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Redação A Tribuna

O saldo devastador de um ano de pandemia para a classe médica

| 19/03/2021, 09:53 09:53 h | Atualizado em 19/03/2021, 09:56

Segunda-feira, 16 de março de 2020. Nesse dia, há um ano, o brasileiro acordou para encarar não apenas o início de mais uma semana, mas o começo de uma história que não chegou ao fim até agora: o isolamento social por causa de um conhecido de poucos meses, o coronavírus.

A pandemia de Covid-19 foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 11 de março. Nesta data, países da Europa já estavam vivendo a terrível realidade de mortes e altos números de casos confirmados da doença.

Vimos nossos irmãos italianos agonizando em leitos de hospitais, com profissionais de saúde esgotados em tão pouco tempo. Aqui no Espírito Santo, a primeira vítima fatal do novo coronavírus morreu no dia 02 de abril. Foi nessa data que começamos a fazer o uso obrigatório de máscaras.

No dia 19 de maio, o Brasil atingiu a marca de mil mortes por coronavírus em 24 horas, e a doença tinha se tornado a maior causa de óbitos do País*. A essa altura, os hospitais já estavam lotados e os profissionais de saúde, exaustos, com plantões estendidos, com equipamentos de proteção individual inadequados, mas com muita vontade para vencer a doença.

Um ano depois do início da quarentena no País, que foi flexibilizada algumas vezes e agora volta a ser empregada com mais rigor devido ao crescente número de casos e mortes, a situação nos hospitais encontra-se ainda mais crítica.

Por todo o País, os leitos de UTIs não deram conta de receber tantos doentes, e os médicos lutam com todas as forças para evitar a perda de vidas.

Estamos vivendo o pior momento da pandemia até agora. Um ano de batalha contra o coronavírus se passou, e a cada dia fica mais clara a exaustão das equipes médicas.

O Burnout, termo usado para descrever esse esgotamento, está se transformando numa nova epidemia dentro da epidemia. Em todos os plantões é possível encontrar médicos adoecidos mentalmente, que precisam descansar, mas que não podem.

Além das longas jornadas, da falta de insumos e das péssimas condições de trabalho, esses profissionais vivem todos os dias sob o risco de serem contaminados e de levarem o vírus para dentro de suas casas, para suas famílias.

Não é um cotidiano fácil de ser compreendido, muito menos vivido. Logo, a mente adoece e pode comprometer e muito o trabalho de cada um. No Estado, até o momento, mais de 6.700 mortes e 340 mil casos de Covid-19. Até o momento, 33 médicos capixabas perderam a vida na batalha contra o novo coronavírus.

E se pararmos para pensar, o conhecimento que cada profissional desse detinha era único e intransferível. Ao menos uma década de estudos intensos são necessários para formar um especialista, fora os anos de experiência. Um legado impossível de ser reparado.

Doze meses se passaram desde o início do isolamento social. E algumas regras básicas continuam valendo: não aglomerar, fazer o uso correto da máscara, lavar as mãos com água e sabão, usar álcool em gel e tomar a vacina quando chegar a sua vez. São 365 dias lutando contra um inimigo que agora conhecemos bem. Mas ainda engatinhamos, como um bebê com um ano.

Leonardo Lessa é cirurgião vascular e presidente da Associação Médica do ES.

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