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Redação A Tribuna

Combater o tráfico de drogas não é tarefa só das polícias

| 04/10/2020, 11:00 11:00 h | Atualizado em 04/10/2020, 11:07

Uma das últimas tragédias sociais que ceifou a vida de quatro jovens na baía de Vitória evidenciou para toda sociedade capixaba a covardia, perversidade e extrema violência dos criminosos ligados ao tráfico de drogas.

Uma guerra diária intrínseca a gerações com pouca idade, baixa ou nenhuma escolaridade, abandono familiar e total desinteresse pelo trabalho formal. Enxergam o tráfico e a posse ilegal de armas como forte sensação de poder e não conseguem compreendê-lo como mera ilusão travestida de permissões que são o acesso a uma vida abreviada.

Cifras elevadas, armas, drogas, enormes pingentes de ouro e bailes “mandelas” alimentam o sonho de consumo dos garotos do tráfico. Iniciam suas jornadas como olheiros e seguem escaladas como fogueteiros, soldados, frentes e gerentes.

Ordens inescrupulosas para ataques partem daqueles que, via de regra, moram fora das áreas conflagradas e desfrutam das benécias ilegais proporcionadas por seus crimes.

Como premissa desta dinâmica perversa está o usuário, e como se não pertencesse a mesma sociedade, continua comprando sua maconha, cocaína e demais drogas para o chamado uso “recreativo”.

Diante de uma chacina ocorrida na Ilha Doutor Américo de Oliveira, surgem as indagações sobre o que as polícias vão fazer para evitar novas brutalidades.

Estas, balizadas pelas diretrizes do Programa Estado Presente, trabalham exaustivamente no combate ao tráfico, e isso acontece diuturnamente quando realizam operações com prisões, apreensões de armas e drogas.

Somente neste ano, de janeiro a agosto, foram presos no Estado 1.140 homicidas e apreendidas 2.603 armas de fogo, resultado de muito esforço e determinação dos nossos policiais na realização de mais de 15.000 operações.

O patrulhamento nas proximidades do tráfico exige muita atenção, técnica e tática. Inconsequentes e fortemente armados, esses jovens protagonizam confrontos, que expõem ao perigo os operadores das forças de segurança pública.

As ações policiais, muitas vezes contestadas e incompreendidas por determinados segmentos da sociedade, têm o único propósito de levar segurança aos cidadãos honestos, dignos e trabalhadores, que clamam por segurança.

Não precisa ser especialista em segurança pública para compreender que tudo passa pelo elevado aporte financeiro, que fomenta a constante disputa e a rivalidade, que tem como escopo a destruição do concorrente, sempre com a consumação dos homicídios. A temática é complexa, e a solução está além das ações policiais.

Neste sentido, uma verdadeira e séria discussão interdisciplinar, com uma agenda nacional, que envolva a Academia, Congresso Nacional, Poder Judiciário, Ministério Público e as três esferas de Governo, precisa urgentemente abordar, com transparência, maturidade e coerência possíveis alternativas para atacar a estrutura financeira do tráfico e a definitiva retirada dos jovens desse ciclo de violência.

Afinal, assim preconiza nossa Carta Magna: segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos.

ALEXANDRE OFRANTI RAMALHO é secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social.

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