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Tribuna Livre

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Árvores, relíquias de nosso tempo

21/09/2021 08:05:59 min. de leitura

Nesse 21 de setembro comemora-se o Dia da Árvore, penso o quanto ainda é preciso ampliar o respeito e a proteção ao meio ambiente pois, de maneira geral, as áreas verdes são elementos de mitigação no combate das mudanças climáticas.

Nesta pandemia, ficou evidente o papel fundamental que as coberturas vegetais têm exercido.  O refúgio humano na natureza foi importante no momento de isolamento social, espaços de áreas verdes privados ou públicos, locais, distritais e interestaduais.

Nas áreas verdes públicas, é possível perceber que as desigualdades sociais se dissolvem, pois os usuários têm acesso livre para usufruir dos benefícios da vegetação.

Nas áreas urbanas é notório o desempenho da vegetação para o conforto ambiental. As árvores funcionam no ambiente como um vaporizador de ar, por assim dizer, elas jogam vapor d’água para o ar, aumentam a umidade e geram frescor.

A folhagem das copas refletem uma parte da radiação solar que seria transformada em calor, o que torna a sombra produzida pela árvore um lugar mais aprazível que a produzida por uma área construída.

A diferença de temperatura entre regiões arborizadas e áridas numa mesma cidade pode chegar a mais de 4ºC.

As árvores ainda prestam o serviço ambiental de grande valor ao meio urbano, auxiliam na remoção e armazenamento do carbono do ar, processo denominado de sequestro de carbono, e absorvem CO2 filtrando o ar poluído e, assim, reduzem a formação de poluição atmosférica.

Já parou para observar as árvores do seu local de vivência? Ou nem viu que tem uma árvore no seu prédio, na sua rua ou no seu caminho para o trabalho?

As árvores podem apresentar o porte correspondente a um prédio de seis andares, e a imponência das árvores adultas, essas veteranas, equivalem a um “edifício ecológico” na cidade. Elas formam até um próprio ecossistema em si, abrigam e alimentam inúmeras espécies vegetais e animais, criando inúmeros habitats no ambiente.

É preciso entender que as árvores têm o seu próprio tempo de desenvolvimento, em geral, lento e contínuo, que elas vão além do tempo de vida do ser humano, quando permitimos que avancem. Elas perpassam várias gerações. Um exemplo da longevidade das árvores é o Jequitibá-rosa, que está entre as maiores árvores da Mata Atlântica brasileira.

Às vezes, fico preocupada com aquilo que tem um dia comemorativo, pois me parece algo que ninguém dá valor no dia a dia, então recebe um dia especial para que as pessoas possam valorizar a existência.

Mas, por outro lado, estes dias servem para direcionar o nosso olhar, fazer nossas reflexões ou mesmo tomarmos consciência do nosso papel diante do que está sendo comemorado.

Você sabia que em nosso Estado tem uma lei do ano 2000, que declara o Jequitibá-rosa (Carinianalegalis), árvore símbolo do Espírito Santo? E que temos preservado um dos maiores exemplares, dessa espécie, no município de João Neiva? Que na cidade de Vitória tem Jequitibá-rosa plantado na praça do bairro de Goiabeiras?

Precisamos dar valor para as árvores, essas senhoras da natureza, relíquias de nosso tempo.

Rosa Casati Ramaldes é bióloga, paisagista e mestre em arquitetura e urbanismo.