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Doutor João Responde

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Colunista

Dr. João Evangelista

Vitória da vacina contra a covid

Jornal A Tribuna | 22/03/2022, 09:33 09:33 h | Atualizado em 22/03/2022, 09:34

Em 2020, tivemos um período de ansiedade e aflição. O  Sars-cov-2  grassou livremente, colhendo centenas de vidas, todos os dias.
Numa manhã de sábado, indo para Guarapari, comecei apresentar febre, astenia, tosse e ligeira falta de ar. Apesar dos cuidados preventivos, pensei: Estou com covid-19, vou morrer!

Lágrimas brotavam dos meus olhos, enquanto a angústia apertava meu coração. Nessa época, vacina era um sonho distante. Diversas drogas haviam sido testadas, mas nenhuma delas apresentou eficácia.

Apesar dos meus sintomas traduzirem um quadro gripal, como ficou demonstrado posteriormente, tudo lembrava o maldito vírus.

Graças ao distanciamento físico, ao uso de máscara e a aplicação de álcool em gel, nunca peguei coronavírus. Protegido, meu organismo conseguiu afastar o mal, enquanto aguardava a chegada do bem.

Durante a angustiante espera pela vacina, tivemos de lidar com atitudes negacionistas, teorias de conspiração e mistura de ciência com política, fatores deletérios à saúde.

Ouvimos argumentos bizarros, afirmando que a indústria farmacêutica cria doenças para depois vender vacinas. Muitos acreditaram que a vacina interfere em nosso DNA e que poderíamos virar “jacarés”.

Vacinas são antígenos. As crianças são expostas a uma enorme quantidade de antígenos desde o nascimento. Todas substâncias produzidas fora do corpo são, em princípio, antígenos, incluindo o leite materno, o suor da mãe e o algodão das fraldas.

Vacinas contribuem com apenas 0,1% da estimulação do sistema imunológico de uma criança. Quando alguém contrai uma doença viral, os vírus colocam seu material genético dentro da célula humana e utilizam a maquinaria celular para fabricar suas próprias proteínas e fazer várias cópias de si mesmos. As vacinas fazem igual, mas, em vez de levar o vírus para dentro da célula, introduzem apenas um pedaço dele, que vai alertar o sistema imune, que pensa que o vírus se encontra lá e reage, fabricando anticorpos e outras células de defesa.

Se houvesse qualquer chance de o código genético de diversos vírus interagir com o genoma humano, transformando-nos em novas criaturas, isso também deveria acontecer na infecção natural, e seríamos todos mutantes.

Ao cortejarem a pandemia, negacionistas esquecem que os vírus não ligam para os sentimentos e ideologias particulares.

Curiosamente, as vacinas sempre foram vítimas de seu próprio sucesso. Quando o medo da doença fala mais alto, a procura pela vacina vence a insensatez negacionista.

A questão é quando a urgência acaba e as pessoas esquecem. Assim que as enfermidades evitadas pelas vacinas se tornam mais brandas, os céticos retornam com suas sandices.

Diante de tantas mortes, escamas caíram dos nossos olhos, para que pudéssemos ver a realidade. O vírus está sendo vencido. Enquanto a ciência lutava pelo advento da verdadeira cura, vivemos tempos de angústia e perplexidade.

A vacina fez, daquele que soube vencer a si próprio, duas vezes vencedor.

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