Licença para novo porto em Vila Velha deve sair em novembro
Projeto de 811 milhões de reais em Vila Velha terá 600 empregos e será o 1º da América do Sul para desmontagem de plataformas de petróleo
O Nova Holanda, primeiro porto especializado no descomissionamento de plataformas de petróleo e gás da América do Sul, que começará a operar em Vila Velha em 2028, prevê que a etapa do licenciamento ambiental seja concluída em novembro.
A informação é de Hugo Marques, superintendente do projeto e presidente da Associação Brasileira de Descomissionamento Sustentável (ABDS). O Porto Nova Holanda está sendo apresentado ROG.e (antiga Rio Oil & Gas) — maior festival de energia do planeta — que ocorre até hoje, no Rio de Janeiro.
O empreendimento prevê 257 empregos diretos e até 350 indiretos, somando cerca de 600 trabalhadores. A folha salarial mensal projetada é de R$ 6,5 milhões, incluindo salários e encargos.
“Isso é uma injeção fantástica na economia do estado, gerando riqueza para o Espírito Santo e impostos dessa magnitude”, afirmou o superintendente.
A qualificação será viabilizada em parceria com a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), o Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC) e o Senai, destacou Marques.
O descomissionamento offshore, indústria responsável pela desativação, desmontagem e reciclagem de plataformas de petróleo, vai criar cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos nos próximos anos no Espírito Santo com salários de R$ 28 mil e R$ 40 mil, conforme mostrou reportagem de A Tribuna no domingo (20).
A explicação para vencimentos tão elevados está nas exigências internacionais da Convenção de Hong Kong, adotada em 2009 e em vigor internacionalmente desde junho de 2025, que precisa ser seguida por todo o segmento, destacou o vice-presidente do CDMEC, Carlos Jardim Sena.
O projeto do Nova Holanda prevê investimento total de R$ 811 milhões, em valores atuais, e promete colocar o Estado na vanguarda desse novo segmento industrial, contou Marques. Do montante investido na infraestrutura, a maior parte dos recursos será injetada diretamente na economia capixaba.
O superintendente disse que o compromisso é despender de R$ 740 milhões e R$ 750 milhões com fornecedores, construtoras e consultorias locais na fase de obras.
“Temos portos muito eficientes no Espírito Santo feitos por capixabas. Nós temos que tirar vantagem disso e aproveitar todo esse conhecimento e essa energia capixaba no Porto Nova Holanda”, destacou Marques.
Técnicos do Iema vão aos EUA entender processos
Para dar agilidade e segurança técnica ao processo de licenciamento ambiental do Porto Nova Holanda, uma comitiva de técnicos do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) realizará missão internacional aos EUA no início do mês que vem.
A viagem, promovida em parceria com o empreendimento portuário, busca proporcionar aos analistas ambientais uma imersão prática em campo para compreenderem a operação real do setor de descomissionamento de plataformas de petróleo e gás, segundo Hugo Marques, superintendente do projeto. O objetivo é finalizar o licenciamento entre novembro de dezembro.
Fábrica de combustível de dejetos
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 78,8 milhões para implantação de uma fábrica de combustíveis feito de dejetos – produção de biometano a partir de biogás produzido em aterros sanitários – em Vila Velha.
Ao todo, são dois financiamentos, sendo que a outra fábrica ficará na cidade de Mauá, em São Paulo, somando ao R$ 180,7 milhões.
Os investimentos serão realizados pelas empresas GNR Vila Velha e GNR Mauá, sociedades formadas por meio de parceria entre os grupos Lara e MDC Energia.
O investimento total na implantação dos projetos, incluindo o crédito do BNDES e recursos próprios, soma R$ 245 milhões. As plantas terão capacidade instalada para produzir, juntas, 97 mil Nm por dia de biometano, sendo 32 mil Nm/dia em Vila Velha.
Os empreendimentos também deverão criar emprego e renda durante a fase de implantação e operação. A estimativa é de criação de 575 postos de trabalho durante as obras, entre empregos diretos e indiretos, além de mais de 50 empregos permanentes na fase operacional.
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