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Espuma volta a aparecer em praias da Serra

| 26/02/2021 17:24 h | Atualizado em 26/02/2021, 18:37

Poluição causa espuma em rio na Serra
Poluição causa espuma em rio na Serra |  Foto: Edmara Lúcia Dias
O aparecimento de uma espuma em praias do município da Serra tem sido cada vez mais frequente segundo os moradores do local, em especial das regiões de Bicanga e Manguinhos. A espuma na superfície da água, tem assustado quem passa pela região do rio Guaxindiba, entre Manguinhos e Bicanga, na Serra.

O problema, que já ocorreu outras vezes, tem sido recorrente e já motivou passeatas em protesto, organizada pelos próprios frequentadores da região litorânea. Segundo moradores, a situação está assim há mais de seis meses.

A aposentada Edmara Lúcia Dias, de 68 anos, moradora de Manguinhos, contou que o odor está ainda mais forte. “Um cheiro insuportável de produtos químicos. Ficamos totalmente indignados com a situação. E nesta sexta-feira tem mais uma agravante: um cano da Cesan se rompeu em cima do rio Guaxindiba”, relatou.

Praia de Bicanga, na Serra, onde a espuma (direita) apareceu e assustou os banhistas
Praia de Bicanga, na Serra, onde a espuma (direita) apareceu e assustou os banhistas |  Foto: Arquivo / AT e Divulgação
Edmara contou que ela, junto a outros moradores, já fizeram vídeos e enviaram para a Associação de Moradores de Manguinhos, que fez denúncias na prefeitura.

“Já fizemos diversas reclamações no site da Ouvidoria da Serra. A resposta que o órgão responsável nos dá é que a prefeitura tinha um projeto-piloto para tirar a poluição do córrego Maringá e do rio Guaxindiba, e chegaram a chamar moradores de Manguinhos para participar desse projeto, mas, até agora, nada foi realizado. Se eles dissera que já identificaram porque não resolvem o problema?”, disse.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente da Serra (SEMMA), o problema ocorre devido à poluição por resíduos industriais no local.

A SEMMA informou que a fiscalização ambiental foi ao local e constatou o lançamento indevido do resíduo. O órgão disse que irá identificar a origem do material, para notificar e multar a empresa responsável.

“Equipes da Secretaria de Meio Ambiente monitoram o local e constataram que o lançamento foi interrompido”, completou o órgão.

Em nota, a Cesan informou que uma rede da Companhia foi atingida por uma obra de terceiros alterando a coloração de uma pequena quantidade de água que já estava dentro da rede e chegou a algumas casas de Manguinhos e Bicanga.

"O reparo foi feito pelo responsável da obra, e a rede foi limpa pela Cesan. O abastecimento está normalizado. Para solicitar vistoria técnica e análise da água é só ligar para o telefone 115, a chamada é gratuita", informou.

De acordo com o biólogo Daniel Gosser Motta, a espuma é resultado da decomposição de um grande número de microalgas, processo que se intensifica em dias quentes, e ao movimento da água do rio.

“O despejo de esgoto industrial aumentou o nível de nutrientes (nitrogênio e fósforo) e de matéria orgânica na água, o que facilitou a maior proliferação de microalgas”, explicou o especialista.

Motta disse que esse processo, chamado de eutrofização, pode ocorrer de forma artificial, como foi no rio Guaxindiba, ou natural.

Com a eutrofização, há a diminuição do oxigênio no rio. Para o meio ambiente, uma possível consequência é a mortandade de peixes e crustáceos.

Para os humanos, que têm contato com a água ou a ingerem, há riscos de sentirem vômitos, diarreias, dores abdominais e até de desenvolverem meningite e hepatite A, segundo o biólogo.

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