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Cidades

Famílias de pacientes em UTIs são vítimas do golpe do falso médico

Criminosos ligam para parentes de internados em UTIs falando sobre a urgência de realizar tratamento que salva a vida e custa R$ 1.250


Imagem ilustrativa da imagem Famílias de pacientes em UTIs são vítimas do golpe do falso médico
Fachada do Hospital São Lucas, onde famílias de pacientes que estão em UTIs são alvo de golpistas |  Foto: Heytor Gonçalves/AT

Golpistas estão se passando por médicos de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais da Grande Vitória para tentar pegar o dinheiro de familiares. 

Algumas famílias que estão com parentes internados na UTI do Hospital Estadual de Urgência e Emergência “São Lucas” receberam ligações de um suposto médico, na semana passada, dizendo que seus familiares precisavam de tratamento urgente para uma bactéria perigosa que poderia matar o paciente internado em alguns dias.

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Para evitar a morte, era preciso pagar R$ 1.250 para realizar o suposto tratamento, de forma particular, com promessa de reembolso de 100% do valor. 

A aposentada Maria Clotildes Gomes Comarela, de 67 anos, contou que poucas horas depois de visitar a mãe, de 90 anos e que está internada por conta de uma fratura no fêmur, ela recebeu a ligação do suposto médico. 

“Ele disse que minha mãe estava com uma infecção com 16% de bactéria e que a cada hora que passava aumentava 4% e, por isso, ele precisava fazer o procedimento de forma particular. Fiquei assustada e quase acreditei. Ele tinha meu contato, falou o nome da minha mãe completo, falava bem...”, conta a aposentada, que se livrou do golpe porque a irmã desconfiou.

Mesmo não perdendo dinheiro, a aposentada disse  que se sentiu lesada. “A gente é lesada de tudo quanto é jeito, mesmo não tendo perdido o dinheiro. É um momento que já estamos mais frágeis psicologicamente, com a mãe internada. Dá uma raiva, uma tristeza”.

Uma dona de casa 63 anos, que pediu para não ser identificada, que também está com a mãe internada no mesmo hospital, contou que na mesma noite recebeu a ligação do suposto médico com a mesma explicação sobre a bactéria. 

"Primeiro ele perguntou meu nome e eu não falei, mas como ele confirmou o telefone da minha filha e o nome completo da minha mãe, eu comecei a ouvir. Ele disse que minha mãe estava com uma bactéria e que precisava de um tratamento rápido”, conta.

A dona de casa, que tinha visto a mãe há algumas horas e conversado com médica de plantão, suspeitou da história, já que a mãe estava melhorando seu quadro clínico.

“Ficava dizendo o tempo todo que ela poderia ir a óbito, colocando medo na gente. Quando cheguei  no hospital no outro dia, vi que não tinha sido só comigo. Eu não cai, mas teve gente que perdeu o dinheiro com medo do parente morrer. Isso é um absurdo!”.

Hospital diz que não existe vazamento de dados

A direção do Hospital Estadual de Urgência e Emergência “São Lucas” informou que faz um trabalho de conscientização com pacientes e acompanhantes sobre o golpe do falso médico. 

Em nota, a direção do hospital informou que não há comprovação de vazamento de dados e que todos os  funcionários  passam por treinamento esclarecendo a importância de proteger os dados dos pacientes.

“Bem como as possíveis implicações legais que o desrespeito à regra pode ocasionar, o hospital conta também com um setor de compliance, que atua de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e reafirma  que faz continuamente trabalho de conscientização com pacientes e acompanhantes, em reuniões semanais e também no beira leito para alertar sobre golpes relacionados a pedidos de dinheiro. Além disso, cartazes estão espalhados por toda a instituição, alertando sobre o fato de o hospital ser 100% SUS e que qualquer cobrança é indevida”, diz em nota.

Segundo o superintendente do  Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Espírito Santo (Sindhes-ES), Manoel Carneiro Netto, o golpe tem acontecido há algum tempo em outros hospitais. 

“Em todos os hospitais credenciados existem alertas e cartazes avisando sobre o golpe e que os hospitais não fazem ligações pedindo cobranças de procedimentos”, alertou.

Registro

A Polícia Civil informou que  investiga todos os casos de golpes ou tentativas de golpes formalizados nas delegacias, e orienta que as vítimas desse tipo de caso registrem a ocorrência podendo comparecer pessoalmente a uma delegacia ou realizar o registro por meio da Delegacia Online (https://delegaciaonline.sesp.es.gov.br), para que as investigações sejam iniciadas.

A Polícia Civil destaca que a população pode contribuir com informações de forma anônima através do Disque-Denúncia 181, que também tem conta com site onde é possível anexar imagens e vídeos de ações criminosas, o disquedenuncia181.es.gov.br. O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas.


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O golpe 

O golpista, se passando por um médico plantonista, liga para um familiar do paciente internado na UTI para pedir autorização para fazer um procedimento no paciente que está, teoricamente, correndo risco de vida por causa de uma bactéria que está se alastrando pelo corpo da paciente rapidamente. 

Mas, o golpista diz que para fazer o procedimento de forma ágil, era preciso fazer o procedimento de forma particular e, para isso, ele, como médico plantonista responsável pelo paciente, já estava com o orçamente de um clínica que faria todo o procedimento, incluindo exames e medicações por R$ 1.250, que teriam de ser pagos imediatamente, por causa da gravidade da paciente, segundo ele.

Para dar credibilidade, o golpista explica todo o quadro clínico e os exames que são feitos e pressiona o família dizendo que o pagamento necessita ser feito o mais rápido possível porque o paciente internado corre risco de morte.

Ele passa o nome de um médico e número de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) falso e diz que trabalha no hospital Estadual. 

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Trechos da conversa

Explicando a suposta doença

Golpista: Foi constatado que minha paciente está com uma infecção hospitalar com 16% dessa bactéria. Você sabe o que é 16% de uma bactéria na base do 100? 

Aposentada: Sim. Sei o que é 16%.

Golpista: Então, 16% de bactéria na base do 100 elevado a 7, significa que está no início ainda. Como está no começo, tem como eu removê-la e aplicar medicações para a recuperação da minha paciente. O Laboratório São Lucas é especializado e tem todo o aparato médico móvel necessário que preciso, onde eu não vou precisar mover a minha paciente do hospital e todo o tratamento será realizado aqui dentro do hospital mesmo, para não estar piorando o estado clínico e crítico da minha paciente. Certo? 

Aposentada: Humrum!

Golpista: Vou necessitar submetê-la a uma bateria de exames de última geração 3D e imagens, que seria  a tomografia, para poder identificar onde está a bactéria, como ela foi gerada e instalada, se foi por uma medicação ou por alguma aparelhagem, uma alimentação, o que seja. 

Eu vou remover a bactéria via laser e vou gerar todas as medicações pelo Laboratório São Lucas, em um tratamento de forma particular, onde o valor de custo não ficou tão caro. 

Com o valor bem acessível, vou estar incluindo as sete baterias de exames e toda a medicação, que é essencial para recuperação da paciente. Tá?

Promessa de reembolso

Golpista: Vou emitir um protocolo e um ofício, pedindo reembolso em um prazo de quatro a cinco dias, eu mesmo ficarei responsável por isso.

Pedido de urgência

Golpista: Preciso realizar o procedimento o mais rápido possível, porque a cada uma hora que se passa está subindo em 4% a bactéria.

Aposentada: O que você precisa para realizar esse procedimento? 

Golpista: Preciso verificar com responsável familiar se ele autoriza.  

Mas, caso não queira, a gente encaminha todo o protocolo diretamente pelo SUS, onde a gente vai ter de aguardar esse prazo de 4 a 5 dias para liberar, mas vou dizer uma coisa para vocês, não sei se ela vai suportar tanto tempo

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