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Cinquenta pacientes por dia buscam psiquiatras no Estado

| 15/03/2021 15:13 h | Atualizado em 15/03/2021, 15:34

Cuidar da saúde mental nunca esteve tão em alta como no último ano. A preocupação com os distúrbios mentais como depressão, ansiedade e Síndrome de Burnout (síndrome do esgotamento profissional), por exemplo, tem levado cada vez mais pacientes aos consultórios.

A procura tem sido tanta que, em média, 50 pacientes procuram por atendimento psiquiátrico, por dia, em planos de saúde.

A psicóloga Dilma Cursino  observou aumento no atendimento a crianças e adultos, por conta da ansiedade.
A psicóloga Dilma Cursino observou aumento no atendimento a crianças e adultos, por conta da ansiedade. |  Foto: Beto Morais/AT

O médico Ramon Minarini, coordenador da medicina preventiva da Samp, destaca que durante o mês, são realizadas mais de 1.500 consultas com psiquiatras somente nas unidades próprias da rede.

“É notório o aumento por serviços de saúde mental. Existe até uma lista de espera para esses profissionais, e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) exige que o atendimento aconteça em até 14 dias. Conseguimos atender no prazo, mas temos visto que a fila aumenta”.

Na Unimed Vitória, os consultórios psiquiátricos viram um aumento no número de atendimentos a partir de maio de 2020, com uma média mensal de 1.312 consultas em regime ambulatorial. As consultas com psicólogos passaram de 5.488 em 2019, para 7.090 em 2020.

As consequências da pandemia, como isolamento social, medo da contaminação e luto por perda de entes queridos, são alguns dos fatores que, segundo o psicólogo Vinícius Grassi, do Viver Bem Unimed, têm levado às pessoas a procurem orientação.

“Em 2020, observarmos que muitas pessoas ansiosas e deprimidas agravaram o estado de saúde, e pessoas que não tinham esses quadros começaram a desenvolvê-los”.

Os idosos também têm sido afetados por doenças como ansiedade e depressão, de acordo com o superintendente médico da MedSênior, o geriatra Roni Mukamal. “Visto todo contexto que estamos vivendo, e com a situação novamente piorando, e a sensação de que não há esperança, isso cria um estado de ansiedade enorme”.

Nas clínicas particulares a procura também tem sido grande por esses profissionais. A psicóloga da MedConsulta Dilma Cursino conta que viu os atendimentos aumentarem muito, tanto em crianças, jovens e adultos, devido à ansiedade ocasionada por insegurança e medos.

Opiniões

"Fatores, como a instabilidade econômica do País, fazem com que mais pessoas procurem por serviços psicológicos”
Vinícius Grassi, psicólogo
"Fatores, como a instabilidade econômica do País, fazem com que mais pessoas procurem por serviços psicológicos” Vinícius Grassi, psicólogo |  Foto: Divulgação

"Fatores, como a instabilidade econômica do País, fazem com que mais pessoas procurem por serviços psicológicos” Vinícius Grassi, psicólogo

Quadros de ansiedade exacerbam doenças crônicas, como diabates e  hipertensão,  além do aumento de peso”
Roni Mukamal, geriatra
Quadros de ansiedade exacerbam doenças crônicas, como diabates e hipertensão, além do aumento de peso” Roni Mukamal, geriatra |  Foto: Dviulgação

"Quadros de ansiedade exacerbam doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, além do aumento de peso” Roni Mukamal, geriatra

Sintomas e riscos da doença

Atendimentos psicológicos e psiquiátricos

  • Dados da Análise Especial do Mapa Assistencial da Saúde Suplementar no Brasil, publicado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, mostram que as consultas com psicólogos passaram de 10.175.855, em 2014, pelos planos de saúde, para 20.982.540, em 2019 – um percentual de 106,02% a mais.
  • Já as consultas médicas em psiquiatria passaram de 3,6 milhões, em 2014, para 5,3 milhões, em 2019, um aumento de 47,3%.
  • Os dados de 2020 ainda não foram divulgados, mas, segundo especialistas, esse número deve ser maior.
  • No Estado, há plano de saúde que realiza, em média, por dia, 50 consultas somente com psiquiatra, cerca de 1.500 por mês.

Causas

  • Alguns fatores têm contribuído para o aumento da procura por ajuda profissional como: as consequências da pandemia, como o isolamento social, o medo da contaminação e o luto por perda de entes queridos, dentre outros; a instabilidade econômica e política do País e suas consequências como o desemprego e a violência.
  • A ampliação da oferta dos serviços de saúde mental pelas empresas de plano de saúde; e a desestigmatização dos serviços de saúde mental também contribuem para esse aumento.
  • Segundo os especialistas consultados pela reportagem, muitos pacientes chegam aos consultórios com sintomas de depressão, ansiedade, Síndrome de Burnout.

Depressão

  • Doença psiquiátrica crônica que provoca tristeza profunda e forte sentimento de desesperança. Pode acometer qualquer pessoa: homens, mulheres, jovens e idosos. A doença se manifesta de várias maneiras e pode causar diferentes sintomas.

Transtorno de ansiedade

  • Distúrbio psiquiátrico em que há excesso de apreensão e expectativa de alguém em relação a diversos acontecimentos. Pode ocorrer aceleração dos batimentos cardíacos, forte dor no peito, sudorese, falta de ar.

Síndrome de Burnout

  • Distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema, sempre relacionada ao trabalho de um indivíduo. Se manifesta quando a relação com o trabalho se transforma em estresse, ansiedade e nervosismo intensos.
Fonte: ANS e especialistas consultados.

Medo aumenta número de crianças em consultórios

Não são apenas os adultos e os mais idosos que estão recorrendo ao consultórios de psicologia e psiquiatria para tratamento. As crianças também têm precisado de ajuda especializada.

O medo de os pais morrerem, em decorrência da pandemia causada pela Covid-19, tem provocado verdadeiro pavor nos pequenos, segundo especialistas.

De acordo com a psicóloga da MedConsulta Dilma Cursino muitas crianças têm medo de pegarem a doença.

“Elas estão preocupadas em contraírem a doença e levarem para seus avós ou pais. Elas têm medo de os pais e morrerem, e agora falam de morte e insegurança”, destaca.

A demanda por consultas psicológicas para crianças aumentou ainda mais com a pandemia, segundo Dilma Cursino.

“Ansiedade e outros transtornos já existiam, mas a pandemia trouxe mais visibilidade. As crianças estavam acostumadas a irem para escola, brincar e se socializar, hoje ensinamos que não se podemos fazer isso. Estamos perdendo muitas dessas questões sociais”.

A psicóloga explicou que antes da pandemia já havia uma certa demanda de crianças atendidas, porém, as escolas solicitavam as recomendações de acompanhamento para os pais. Hoje, segundo a especialista, os pais mesmos têm percebido a necessidade de levar os filhos aos psicólogos.

“No meu caso, fazendo um levantamento, as escolas é que descobriam as dificuldades que as crianças vinham apresentando, chamavam os pais e sugeriam a consulta. Em decorrência da pandemia, os pais estão mais apreensíveis e as crianças mais inseguras”, pontuou.

Em alguns locais, já está sendo difícil encontrar agenda disponível de psicólogos infantis, conforme explicou o médico Ramon Minarini, coordenador da medicina preventiva da Samp.

“Isso é muito histórico. Toda vez que temos uma pandemia, como o Ebola, na África, chamamos de um estresse pós-traumático, quando a pessoa passa por um evento agudo, ela pode desenvolver ansiedade, depressão, agressividade, insônia e distúrbios alimentares”.

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