. Temos que ficar atentos às regras para a segurança em saúde dentro da escola. Depois, vamos fazer um diagnóstico para saber o que faltou para cada aluno e dar essa assistência.”


Depoimentos

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“Autonomia”
“As escolas devem investir na autonomia e no protagonismo dos alunos, preparando-os para um mundo sem fronteiras físicas e digitais.
Por isso, a qualidade da gestão da equipe docente será determinante, pois serão mudanças que se não forem bem conduzidas poderão desencadear efeitos negativos na saúde física e emocional dos professores.”

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“Aprendizado”
“Uma das mudanças na educação será a incorporação da tecnologia nos projetos das escolas, para que, de fato, aconteça uma ampliação das possibilidades de trabalho.
A pandemia evidenciou a importância do afeto para o estímulo do aprendizado e tem sido um momento de reflexão para um entendimento de que a educação é um processo contínuo, que não começa e termina no ano letivo”.

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“Metodologias”
“A mudança principal na educação está na forma de ensino, nas metodologias. Estamos acostumados com ensino presencial, e a pandemia veio e provocou esse experimento do ensino a distância.
Houve um grande avanço porque as escolas tiveram oportunidade de experimentar no momento de crise. Isso trouxe uma aceleração no processo de quebra de paradigmas e novos formatos de como fazer as aulas”.

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“Relações humanas”
“Estamos vivendo um momento de grande aprendizado para todos. Além do conteúdo, nossas crianças aprenderam muito nesse momento de pandemia e são ensinamentos que vão ficar para esse 'novo normal', onde as tecnologias, que já utilizamos, vão se intensificar cada vez mais.
Além disso, cada vez mais estamos valorizando as relações humanas porque percebemos o quanto é difícil nos relacionarmos a distância”.