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Historiador é o profeta que olha para trás

| 16/08/2021, 10:06 10:06 h | Atualizado em 16/08/2021, 10:09

Registros apontam que a profissão de historiador remonta muitos anos antes mesmo da aparição dos primeiros escritos, nos primeiros relatos de viagens. Por muito tempo o historiador foi uma espécie de “contador de histórias”, relatando as datas e fatos dos acontecimentos.

Nesta época, os homens não tinham uma clara noção do que muito tempo depois viria a ser a História, no sentido de uma grande conexão de eventos ao longo do tempo e do espaço.

Foi com o surgimento da escrita que começaram a aparecer os primeiros registros históricos escritos e, posteriormente, as pesquisas. E assim, o historiador desenvolveu olhar analítico sobre os fatos e pôde, também, atuar na preservação da memória, evitando que a história e a identidade dos povos fossem esquecidas. Um verdadeiro profeta olhando para trás.

É muito comum hoje em dia associar a carreira em História à função de professor. Contudo, essa é uma ideia que vem ficando para trás. Com o desenvolvimento e a expansão dos mercados, foi criada uma abertura para o historiador, com o crescimento da economia e das cidades, nos anos 1980, e que gerou um aumento da produção cultural no País.

Com esse estímulo econômico e social, o Brasil ganhou novos museus, teatros, eventos, produções de televisão e cinema, jornais, revistas, instituições de pesquisa etc. Sem falar nos meios atuais, como a internet. O circuito cultural construído presenteou os historiadores com novas perspectivas e frentes de trabalho.

Lecionar em escolas, faculdades e universidades não são as únicas opções de trabalho para os historiadores. Eles podem prestar consultoria, curadoria em museus, ser pesquisadores, trabalhar com memória empresarial ou ser gestores em arquivos públicos, entre outras atividades.

A atuação do historiador é fundamental para contribuir com a memória da humanidade e com as transformações por que passou a sociedade, com isso ampliando compreensões e conhecimentos.

São reconhecidos como historiadores quem tem graduação de nível superior em História, na modalidade licenciatura ou bacharelado, ou contar com uma pós-graduação na área, oferecida por instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação.

Em 2009, a Lei Nº 12.130 instituiu 19 de agosto como o Dia Nacional do Historiador, em homenagem ao nascimento do pernambucano Joaquim Nabuco (1849-1910), que, além de historiador, foi político, diplomata, jurista e jornalista.

Conhecido por ser, também, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL), foi um dos grandes protagonistas do movimento abolicionista.

O Brasil foi o último país ocidental a declarar o fim do regime escravocrata (13 de maio de 1888). No entanto, a célebre citação “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”, feita por Nabuco em seu livro “Minha formação”, antevia a realidade brasileira de 133 anos, uma vez que, até hoje, muitos trabalhadores ainda não possuem condições dignas de trabalho.

Manoel Goes é escritor.
 

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