“Os avanços da medicina vão ajudar na longevidade”, afirma geriatra
Especialistas apontam que longevidade depende não apenas de viver mais anos, mas de manter autonomia e capacidade funcional nessa fase da vida
Diante de uma população que vem envelhecendo nos últimos anos, médicos afirmam que o futuro da longevidade pode estar menos relacionado apenas a quantos anos uma pessoa consegue viver e mais a como ela chegará a essas idades.
Para a geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Estado, Fernanda Sperandio Cott Paiva, os avanços da medicina contribuem para prevenir, diagnosticar precocemente e tratar doenças que, no passado, comprometiam de forma importante a independência das pessoas idosas.
“Os avanços da medicina certamente têm potencial para contribuir cada vez mais para a longevidade. A tendência é que ela avance no sentido de preservar a capacidade funcional, e não apenas tratar doenças depois que elas aparecem”, destacou.
Ela ressaltou, no entanto, que chegar aos 90 anos com qualidade de vida depende de vários fatores. “Além dos avanços da saúde, são fundamentais hábitos de vida saudáveis, vacinação, acompanhamento regular de saúde, controle de doenças crônicas, alimentação adequada, atividade física, sono, saúde mental e relações sociais”.
O geriatra e diretor do Programa Bem Envelhecer da MedSênior, Roni Chaim Mukamal, considera o aumento da longevidade uma conquista, mas destaca que o desafio está em garantir que os anos adicionais sejam acompanhados de autonomia e independência.
“O brasileiro ainda vive muitos anos da sua velhice com incapacidade. Os dados brasileiros mostram que a pessoa idosa vive de 10 a 12 anos com uma perda funcional, uma doença crônica”.
Para o especialista, o grande desafio das próximas décadas será justamente ampliar o período da vida em que o idoso consegue manter sua independência.
Entre os problemas mais frequentes, ele citou demências, doenças osteoarticulares, perda de massa muscular, doenças cardiovasculares, diabetes, infarto, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC).
Thais Bento Lima da Silva, gerontóloga e docente do curso de bacharelado em Gerontologia da Universidade de São Paulo, enfatizou que o envelhecimento saudável não deve ser entendido apenas como uma consequência do aumento da expectativa de vida, mas como uma construção que começa muito antes da chegada à velhice.
“Informação, prevenção e estímulos adequados são recursos essenciais para que as pessoas possam envelhecer com mais autonomia, participação social e qualidade de vida”.
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