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Douglas Maluf: "Não se deixe levar pela comparação"

| 11/06/2020 14:33 h | Atualizado em 11/06/2020, 23:54

 Douglas: “estar solteiro é bem diferente de estar só. É preciso entender a condição de não estar em um relacionamento como um momento, não é algo imutável”
Douglas: “estar solteiro é bem diferente de estar só. É preciso entender a condição de não estar em um relacionamento como um momento, não é algo imutável” |  Foto: Pino Gomes/Divulgação
É sexta (12). Filmes e músicas românticas, declarações de amor nas redes sociais e corações pipocando em aplicativos vão deixar bem claro: é Dia dos Namorados. O amor está no ar! Mas e quem está solteiro? Chora as mágoas? Jamais! O especialista em comportamento humano e life trainer de famosos Douglas Maluf diz que a primeira coisa é compreender que “estar solteiro é bem diferente de estar só”. “E não se deixe levar pela comparação”, sugere ele, na conversa por telefone com o AT2. “É preciso entender a condição de não estar em um relacionamento como um momento, não é algo imutável”, salienta. Outro ambiente favorável a tais comparações, para ele, são as redes sociais. “Não é saudável comparar os nossos bastidores com o palco do outro. E, geralmente, as redes sociais funcionam como um palco para a maioria das pessoas”, alerta. Criador do Método MD – Inteligência Emocional, o namorado da atriz Paolla Oliveira,
Douglas é namorado de Paolla Oliveira
Douglas é namorado de Paolla Oliveira |  Foto: Agnews
38, buscou, nos próprios ensinamentos, ferramentas para enfrentar um câncer. “Eu sabia que teria que contar com a quimioterapia e com a minha força emocional nesse processo”, conta sobre a superação da doença.

Douglas Maluf | Life Trainer “Não é preciso marcar data para ser feliz”


AT2: Para os solteiros o Dia dos Namorados pode ser sinônimo de tristeza, angústia e ansiedade. Como evitar isso?
Douglas Maluf: A primeira coisa que eu diria é que a gente não deve colocar a responsabilidade da nossa felicidade em um relacionamento afetivo. Outra coisa importante é não se deixar levar pelas comparações que levam a um sentimento de inadequação ou desconforto, que podem ocasionar tristeza e angústia. É preciso entender a condição de não estar em um relacionamento como algo momentâneo, é um momento, não é algo imutável.

Esse sofrimento é o mesmo para homens e mulheres?
Essa ideia de que mulheres e homens sentem diferente é fruto de uma construção cultural, porque as emoções são as mesmas. Os homens, muitos deles, são condicionados pela família, por amigos, de forma direta ou indireta a reprimir certas coisas ao longo da vida, reprimir seus sentimentos. É aquela ideia de que “homem de verdade não faz isso” ou “homem não chora”.

Essa é uma visão que foi construída durante décadas e é algo cultural. Isso gerou uma dificuldade em alguns homens para falar sobre sentimentos. Felizmente a gente vem desconstruindo esse padrão. Mas isso não acontece da noite para o dia e é um processo que exige um esforço constante.

Fala sobre o imaginário romântico que envolve a data. A fórmula namoro, casamento e filhos pode não ser a ideal para muitos. É preciso identificar e aceitar isso?
Sem dúvida essa fórmula é algo que faz parte do conceito de sucesso e felicidade para algumas pessoas. E está tudo bem. Assim como está tudo bem essa fórmula não ser a ideal para outras pessoas. Há muitas mudanças sociais e culturais nesse sentido. Mas essa fórmula ainda está presente no inconsciente coletivo.

É preciso autoconhecimento para saber quais são os seus reais valores e eles não precisam ser os mesmos do grupo do qual fazemos parte. A inteligência emocional é fundamental para identificar o que de fato é importante para você e viver de acordo com os seus valores.

O amor na ficção tem trilha sonora, atuações incríveis e encontros e desencontros. Isso atrapalha os relacionamentos reais?
Tudo é uma questão de ponto de vista. O amor romântico, da ficção sempre existiu e é uma parte fundamental da natureza humana sonhar. Para a mente, funciona como um escape da nossa rotina. A ficção não é uma vilã, identifico como um abono em tempos como esses que estamos vivendo. O que não é saudável é comparar os nossos bastidores com o palco do outro. E aí geralmente são as redes sociais que funcionam como o palco das pessoas.

Eu ia chegar aí. Aplicativos de relacionamento, de conversas e as redes sociais podem contribuir positivamente?
Acredito que é preciso manter em mente que estar solteiro é um momento. E isso pode ser visto como uma oportunidade. Isso pode ser visto como uma pausa importante para observar as suas emoções e fazer reflexões importantes nesse período mais introspectivo. Solidão é diferente de solitude. Estar solteiro é diferente de estar só. Você pode gostar da sua companhia, mesmo com tantos estímulos virtuais.

Como não se cobrar ou sentir-se culpado por estar solteiro?
Primeira coisa é não se deixar levar pela comparação. E é vital apreciar a própria companhia e compreender que a condição de estar solteiro não é algo que não pode ser mudado.

Você diz “Dê uma chance para sua própria companhia, certamente vai valer a pena”. Como fazer isso na prática?
Na prática é fazer coisas para o seu próprio bem-estar ou desenvolvimento pessoal. Aquele clichê “primeiro é preciso ser feliz sozinho para depois ser feliz com outra pessoa” é verdadeiro. Antes de se dedicar a uma relação positiva e construtiva, é preciso o autoconhecimento e trabalhar a própria autoestima. É preciso dedicar-se ao seu bem-estar. E isso pode ser através do estudo de um outro idioma, do aprimoramento profissional, do cuidado com a sua saúde e com o seu corpo.

E a falta do contato físico? De um abraço? Como lidar com isso nesse momento de isolamento social?
Claro, tem pessoas que estão sozinhas em casa e não tem a possibilidade desse contato físico. Seria necessário procurar um outro caminho para substituir o abraço. O que um abraço de trinta segundos proporciona é a liberação de um hormônio, a oxitocina, que é chamado também de o hormônio do amor. Mas ele também pode ser liberado em muitas outras atividades. E aí, a tecnologia que a gente tem hoje pode nos colocar próximos de pessoas que nos são queridas para amenizar esses “gaps” da falta de abraço.

Não é só um dia dos namorados solteiro. É um dia dos namorados em isolamento social. Como ter uma dia bacana?
Não acredito muito em receita de bolo. Acho que o principal seria dizer que é preciso marcar em um calendário um dia para ser feliz. Dia dos Namorados, Natal, Reveillon, não é preciso ter uma data para ser feliz. Todos os dias podem ser esse dia muito bacana, muito legal. Não somente para solteiros, mas também para os casais, que tiveram a convivência intensificada, 24 horas por dia juntos.

As pessoas estão mais sensíveis diante desse cenário de isolamento social. Algumas ficam mais introspectivas, outras apresentam irritabilidade, ou insegurança, tristeza. Isso pode impactar um relacionamento. É preciso redobrar a atenção na forma de falar, realmente ouvir o outro e não temer o silêncio a dois. Vivemos em uma era onde gerar barulho é importante e poucas coisas são tão revigorantes como o silêncio. Saber dividir momentos silenciosos pode trazer mais saúde emocional para a relação.

Disse que não gosta de receita de bolo. Mas é isso que eu vou te pedir. O que fazer então para ter um dia feliz, em qualquer data?
(Risos) A dica principal é entender o que você precisa para ficar super feliz. Concorda que o conceito de um dia incrível é muito diferente para cada um?
Claro! Então. São várias coisas que te deixam feliz e não necessariamente essas coisas são válidas para outra pessoa. Então uma dica que eu daria, e que eu dou para as pessoas que eu atendo, é faça uma lista de tudo o que te faz feliz. Pequenas coisas, não precisa envolver grandes coisas. Depois, faça uma lista do que você fez durante todo o dia. E compara as duas listas. Por isso o autoconhecimento é importante. Quando você identificar o que te deixa feliz, vai atrás!

Acredito que a solidão aliada ao isolamento social tem levado as pessoas a psicólogos, psiquiatras e profissionais como você. Como enfrentar tudo isso?
Eu fiz uma live e, após, pedi para as pessoas me dizerem que temas gostariam que eu tratasse em uma segunda oportunidade. “Ansiedade” ganhou disparado. A dica que eu dou, não só nesse momento, mas em outros momentos também é viver mais o momento presente. Tem uma frase que eu gosto muito que diz que “a ansiedade é quando a mente vai mais rápido que a vida”. Vemos para frente e deixamos de viver o momento presente.

Se você cria uma rotina e vive no momento presente, não há espaço para a ansiedade. Outra coisa que eu diria é para filtrar a fonte de informações que você utiliza. Se a pessoa fica o dia inteiro acompanhando cada atualização sobre a pandemia, é possível que experimente uma sensação de impotência e isso gera ansiedade. Porque não está no seu controle. Mas a sua rotina e seu momento presente estão.

Li também “tristeza profunda”, além de ansiedade. Temos a tendência a evitar os sentimentos negativos?
Considero que a sociedade de uma forma geral faz isso. A gente aprendeu, desde pequeno, a reprimir certas emoções. E cada emoção tem o seu lugar. É aquela história “não chora”, “não fica triste”. A tristeza não combina com o sucesso e com a felicidade. Mas a tristeza tem a sua razão de ser. E, em alguns momentos, é ela que pode abrir espaço para o novo.

Não é vergonhoso sentir-se triste. É uma emoção básica do ser humano. Assim como não é vergonhoso sentir raiva. Mas, reprimir essas emoções é algo cultural, algo que aprendemos a fazer. Para lidar com elas, o autoconhecimento é o primeiro passo. Nessa próxima live que eu vou fazer, vou falar sobre as emoções, a função de cada uma, o que elas trazem.

A pandemia ainda trouxe o medo da morte. Sei que você ouviu de um médico que tinha câncer e deve ter enfrentado isso. Não se descabelou?
Não cheguei no ponto de me desesperar. Ouvi o que o médico disso, ele me deu uma mega explicação do que estava acontecendo e de quais eram as minhas possibilidades. Eu já trabalhava com o que eu trabalho hoje e eu sabia que teria que contar com a quimioterapia e com a minha força emocional nesse processo que eu ia enfrentar.

Soube quais drogas eu tomaria, que efeitos elas teriam e soube que teria que enfrentar algo relativamente pesado. E que o meu equilíbrio, controlar as minhas emoções seria fundamental. O que aconteceu então foi que todo o método MD, que é uma proposta de estilo de vida, começou a fazer ainda mais sentido para mim.

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