Consequências do câncer de pele
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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O que a juventude tem de melhor é ser capaz de admirar sem compreender. Quem não sente saudade dessa época em que temos extraordinária vocação à felicidade?
Tendo a Praia da Costa como um paraíso particular, nela passei minha infância e juventude, mergulhado em molhados sonhos e iluminado por ardentes emoções.
Deitado sobre suas areias douradas, bronzeava minha pele, agradecendo ao sol pelo calor e pela cor. Anos mais tarde, veio o preço cobrado pela “cintilante roupagem” oferecida pelo astro-rei: câncer de pele.
A exposição incorreta à radiação solar e, em particular aos raios ultravioletas, plantou as sementes de futuros carcinomas basocelulares na minha pele.
Iniciando como uma ferida que não cicatrizava, parecendo curar e depois retornando, como uma área vermelha ou irritada, o basalioma seguiu destruindo meu tecido epitelial.
O tratamento desse tipo de carcinoma é determinado pela aparência clínica, tamanho, localização e estágio. Caso seja detectado precocemente, a maioria dos basaliomas pode ser eliminado.
As opções incluem curetagem e eletrodissecação, excisão cirúrgica, criocirurgia, quimioterapia tópica e terapia fotodinâmica ou, ocasionalmente, radioterapia.
Achei prudente procurar um cirurgião plástico que, após avaliação clínica, optou pela retirada cirúrgica do tumor epitelial. Demonstrando profissionalismo e dedicação, meu talentoso amigo, Dr. Saulo de Tarso Mello Zerbone, executou a cirurgia, com sucesso.
Anestesia, excisão, sutura, curativo, tudo foi realizado com esmero. Apenas uma coisa me incomodou, antes do procedimento: Ter atravessado o corredor do centro cirúrgico, de mãos dadas com a enfermeira, envolvido naquela camisola ridícula, com o traseiro de fora.
Brincadeira à parte, essa indumentária é aberta nas costas porque, se um paciente tem uma intercorrência, ou algo inusitado acontece, a equipe vai ter tempo para levantá-lo, puxar a camisola pela sua cabeça, junto com os fios do soro, para depois agir rapidamente.
A principal estratégia de prevenção contra o câncer de pele é se proteger dos raios solares, evitando tomar sol nas horas mais quentes do dia, cobrindo as partes expostas do corpo e usando cremes com fatores de proteção solar, tendo o cuidado de aplicá-los várias vezes ao dia.
Na maioria dos casos, o basalioma pode ser curado com remoção cirúrgica. Entretanto, se não forem tratadas, as lesões podem se espalhar, tornando-se invasivas e desfigurantes, expandindo-se em largura e profundidade na pele, destruindo tecidos e ossos.
Quanto mais se espera antes de tratar um câncer de pele, maior será a probabilidade de ocorrer uma recaída, às vezes múltiplas. No caso do basalioma, a metástase é rara, mas o crescimento local pode ser altamente destrutivo.
Caso seja negligenciado, o carcinoma epitelial pode se espalhar para outras partes do corpo, tornando-se particularmente agressivo, e até fatal.
Entre o certo e o duvidoso, mora a emoção... e suas consequências.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.