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Redação A Tribuna

O impacto da Covid-19 no comportamento das crianças

| 05/06/2020, 07:34 07:34 h | Atualizado em 05/06/2020, 07:39

Em decorrência da pandemia provocada pela Covid-19 e das medidas de distanciamento social, escolas de 188 países foram fechadas, segundo a Unesco. Mais de 90% da população infantojuvenil ficou sem acesso às aulas presenciais. Esse dado representa um bilhão e meio de crianças e adolescentes fora do ambiente escolar.

A resposta que muitos países deram frente essa questão, inclusive o Brasil, foi o ensino a distância. Mas a adaptação das aulas para o formato online não é tão simples assim, pois 25% dos brasileiros não tem acesso à internet.

Diante desse cenário, a educação enquanto direito e fator determinante para a saúde, como versa a Constituição, tornou-se para muitos brasileirinhos uma realidade ainda mais distante, exacerbando as desigualdades sociais.

De acordo com o relatório da Fundação Abrinq de 2019, quase 50% das nossas crianças vivem em situação de pobreza. Para estas, a escola é mais do que um lugar de aprendizado, é um espaço de segurança nutricional, visto que dela dependem para terem o alimento cotidiano.

Além disso, com o fechamento das escolas, as crianças ficaram sem rotina e tornaram-se mais sedentárias com a interrupção das aulas de educação física.

Confinadas em casa, utilizam eletrônicos por longas horas, o que interfere no padrão de sono. Sentem-se entediadas, com raiva e frustradas por não poderem encontrar seus amigos e professores, sem falar do medo de serem contaminadas pelo vírus.

Estão expostas ao estresse decorrente de problemas financeiros dos pais e mais suscetíveis aos maus-tratos, conflitos e rupturas de vínculos familiares. Talvez o principal impacto da Covid-19 para as crianças seja psicológico.

Há grupos que estão sendo particularmente afetados pela pandemia, como os que apresentam um diagnóstico psiquiátrico prévio. Crianças do espectro autista, em especial, podem necessitar de mais suporte, pois tendem a se desorganizar emocionalmente com a quebra de rotina, o que pode intensificar comportamentos disruptivos. Manter rotinas mínimas e os tratamentos por teleatendimento deve ser considerado pelos pais.

É importante ficar atento as mudanças repentinas de humor e no comportamento, pois sinalizam sofrimento emocional. O atendimento especializado online ou mesmo presencial com psicólogos e/ou psiquiatras é necessário em muitos casos.

A população infantojuvenil está numa fase peculiar do desenvolvimento e, portanto, requer cuidados especiais com a saúde mental. Para isso, uma alimentação balanceada, mais acesso à educação, estímulo à prática de exercícios e cuidado das emoções são essenciais.

A escola e a família exercem importantes papéis na preservação e promoção do bem-estar infantojuvenil e podem adotam medida para minimizar os impactos psicológicos provocados pela Covid-19. A escola pode integrar ao currículo conteúdos voltados para a promoção da saúde, incluindo práticas de higiene pessoal, bons hábitos de sono, alimentação e estilo de vida saudável.

Os pais podem se dedicar à troca de afetos. Dar atenção, conversar, contar histórias, brincar, acariciar, ler juntos, são atitudes abrem caminho para a conexão emocional e o fortalecimento dos vínculos com os filhos.

Fernanda Damiani é psicóloga e analista do comportamento.

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