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Problemas psicológicos afetam maioria das crianças durante pandemia, diz pesquisa

| 03/08/2021 16:21 h | Atualizado em 03/08/2021, 16:52

A microempreendedora Luciana Lucchi comprou o brinquedo antiestresse  para Ana Clara, de 10 anos: estímulos
A microempreendedora Luciana Lucchi comprou o brinquedo antiestresse para Ana Clara, de 10 anos: estímulos |  Foto: Dayana Souza/AT

Das marcas que a pandemia de covid-19 vai deixar, muitas serão entre crianças e adolescentes.

É o que aponta uma pesquisa encomendada ao Datafolha pela Fundação Lemann e pelo Instituto Natura. O levantamento mostrou que 94% das crianças e dos adolescentes apresentaram alguma mudança de conduta durante a pandemia.
O objetivo do estudo foi investigar a vida dos estudantes durante o período em que eles deveriam estar nas salas de aula.

Foram ouvidos 1.315 responsáveis por mais de 2.100 crianças e adolescentes (de 4 a 18 anos) matriculados na rede pública ou fora da escola, de todo o Brasil, durante os meses de junho e julho.

De acordo com os pais e responsáveis, a maioria (56%) ganhou peso no período; 44% se sentiram tristes; 38% ficaram com mais medo; e 34% perderam o interesse pela escola.

Sobre o uso de eletrônicos, 43% disseram assistir à TV com mais frequência, e 37% admitiram passar mais tempo que o normal em videogames e jogos no celular.

O psiquiatra Valber Dias Pinto confirma que a saúde mental piorou muito com a pandemia.

“Sabemos a causa do isolamento social, mas, inevitavelmente, os prejuízos vieram. A criança e o adolescente, para criação de uma identidade, precisam de um estímulo de outro colega”.

A psicóloga infantil Rosana Carlesso destaca que o cenário contribuiu muito para que as crianças acessassem ainda mais os eletrônicos. Ela pontua, entre os problemas desenvolvidos pelo público infantil, dificuldade em estabelecer contato com outras crianças, de atenção e hiperatividade, além do risco para a saúde física.

A neuropsicopedagoga clínica Geovana Mascarenhas frisa que um desenho animado exige muito menos esforço de entendimento que a leitura de um livro, por exemplo. “É como se estivéssemos deixando o nosso cérebro preguiçoso”.

A psicóloga Sônia Lopes orienta aos pais um pouco mais de paciência com a nova rotina dos filhos e que pensem em uma solução juntos. “Por exemplo, fazer um cronograma para cumprir as tarefas. E também estabelecer horários em relação a uso dos videogames”.

Brinquedo contra estresse é moda

Para amenizar os efeitos do estresse causado pela pandemia nos filhos, os pais têm optado por alguns brinquedos. Uma das novidades do mercado são os “Pop It”, nova versão do plástico bolha, que muitos usam como “calmante”.

Ana Julia,  de 9 anos, tem   coleção
Ana Julia, de 9 anos, tem coleção |  Foto: Acervo pessoal
Colorido, de silicone e sensorial, o brinquedo se tornou uma febre entre a criançada.

A neuropsicopedagoga Geovana Mascarenhas explica que os brinquedos prometem ajudar a aliviar a ansiedade e o estresse, além de aumentar a destreza, melhorar coordenação, habilidades motoras finas e, ainda, auxiliar no desenvolvimento dos músculos das mãos.

A microempreendedora Luciana Lucchi, de 35 anos, comprou o brinquedo para a filha Ana Clara Lucchi, de 10 anos.
A mãe conta que, durante a pandemia, a menina passou a gastar mais tempo em eletrônicos e, por isso, a incentiva a realizar atividades sensoriais. “Ela pinta, desenha. Eu estimulo outras atividades, tudo com moderação. Acredito que para tudo é preciso equilíbrio”.

Quem também faz uso do brinquedo é a pequena Ana Julia, 9. Sua mãe, a personal bronzer Lilian Fernandes, 40, diz que a menina tem uma coleção e, às vezes, faz uso do brinquedo para dormir.

Segundo o psiquiatra Valber Dias, é importante que os pais usem estratégias, como o brinquedo, para reduzir o tempo de tela.


Saiba mais


Pesquisa

  • Uma pesquisa, encomendada ao Datafolha pela Fundação Lemann e pelo Instituto Natura, mostrou que 94% das crianças ou dos adolescentes tiveram alguma mudança de comportamento durante a pandemia.

  • O levantamento teve como objetivo investigar a vida dos estudantes durante o período em que deveriam estar nas salas de aula.

Entrevistados

  • Foram ouvidos 1.315 responsáveis por mais de 2.100 crianças e adolescentes (de 4 a 18 anos) matriculados na rede pública ou fora da escola, de todo o Brasil, durante os meses de junho e julho.

Escola e eletrônicos

  • De acordo com os pais e responsáveis, a maioria ganhou peso no período (56%); 44% se sentiram tristes; 38% ficaram com mais medo; e 34% perderam o interesse pela escola.

  • Já 43% disseram assistir à TV com mais frequência e 37% admitiram passar mais tempo que o normal em videogames e jogos no celular.

Renda

  • Crianças e adolescentes de famílias com menor renda sofreram mais os efeitos da pandemia em seus comportamentos: 59% das crianças e jovens com renda familiar de até dois salários mínimos tiveram ganho de peso; 51% passaram a dormir mais; 48% ficaram mais agitados.

Refeições

  • A avaliação da alimentação como “ótima ou boa”, por parte dos responsáveis, caiu de 81% no período anterior à pandemia para 74%, hoje; “regular” aumentou de 16% para 23%; e “ruim” se manteve estável, em 2%.

Fonte: Pesquisa Datafolha.

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