Login

Esqueci minha senha

Não tem conta? Acesse e saiba como!

Atualize seus dados

Tribuna Livre

Tribuna Livre

Colunista

Redação A Tribuna

É tempo de falar e debater a sexualidade na adolescência

| 12/02/2020, 07:18 07:18 h | Atualizado em 12/02/2020, 07:22

A campanha lançada pelo Governo Federal de prevenção à gravidez adolescente, “Tudo tem seu tempo”, tem como principal mensagem a abstinência sexual como método contraceptivo. No entanto, é possível que ela não seja tão eficiente.

É preciso falar, dialogar, acolher e promover um entendimento das consequências de uma gravidez não planejada.

O quanto que uma gestação, não planejada, vai comprometer a vida e quanto as mudanças proporcionam nesse contexto familiar. Isso se estende ao debate sobre a sexualidade como um todo, que ainda é muito deficiente.

A campanha pode ser vista mais como uma forma de repressão e de omissão e que culturalmente já fomos tão reprimidos de não falar e não tocar nesse assunto.

Percebem-se inúmeras consequências negativas para adolescentes, homens, mulheres e idosos em relação a essa abstinência da fala, do diálogo. A forma de perceber como uma situação que pode e deve ser positiva para os adolescentes é dialogar com profundidade, com orientação, com esclarecimento e com acolhimento.

Falta educação sexual para todo mundo e isso de forma diferenciada. São situações e realidades que devem ser consideradas quando falamos em adolescentes. Nos adolescentes de periferia, por exemplo, têm vários outros incentivos que muitas vezes é um tempo ocioso que esses eles têm porque muitas vezes os pais não têm condições de colocar em uma atividade extra, como um esporte.

A educação sexual há uma incitação do sexo pela música, pelos grupos, pela ausência familiar. Falta educação sexual para todos, mas o público mais periférico tem ainda mais essa escassez de informação. E isso nos denuncia várias coisas, como precisa fazer um trabalho mais efetivo com eles. Orientação e educação são iguais à prevenção.

Existem ‘N’ métodos contraceptivos. Preservativo masculino, feminino, anticoncepcional. São mais de vinte tipos de métodos, mas às vezes chega apenas um ou dois para esses adolescentes, então fazer campanhas nas escolas, trabalho junto com a família é de extrema importância como uma forma de conhecimento, causa, consequências e como isso pode ser prevenido para uma saúde social, mental e física.

Tudo aquilo que é proibido pode ser mais excitante, então é preciso avaliar como os adolescentes serão afetados, o que será ofertado dentro dessa campanha, afinal não falamos de um adolescente isolado. É preciso olhar como um todo: ambiente, escola, internet, tudo isso. É bastante delicado, então como fazer isso é a principal questão se essa campanha será eficiente ou não.

Os adolescentes estão em grandes transformações, com uma reorganização psíquica, física, com suas emoções, portanto, um olhar individual para cada grupo é imprescindível. Existe uma forma de acolhê-los e falar conforme suas necessidades.

Orientar, falar de forma esclarecida para que eles possam se proteger. É uma fase de muita abertura para o mundo das experiências, então o acolhimento, respeito às individualidades e uma orientação adequada é o que fará toda a diferença no futuro desses adolescentes.

Flaviane Brandemberg é terapeuta sexual clínica.

MATÉRIAS RELACIONADAS