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Pix vai substituir cartão e fazer real virar moeda digital

O uso do sistema para pagamentos de contas tem aumentado no País e o Banco Central já avalia a criação de uma moeda 100% virtual

Verônica Aguiar, do jornal A Tribuna | 21/02/2022 14:26 h | Atualizado em 21/02/2022, 14:27

A gerente  Jaqueline Almeida, 26, contou que cresceu o número de clientes que utilizam o Pix
A gerente Jaqueline Almeida, 26, contou que cresceu o número de clientes que utilizam o Pix |  Foto: Kadidja Fernandes/AT
 

O meio de pagamento eletrônico  Pix está ganhando cada vez mais adeptos. E um banco brasileiro já está trabalhando para ofertar crédito por meio da ferramenta.  

A expectativa é de que o serviço comece com um limite menor do que o do cartão de crédito. Mas, especialistas apontam que, a longo prazo, a função pode  substituir o dinheiro de plástico. 

Além disso, o aumento das possibilidades do uso do Pix, na prática, faz do real uma moeda digital. 

Somado a isso, o Banco Central (BC) tem um projeto de criação do real digital, que também poderá ser transacionado via Pix.

Afinal, qual é a diferença entre  esse dinheiro sem existência física que está nas contas correntes do bancos  hoje e o real digital? 

Esse dinheiro nas contas  é de responsabilidade do banco onde ele se encontra. Já os reais digitais serão uma responsabilidade do BC.

Além disso, a intenção do Banco Central, de acordo com a própria instituição, é fomentar modelos de negócios da economia digital. 

O real digital poderá ser movimentado  da mesma forma como o dinheiro atual é utilizado hoje, inclusive com transações via Pix e conversão em cédulas.  

Para o  especialista em criptomoedas Daniel Herkenhoff, a intenção  por trás do real digital é mais controle sobre o trânsito dessa moeda e  sua geração e destruição.

Para quem acha que o real digital vai ser o bitcoin brasileiro, o  assessor de investimentos da Valor  Gabriel Vassallo explicou que  não. Segundo ele,  toda criptomoeda é uma moeda digital. Mas nem toda moeda digital pode ser considerada uma criptomoeda. 

“Toda moeda digital tem que ter por trás um órgão responsável. Já por trás da   criptomoeda não existe  uma autoridade com responsabilidade  de emissão ou controle.”  

Já em relação ao Pix Crédito, trata-se de uma iniciativa do  Itaú que foi selecionada dentro do projeto de Sandbox Regulatório do Banco Central. Nesse ambiente, entidades são autorizadas a testar os projetos.  Procurado, o banco preferiu não se manifestar. 

“Provavelmente, no início, esse crédito  vai ser menor do que o do limite do cartão de crédito.  À medida que forem cruzando os dados, vendo o histórico das pessoas utilizando, esse limite pode  aumentar”, observou Vassallo.


ENTENDA


Moeda 

Com o aumento do número de  usuários do  sistema de pagamento Pix e das suas possibilidades de crédito, levando as transações para o meio digital, o sistema acaba transformando o real numa moeda digital. 

Mas, para além disso, o Banco Central vem estudando uma forma de desenvolver o real digital, que é uma moeda que será criada.

O acesso a esse real digital se dará por meio de bancos e instituições de pagamento. 

O consumidor poderá converter o depósito que possui  em real digital, que ficará em uma conta específica para esse fim, ou depositar e  sacar esse dinheiro  diretamente dessa conta.

Real digital

O que é?

É uma moeda digital que está sendo planejada pelo Banco Central do Brasil. Ela será uma representação digital do dinheiro físico existente hoje.

Como vai funcionar na prática?

As formas atuais de uso do real devem continuar valendo para a moeda digital. O consumidor vai poder pagar lojas por meio de bancos ou instituições autorizadas pelo Banco Central; fazer pagamentos pelo  Pix com a moeda digital,   sacar na forma física, tranferir para outras pessoas,  pagar boletos, contas e impostos, por exemplo.   

O real digital vai ter impacto sobre a emissão do papel-moeda?

A versão inicial do real digital vai ser uma opção a mais ao uso de cédulas. Por ser voltada para o online, seu impacto sobre a demanda de papel-moeda não deve ser tão importante, a princípio. 

O pagamento sem internet será possível?

O Banco Central   tem acompanhado  o desenvolvimento da tecnologia para garantir esse tipo de pagamento de forma segura. É a partir desse acompanhamento que  vai decidir sobre sua incorporação.

Em que fase está o real digital? 

Em novembro do ano passado, houve uma edição especial do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas de Desafio do Real Digital, o LIFT Challenge Real Digital. 

O objetivo foi avaliar as situações para o uso e a viabilidade tecnológica da moeda.  Entre os desafios estão: pagamento entre máquinas e pagamento voltado ao câmbio entre moedas, por exemplo. 

Com base nos resultados, o Banco Central vai avançar. Até o final deste ano, haverá uma fase de pilotos com a participação da população, que deve se estender no ano que vem. 

Como será a relação com a  internet das coisas?

O real digital poderá ser usado para diversas aplicações, como transações entre máquinas. 

Além disso, pode ser utilizado para geladeiras inteligentes fazerem compras diretamente no supermercado, por exemplo. A modalidade traz mais flexibilidade e segurança para o usuário.

A intenção é  criar uma infraestrutura por meio da qual as tecnologias, como contratos inteligentes e dinheiro programável, estejam disponíveis para o desenvolvimento de negócios inovadores.

Pix a crédito

Trata-se de uma iniciativa do  Itaú que foi selecionada dentro do projeto de Sandbox Regulatório do Banco Central. Nesse ambiente, entidades são autorizadas a testar os projetos.

Ele se dará com transações de crédito rotativo ou parcelado, utilizando a ferramenta.  Procurado, o banco disse que, por ora, não vai comentar. 

A expectativa é de que, pelo menos no  início, esse crédito  deve ser menor do que o limite do cartão. 

À medida que forem cruzando os dados e vendo o histórico dos usuários, esse limite pode  aumentar de acordo com as especificidades de cada um.

O assunto pode revolucionar a indústria de cartões, podendo até  substituí-los em algumas funções. 

Moeda digital x criptomoeda

toda criptomoeda é uma moeda digital. Mas nem toda moeda digital pode ser considerada uma criptomoeda.

Diferenças

 Moeda digital 

Toda moeda digital tem que ter por trás um órgão responsável. No Brasil, o real digital terá como responsável o Banco Central.

Com a moeda digital, existe a possibilidade de emissão de novas moedas ou até mesmo de destruição. Portanto, a quantidade de moedas existentes pode variar.

A moeda digital é inflacionária. Ou seja, você pode gastar mais para comprar a mesma coisa com o passar dos anos.

Criação: no caso do real digital, será criado pelo Banco Central.

O Agente sabe onde é usado, quando e para quê. 

Criptomoeda 

Já por trás da  criptomoeda não existe  uma autoridade com responsabilidade  de emissão ou controle. O controle é  pelo sistema de tecnologia da blockchain (transações em lotes).

No caso das criptomoedas, elas são produzidas em quantidade limitada.

Elas são  deflacionárias. Por existirem em quantidade limitada, a tendência é que, quanto mais as coisas sejam cotadas nessa moeda, mais ela fique barata. A conta é fácil. São mais coisas para comprar com a mesma quantidade de dinheiro.

a identidade do usuário é preservada.

Não há uma instituição que possa tirar esse dinheiro  do consumidor.

Criação: existem diversos tipos de  criptomoedas diferentes. A mais famosa delas é o bitcoin. 

Ele foi criado  por meio de  programação. Seu  protocolo de criação envolve regras para o surgimento de novas moedas  e movimentação. Estabelece, por exemplo, a mineração.    

A mineração trata-se do registro das transações realizadas  no blockchain. Ele é feito por  redes de computadores interligadas com tecnologia de ponta, que consomem muita energia. 

O minerador, que é quem faz o registro das transações realizadas,  recebe um fração da criptomoeda pela quantidade de dados que consegue processar. 

Dinheiro físico 

Hoje em dia, na Grande Vitória, já é difícil pagar alguns serviços no dinheiro vivo. Consumidores  que precisam pagar em dinheiro vivo carros acionados por aplicativos, por exemplo, reclamam que raramente os condutores têm troco, já que há outras possibilidades de pagamentos de forma digital.

Entre aqueles que são adeptos do uso do dinheiro físico, um dos principais motivos é a sensação de controle. Isso porque, com o dinheiro na mão, o consumidor se sente com mais controle  sobre aquilo que está gastando ou deixando de gastar.

Outras vantagens apontadas são:   facilidade, segurança, hábito, desconto  e rapidez.

Mudança 

Muito se fala sobre a possibilidade do fim do dinheiro físico. Mas especialistas destacam que, para isso acontecer, deve haver uma mudança cultural, de hábitos e de ferramentas. 

Já que, além de optar pelo dinheiro digital, os consumidores precisarão ter as ferramentas necessárias para utilizá-lo, como um celular e internet, por exemplo.

Dinheiro digital

O dinheiro digital tem diversas vantagens em comparação com o dinheiro  vivo. Entre elas estão:

Trafegar mais rápido. 

Menos fronteiras.

mais fácil de guardar.

não estraga com o tempo.

tem baixo custo para o governo.

As transações são feitas praticamente em tempo real.

Não há necessidade de deslocamento para fazer pagamentos.

um dos problemas é que a tamanha facilidade também não cria barreira para as compras por impulso, o que pode ser um grande problema. 

 Fonte: Lorena Milaneze, Daniel Herkenhoff, Gabriel Vassallo, Alex Brioschi e pesquisa AT   

Fontes: Banco Central do Brasil, Gabriel Vassallo e pesquisa AT

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