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Descobertos novos vilões da mente

| 18/08/2020 22:42 h

O geriatra Roni  Mukamal destacou o trauma craniano e citou os boxeadores. “Eles  apresentam traumas contínuos e acabam tendo lesões cerebrais, que, acumuladas, podem propiciar a demência”
O geriatra Roni Mukamal destacou o trauma craniano e citou os boxeadores. “Eles apresentam traumas contínuos e acabam tendo lesões cerebrais, que, acumuladas, podem propiciar a demência” |  Foto: Ademir Ribeiro - 27/05/2015

Pesquisadores em saúde mental publicaram relatório com novos fatores de risco para a demência neurodegenerativa, quadro clínico que atinge 1,4 milhão de pessoas no País.

A demência apresenta sintomas que estão ligados à memória e à lucidez, envolvendo doenças como Alzheimer e Parkinson.

Publicado na revista científica The Lancet, o relatório trouxe três novos vilões para uma mente saudável: o consumo excessivo de álcool, o trauma craniano e a poluição do ar.

Esses três se juntam aos outros já publicados pelos cientistas: obesidade, fumo, depressão, baixo nível educacional, perda auditiva, hipertensão, baixo contato social, inatividade física e diabetes.

O estudo foi redigido por 28 especialistas da Comissão Lancet para Prevenção, Intervenção e Assistência à Demência. Segundo eles, ao evitar esses 12 fatores de risco, é possível reduzir ou prevenir 40% dos casos de demência.

Dentre os novos fatores, o mais reconhecido pelos especialistas é o trauma craniano. Segundo o geriatra Roni Chaim Mukamal, esse tipo de lesão resulta em menos “reserva cognitiva”, aumentando o risco de demência com o tempo.


“Os boxeadores e lutadores, por exemplo, apresentam traumas contínuos e acabam tendo lesões cerebrais, que, acumuladas, podem propiciar a demência”, explicou.
No caso do consumo de álcool, um dos problemas é a atrofia cerebral, segundo o neurocirurgião Alexandre Teixeira.

“O álcool é tóxico, e o excesso dele acelera o processo de atrofia, evoluindo para o quadro de demência”, disse. É tanto que existe uma demência diretamente ligada a esse fator: a demência alcoólica.

Apesar dos sintomas, em 1,4 milhão de brasileiros, mais da metade dos casos de demência não são notificados, de acordo com o neurologista Ivan Okamoto. “Ainda há a crença de que todo idoso vai ficar demente, mas temos de diferenciar o envelhecimento normal daquele que ocorre com demência”.

No relatório, os cientistas ressaltaram que “muitos fatores de risco se agrupam em torno das desigualdades, que ocorrem, principalmente, em grupos étnicos negros e minoritários”.

Poluição do ar é a principal novidade entre fatores de risco

A poluição do ar foi a grande novidade entre os novos fatores de risco para a demência. Estudos recentes levantaram a suspeita de que a inalação de partículas finas podem acelerar o declínio cognitivo, além de problemas já comprovados, como asma e câncer de pulmão.

Um estudo feito nos EUA com pacientes, por 11 anos, concluiu que mulheres mais velhas que moravam em lugares com índices de poluição altos apresentaram o dobro de casos de demência.

“O ar poluído possui substâncias tóxicas que podem comprometer o pulmão e o cérebro”, afirmou o geriatra Roni Chaim Mukamal.


SAIBA MAIS


O que é demência?

  • A demência neurodegenerativa não possui cura e não pode ser revertida, apesar dos medicamentos capazes de controlar os sintomas da doença.
  • Ela atinge o cérebro de pessoas idosas e está ligada a doenças como Alzheimer e Parkinson.
  • No Brasil, a demência atinge 1,4 milhão de pessoas.

Pesquisa

  • Um grupo de 28 especialistas publicou um relatório na revista científica britânica The Lancet, com fatores de risco para demência.
  • Os cientistas fazem parte da Comissão Lancet para Prevenção, Intervenção e Assistência à Demência.
  • Ao todo, são 12 fatores, sendo que três são novos.

Os 3 novos fatores

  • Poluição do ar
  • Consumo excessivo de álcool
  • Trauma craniano

Os outros fatores

  • Obesidade
  • Fumo
  • Depressão
  • Baixo nível educacional
  • Perda auditiva
  • Hipertensão
  • Baixo contato social
  • Inatividade física
  • Diabetes

Fonte: Revista The Lancet e especialistas consultados.

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