X

Olá, faça o seu cadastro para ter acesso a este conteúdo

*Você não será cobrado

Login

Esqueci minha senha

Não tem conta? Acesse e saiba como!

Atualize seus dados

Doenças respiratórias em crianças lotam hospitais

Médicos alertam que aumentou o número de crianças com gripe, pneumonia e bronquiolite em enfermarias e UTIs

Francine Spinassé, do jornal A Tribuna | 05/05/2022 15:12 h

Mesmo em um cenário de casos reduzidos de covid-19, crianças com sintomas respiratórios, como gripes, pneumonia e até bronquiolites, têm lotado pronto-socorros e leitos de UTI e enfermaria de hospitais da Grande Vitória. 

O relato tem sido feito por pais, além de médicos que atuam em hospitais públicos e particulares.

A pediatra Ana Claudia Bastianello, que atende em pronto-socorro de hospital particular, afirmou que tem aumentado muito nos últimos dois meses a demanda de crianças com sintomas gripais. 

“É um período da sazonalidade de doenças respiratórias, que geralmente coincide com início das aulas, no final de fevereiro. A sensação é que esse período está se estendendo este ano, pois continuamos com pronto-socorro lotado na rede pública e privada”.

Segundo ela, um fator agravante é a dificuldade para conseguir vagas de UTI pediátrica e neonatal. “Não é raro ter bebês internados no pronto-socorro esperando dois ou três dias por vaga de UTI”.

A pediatra e especialista em adolescente Bruna Bressanelli, que atende em prontos-socorros de hospitais particular e público, também observado tempo de espera maior para atendimento, principalmente por casos de bronquiolite, asma, laringite e pneumonias em crianças. 

“Durante a pandemia do covid, com aulas suspensas e as pessoas não se aglomerando, não tivemos um aumento intenso nessa época, o que era esperado. Agora, os casos voltaram a crescer muito”.

Ela reforçou que tem observado muitas internações, principalmente em bebês menores que três meses de vida.

O pediatra Rodolfo Nicolau Soares, que também atende em pronto-socorro da rede pública, enfatizou o aumento da demanda e fez um alerta para que os pais busquem os serviços de urgência e emergência em casos mais graves.  

“Temos recebido pacientes com quadros leves, de tosse, coriza e febre baixa com 24 horas, chegando a pronto-socorro. Se possível, deve ser evitado o contato de pacientes com quadros leves, com aqueles mais graves. O pronto-socorro deve ser buscado, principalmente, em caso de criança apresentar algum sinal de esforço respiratório ou febre mais persistente”, ressalta o médico.

Atendimento até mais tarde

A fisioterapeuta respiratória Mariela Borba relatou um crescimento da demanda por fisioterapia respiratória em bebês e crianças com quadros gripais
A fisioterapeuta respiratória Mariela Borba relatou um crescimento da demanda por fisioterapia respiratória em bebês e crianças com quadros gripais |  Foto: Divulgação
 

A fisioterapeuta respiratória Mariela Borba relatou um crescimento da demanda nas últimas semanas por fisioterapia respiratória em bebês e crianças com quadros gripais.

Segundo ela, a procura foi tanta que chegou a ampliar o horário e atender até 21h. “O aumento foi de 70% na busca de pacientes com síndrome gripal. Em alguns casos, são pacientes após internação”.

Ela reforçou, no entanto, que o tratamento precoce reduz o tempo de recuperação.


SAIBA MAIS


Cenário da sobrecarga

  • Especialmente entre os meses de março e maio, é esperado, todos os anos, o aumento das doenças respiratórias em geral, como gripe, asma, pneumonias e bronquiolites.
  • Com a pandemia, em 2020 e 2021, esse aumento não foi expressivo, já que as medidas contra a covid-19 ajudaram a conter outros vírus.
  • Este ano, com flexibilização de medidas, casos voltaram a aumentar. Médicos relatam prontos-socorros e leitos de internação lotados. 

Vírus

  • Entre os principais problemas nesta época está a circulação de vírus, como o vírus sincicial respiratório. Em muitos casos, quadros virais evoluem de forma mais grave, como pneumonias, em crianças, e bronquiolites (infecção nos bronquíolos, ramificações que conduzem o ar para pulmões), no caso de bebês.
  • Nos casos mais graves, muitas vezes a internação é necessária.
  • Médicos apontam que é necessário buscar atendimento em casos em que a criança apresenta dificuldade respiratória e febre persistente.

Hospitais

Rede particular

  • A Unimed Vitória informou que aumentou a demanda nos prontos-socorros da Grande Vitória, mas todos os pacientes estão sendo atendidos. Conta com teleconsulta pediátrica para casos de menor complexidade.
  • O Vitória Apart Hospital disse que a procura de atendimento para crianças com síndromes respiratórias tem sido acima do normal. Casos de bronquiolite são os mais registrados.

Rede pública

  • O subsecretário de Estado de Atenção à Saúde, José Maria Justo, explicou que nos hospitais da rede estadual a demanda por leitos de enfermaria e UTI infantis também aumentou de forma significativa. “De março até maio, vivemos uma fase sazonal das doenças respiratórias. Mas este ano identificamos aumento 30% maior que em anos anteriores nessa época, principalmente de quadros virais que evoluíram para pneumonias e bronquiolite.”
  • Segundo ele, apesar da alta ocupação dos leitos disponíveis, não há falta de vagas. “Nesta semana vamos iniciar a ampliação de leitos de UTI e enfermaria nos hospitais infantis de Vila Velha (Himaba) e Nossa Senhora da Glória (Vitória).”

Fonte: Médicos, Sesa e hospitais.

Quer receber as últimas notícias do Tribuna online? Entre agora em um de nossos grupos de Whatsapp

MATÉRIAS RELACIONADAS