Câncer não é algo fácil de lidar
Confira a coluna desta terça-feira (01)
Os tumores malignos representam um dos grandes desafios da medicina. Embora tenha havido grandes avanços no tratamento, alguns cânceres permanecem obstinadamente intratáveis.
O câncer se caracteriza pela multiplicação descontrolada e propagação de formas anormais das próprias células do corpo.
Em geral, neoplasias são doenças da idade avançada, pois a pessoa precisa viver por tempo suficiente para que todas as mutações se acumulem dentro de uma célula e criem uma situação de câncer, que escapa ao sistema de vigilância imunológica do organismo
As células tumorais apresentam proliferação descontrolada, perda da função original, invasão e metástase.
Uma célula saudável se transforma em cancerosa em decorrência de mutações no seu DNA, podendo ser herdadas ou adquiridas.
A afirmação de que as células tumorais proliferam com mais rapidez do que as normais não costuma ser verdadeira. Muitas células saudáveis na medula óssea e parede do trato gastrintestinal, por exemplo, sofrem divisão rápida e contínua. Algumas células tumorais multiplicam-se lentamente, como aquelas dos plasmócitos. O problema ocorre em algumas delas, nos mecanismos que normalmente regulam a divisão celular e o crescimento do tecidual. Nesses casos, os freios para a divisão celular, que estão presentes em uma célula saudável, foram cortados.
Os fármacos utilizados contra o câncer são, em sua maioria, antiproliferativos. A maior parte deles provoca danos ao DNA, iniciando o processo de inativação programada, chamado apoptose, mecanismo de morte celular, que é fundamental para o desenvolvimento dos seres vivos. Infelizmente, a célula cancerosa não obedece a ordem de ser desligada e segue se reproduzindo initerruptamente.
A dificuldade do tratamento oncológico reside no fato de que os fármacos que atuam nas células cancerosas também agem em células normais, produzindo inúmeros efeitos colaterais, como depressão da medula óssea, dificuldade de cicatrização, náuseas, vômitos, esterilidade, queda de cabelo, infecções, entre tantos outros.
Tendo em vista que as drogas usadas são tóxicas, o paciente oscila entre o ódio pelo tratamento e o amor pela vida.
Pessoas diagnosticadas com câncer passam por muitos desafios. Quando visto através da ótica dos cuidados paliativos, o diagnóstico agrava o sofrimento, tornando-o mais complexo.
Um dos fatores que alimenta essa dor é a expectativa de lutar contra um inimigo cruel e sorrateiro.
O uso da terminologia maligno pode criar um caos emocional na pessoa diagnosticada com câncer.
Quando alguém recebe o diagnóstico, coloca-se uma pressão injusta sobre ele, afirmando que tem que ser forte diante dessa batalha.
O câncer deve ser abordado como uma doença que deve ser tratada. Ninguém vence ou perde para ele, alguns sobrevivem e outros não.
Muitos pacientes choram de tristeza quando descobrem um câncer e choram de alegria quando se curam dele. São lágrimas que nascem do medo e regam a esperança.
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