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Nobel de Química 2020 vai para duas mulheres por método de edição do genoma

| 07/10/2020 15:29 h | Atualizado em 07/10/2020, 15:40

Jennifer A. Doudna e Emmanuelle Charpentier, vencedoras do Nobel de Química de 2020
Jennifer A. Doudna e Emmanuelle Charpentier, vencedoras do Nobel de Química de 2020 |  Foto: Divulgação
O Prêmio Nobel de Química de 2020, 100% feminino, foi para Emmauelle Charpentier, do Instituto Max Planck, da Alemanha, e Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, pela possibilidade de reescrever o código da vida a partir do desenvolvimento de um método de edição genética.

As pesquisadoras desenvolveram o método Crispr/Cas9 (pronuncia-se "crísper") de edição do genoma, uma tesoura genética, criada apenas 8 anos atrás, e já está ajudando na busca da cura de doenças genéticas e de câncer.

Com a técnica, é possível editar com precisão o DNA de micro-organismos, plantas e animais.

"Espero que seja uma mensagem positiva para as meninas jovens que queriam seguir o caminho da ciência. Mulheres na ciência podem ter um impacto com a pesquisa na qual trabalham", afirma Charpentier. "Mas não só para mulheres. Vemos um desinteresse em seguir esse caminho, o que é preocupante."

A descoberta ocorreu graças ao estudo do sistema imune presente em bactérias e micro-organismos ancestrais. Da mesma forma que os seres humanos, bactérias também podem ser infectadas por vírus e, quando isso acontece, elas "guardam" um pedaço do DNA do invasor.

Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna, vencedoras do Nobel de Química de 2020
Emmanuelle Charpentier e Jennifer A. Doudna, vencedoras do Nobel de Química de 2020 |  Foto: © Max-Planck-Gesellschaft
Essa região com pequenos pedaços de DNA de memória são chamadas de Crispr (acrônimo para "repetições palindrômicas curtas agrupadas e regularmente interespaçadas").

Charpentier descobriu uma molécula de RNA, chamada tracrRNA, nessas antigas bactérias. A pesquisadora observou que essa estrutura se ligava ao RNA Crispr (transcrição do DNA Crispr, de memória de infecções) e, junto com duas proteínas da bactéria, Cas9 e RNase III, cortaria o RNA Crispr em pedaços menores.

A pesquisadora do Max Planck e Doudna, em seguida, descobriram que a estrutura Crispr e a proteína Cas9 vasculhavam o bactéria em busca do DNA viral que desse "match" com a memória de infecções passadas. Quando isso ocorria, a tesoura molecular formada por Crispr e Cas9 extirpava o vírus.

O anúncio das laureadas ocorreu na manhã desta quarta-feira (7), na Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo, na Suécia.

A premiação do Nobel de 2020, de 10 milhões de coroas suecas -equivalente a pouco mais de R$ 6 milhões de reais–, será dividida igualmente pelas pesquisadoras. O prêmio atual recebeu um aumento de 1 milhão em relação ao ano anterior. Até 2011, a premiação era de 10 milhões, mas, naquele ano, foi reduzida para 8 milhões de coroas suecas.

O dinheiro é proveniente de um fundo atualmente com 4,6 bilhões de coroas suecas, deixado por Alfred Nobel (1833-1896).

Além do valor, os vencedores ganham uma medalha com o rosto de Nobel e um diploma.

O testamento de Nobel afirma que a láurea da área é destinada aos que fizeram as mais importantes descobertas ou aperfeiçoamentos químicos.

A nomeação para o prêmio começa com o Comitê do Nobel para Química, que envia fichas confidenciais para pesquisadores qualificados –membros da Academia Real Sueca de Ciências, laureados anteriores nas áreas de física e química– fazerem indicações. Autoindicações não podem ser feitas.

A partir dos nomes indicados, a academia seleciona os laureados. A reunião para tomada de decisão do prêmio acontece quase normalmente neste ano, apesar da pandemia. A única diferença é que, para evitar possíveis contaminações pelo novo coronavírus, ela foi dividida em encontros menores paralelos, a partir dos quais é feita a escolha do laureado.

Além disso, os laureados em 2020 não irão até Estocolmo para receber a premiação, que provavelmente será enviada para os países dos vencedores.

A química era a ciência de maior importância no trabalho de Nobel, inventor da dinamite. Ele também foi responsável pelo desenvolvimento de borracha e couro sintéticos. Nobel registrou 355 patentes em 63 anos de vida.

No Nobel deste ano, a láurea de Medicina foi para a descoberta do vírus da hepatite C. Foram premiados Harvey Alter, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), Michael Houghton, da Universidade de Alberta, e Charles Rice, da Universidade Rockefeller.

Já a láurea de Física ficou com os pesquisadores Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez, que melhoraram o entendimento humano sobre buracos negros.

Em 2019, o Nobel de Química ficou com John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino pelo desenvolvimento das baterias de íons de lítio, que revolucionaram a tecnologia.

A premiação em 2018 foi para pesquisadores que conseguiram, de certa forma, controlar a evolução e levá-la para tubos de ensaios. Com isso, puderam desenvolver proteínas que ajudaram a solucionar problemas. Os ganhadores daquele ano foram Frances H. Arnold, dos EUA, George P. Smith, também dos EUA e Gregory P. Winter, do Reino Unido.

Em 2017, o Nobel de Química premiou pesquisas de criomicroscopia eletrônica, processo pelo qual é possível congelar moléculas em meio a processos bioquímicos. Dessa forma, é possível ver com maior precisão a superfície delas e o funcionamento do organismo, quase uma fotografia da vida. Os laureados naquela ocasião foram Jacques Dubochet, da Universidade de Lausanne, Joachim Frank, da Universidade Columbia e Richard Henderson, da Universidade de Cambridge.

Entre as pesquisas já premiadas estão a descoberta e trabalho com elementos químicos rádio e polônio (Marie Curie, 1911) e a pesquisa sobre ligações químicas (Linus Pauling - 1954).
Ainda restam as entregas das láureas de Literatura, na quinta (8), da Paz, na sexta (9), e de Economia, na segunda (12).

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