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Espírito Santo já tem 574 mil idosos

Maiores de 60 anos já correspondem a 14% do total de moradores, revelou IBGE. População de jovens, no entanto, está diminuindo

Isabella de Paula, do jornal A Tribuna | 23/07/2022 20:47 h

A nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que 14% da população do Espírito Santo já é idosa.

Essa porcentagem equivale a 574 mil pessoas acima de 60 anos. Em 2012, o número representava 11% da população residente no Estado.

Por outro lado, a população abaixo de 30 anos demonstrou queda. Em nove anos, houve uma redução desse público em 5,4%, segundo dados do mesmo levantamento. 

No Estado, em 2012, pessoas abaixo de 30 anos  representavam 48,7% da população. Em 2021, esse público caiu para 43,6%.

De acordo com Flávia Casagrande, técnica em informações geográficas e estatísticas do IBGE, esses fenômenos demográficos são uma tendência no País. 

“A série histórica da pesquisa começou em 2012.  Em 2013, tínhamos 380 mil nessa faixa etária, chegando agora a 574 mil. Em questão de distribuição percentual, em 2013 essa parcela representava 10,2% da população e, hoje, 14%. É algo gradual que tem sido percebido desde 2013”, diz.

Segundo Casagrande, a queda da quantidade de jovens tem relação direta com a taxa de fecundidade nos últimos anos. 

“Esse outro fenômeno  está diretamente ligado à questão da diminuição das taxas de fecundidade. Se nascem menos pessoas, essa população tende a crescer menos”.

O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ednelson Mariano Dota, explica que essa transição demográfica já era esperada no Brasil, devido às transformações sofridas dentro da sociedade, nas últimas décadas. 

“Já na década de 1940, notamos algumas transformações   como a redução no índice de mortalidade. Em 1960, temos  a diminuição do índice de natalidade. Toda essa dinâmica da sociedade influencia nesses dados da pesquisa”, comenta.

Outras mudanças  que contribuem são o aumento da expectativa de vida, avanços da medicina, saúde pública e saneamento básico, além da urbanização, segundo o professor.

A aposentada Zeliete Laurindo Fraga e o neto Breno Coutinho
A aposentada Zeliete Laurindo Fraga e o neto Breno Coutinho |  Foto: Douglas Schneider/AT
 

Onze netos

A aposentada Zeliete Laurindo Fraga, de 86 anos, é uma das capixabas que está dentro da estatística dos 14% da população idosa do Estado, segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Zeliete, residente de Vitória há mais de 70 anos, conta que possui onze  netos com idades entre 15 e 40 anos. Entre eles, Breno Coutinho, de 29 anos.    “Eu tenho onze netos. A  mais velha de 40 anos e  os mais novos, gêmeos idênticos, de 15 anos”, conta.

E a família não parou só nos netos. "Além de todos os netos, tenho dez bisnetos. A mais velha tem 18 anos e o mais novo 3 meses de vida”, diz.

Imagem ilustrativa da imagem Espírito Santo já tem 574 mil idosos
 

População diminui em 2048

Uma projeção populacional realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, a partir de 2048, a população brasileira começará a diminuir de tamanho.

Para o Espírito Santo, esse mesmo fenômeno acontece a partir de 2060. Os dados são indicadores estimados  pelo instituto brasileiro para o período  de 2010 a 2060, utilizando como base a idade e sexo dos habitantes.

O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ednelson Mariano Dota, comenta o fenômeno.

“Do ponto de vista geral,  já temos um desenho muito claro do que vai acontecer com a população brasileira nos próximos anos. A projeção do IBGE já aponta que chegaremos a um  limite da população e começaremos a diminuir”, diz o especialista.

A projeção apontada para o Brasil é que  a população  chegue ao limite de crescimento estimado em 2047 e comece a reduzir  a partir de 2048. No Espírito Santo, o auge de crescimento é o ano de 2059 e a redução da população começa a partir de 2060.

O professor destaca que os dados não devem ser motivo de alarde, no entanto, devem mobilizar os representantes sobre as demandas do planejamento público para o futuro do País.

“As mudanças demográficas são relevantes, socialmente, porque modificam a estrutura etária da população e  as demandas dos serviços públicos, em especial. Precisamos, como País, nos atentar ao planejamento público”, alerta.

A pesquisa de projeção populacional feita pelo IBGE tem por finalidade calcular os indicadores sociodemográficos e fornecer informações para a implementação de serviços públicos.

Com os dados levantados, é possível criar estratégias de contenção dos problemas sociais e econômicos que afetarão o  Brasil nos próximos anos. 

Apesar de essenciais, o professor relembra que as projeções feitas pelo IBGE podem sofrer alterações, na prática. “Lembrando que a projeção é só uma ideia, uma forma de tentar prever o futuro, certamente com erros, mas que podem contribuir com o processo”.

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