Chances de viver mais vão aumentar, dizem médicos
Avanço da ciência vai permitir que as pessoas cheguem aos 100 anos com mais qualidade de vida, de acordo com especialistas
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Quem nunca se questionou se poderia viver para sempre? Apesar de ainda não ser possível, os avanços da ciência permitem aumentar a chance de viver cada vez mais.
Com o desenvolvimento de tecnologias e novos tratamentos, as probabilidades de se chegar aos 100 anos com qualidade de vida são maiores, segundo médicos. Pesquisas mostram, inclusive, que viver até os 130 anos é possível, embora com menores chances.
Entre as propostas que permitem aumentar a longevidade, estão inovações no tratamento oncológico, como imunoterapia e tecnologias modernas de radioterapia, e técnicas da medicina de precisão.
No Cedoes – Pesquisa, em Vitória, são realizados estudos com imunoterapia para câncer de fígado e câncer de pele (melanoma).
Responsável pelo setor de Oncologia do Cedoes, o oncologista clínico Vitor Fiorin de Vasconcellos explicou que nenhum dos tipos de quimioterapia convencionais funcionam para esses tipos de câncer.
“Esses pacientes não tinham opção de tratamento eficaz. Com a imunoterapia, eles conseguiram ter uma taxa de qualidade de vida e até chance de cura, o que, até então, era inimaginável”.
Outra inovação é a tecnologia Cone Beam Computed Tomography, prevista para chegar ao Hospital Santa Rita, na capital, em março. O aparelho será acoplado a uma máquina de radioterapia do hospital e permitirá maior precisão no tratamento oncológico.
“Quando o tratamento é mais preciso, consegue-se diminuir a dose (de radiação) no tecido sadio ao redor dele, o que tende a minimizar complicações, controlar mais a doença e melhorar a longevidade”, pontuou o médico radioterapeuta do Hospital Santa Rita Carlos de Freitas Rebello.
Outro avanço está na medicina de precisão, que busca oferecer um tratamento mais especializado e individual.
“Trabalhamos em cima de avaliações metabólicas, hormonais e até sanguíneas, onde conseguimos resultados exatos, capazes de traçar os objetivos e definir o tratamento adequado para cada paciente”, explicou o médico do esporte Guilherme Corradi.
AS PRINCIPAIS NOVIDADES
Tratamentos
1 - Imunoterapia
- Uma das perspectivas para a melhoria no tratamento oncológico é a imunoterapia. Utilizando medicamento que estimula o sistema imunológico, inibido pelo câncer, a técnica pode ser indicada para tratar tumores até então incuráveis, como o de fígado e o de pele, do tipo melanoma, e proporciona chances de cura.
- O Cedoes – Pesquisa realiza pesquisas para os dois tipos de câncer (fígado e melanoma). O tratamento adequado para cada caso deve ser avaliado pelo médico.
2 - Terapia-alvo
- Tratamento oncológico que identifica a célula do câncer e produz um medicamento específico para ela, a fim de ser mais preciso. Na quimioterapia convencional, a medicação atua contra todas as células do corpo que forem atingidas. A ideia com a terapia-alvo é encontrar o principal responsável por fazer o tumor crescer (o alvo) e inibi-lo. Com isso, o tratamento pode ser mais eficaz, ter menos efeitos colaterais e dar maior sobrevida ao paciente.
- O Cedoes também pesquisa alguns casos de câncer de bexiga e tumor do sistema nervoso central. O tratamento adequado para cada caso deve ser avaliado pelo médico.
3 - Radiografia modernizada
- Outra inovação que pode trazer sobrevida ao paciente oncológico é a modernização dos aparelhos de radioterapia. Novas tecnologias estão previstas para chegar ao Estado em março, no Hospital Santa Rita. Com elas, tratamentos que duram entre 25 e 35 sessões poderão levar apenas cinco sessões, conforme o caso.
- Uma delas é o Cone Beam Computed Tomography, que permitirá visualizar mais detalhadamente os órgãos, além de reduzir o campo de radiação, minimizando a toxidade.
- Há ainda o Active Breath Coordinator, que permitirá controlar o ciclo respiratório do paciente, distanciando órgãos importantes, como o coração, da região do tratamento (como em tumores da mama esquerda).
- Todas as técnicas juntas permitirão um tratamento com mais precisão e que garanta uma maior longevidade ao paciente.
4 - Quimioterapia oral para câncer de próstata
- Uma nova molécula para o tratamento de câncer de próstata, a darolutamida, chegou ao Brasil em 2020. Como quimioterapia oral, ela apresenta poucos níveis de toxicidade e de efeitos colaterais.
- A darolutamida, medicação da empresa Bayer, pode também aumentar o tempo de sobrevida do paciente. Um estudo realizado pela empresa mostrou que pessoas em tratamento com a molécula demoraram cerca de 40 meses (três anos e 4 meses) para desenvolverem metástases, enquanto o grupo que recebeu placebo desenvolveu algum tipo de metástase em uma média de 18 meses (1 ano e 6 meses).
5 - Medicação para atrofia muscular espinhal (AME)
- Com a medicação nusinersena, disponibilizada recentemente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é possível reduzir as complicações e aumentar a longevidade de crianças que nascem com atrofia muscular espinhal (AME), uma doença genética rara que destrói os neurônios motores.
- Quando a enfermidade é descoberta cedo, antes do primeiro ano de vida, e é tratada com essa medicação, a criança pode conseguir andar e falar, o que geralmente não era possível antes do remédio.
- A perspectiva é que, dentro de 10 anos, as crianças com AME tenham melhor qualidade de vida e longevidade, segundo a médica pediatra e diretora técnica do Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória, Isabel Cristina Machado Carvalho.
6 - Medicamento para controle de obesidade e diabetes
- Está em andamento no mundo e no Estado um estudo sobre um novo medicamento para controle da obesidade e do diabetes. Com ele, os pacientes conseguem controlar melhor a glicose e perder peso de forma expressiva. “Quando trazemos o paciente para dentro da normalidade glicêmica, evitamos muitas complicações. Não só aumenta a longevidade, como também melhora a qualidade de vida”, explicou a endocrinologista Queulla Garret, do Cedoes.
7 - Cirurgias minimamente invasivas
- As cirurgias minimamente invasivas, que podem ser laparoscópicas ou robóticas, são uma perspectiva da medicina para aumentar a longevidade e qualidade de vida. A incorporação de algumas ao SUS tem proporcionado maior acessibilidade.
- Um dos procedimentos incorporados é o Tavi (da sigla em inglês para implante transcateter de válvula aórtica). A técnica cardíaca evita a abertura da caixa torácica do paciente e ajuda a tratar casos de estenose aórtica. É realizado implante de uma válvula, por meio da introdução de um cateter na região da virilha, que segue até o coração, restabelecendo a passagem do fluxo sanguíneo.
Diagnóstico precoce
8 - Biópsia Líquida
- Uma expectativa para a universalização do rastreamento do câncer é a biópsia líquida, que permitirá fazer o diagnóstico do tumor por um simples exame de sangue. A proposta é que o exame consiga rastrear células tumorais ou o DNA dessas células circulando no sangue. O estudo dessa técnica está em andamento.
9 - “Bafômetro” para detectar câncer de estômago
- O equipamento está em estudo por médicos de São Paulo para o diagnóstico de tumores malignos no estômago e, até mesmo, lesões iniciais. O aparelho é semelhante a um bafômetro, em que o paciente enche o pulmão e dá um sopro. A detecção ocorre pela respiração.
- A tecnologia analisa uma espécie de rastro químico deixado pelas células no estômago, que liberam moléculas que soltam líquidos e gases. Comparadas com as células saudáveis, as cancerosas expelem compostos diferentes, que podem ser identificados pelo aparelho.
- O equipamento foi desenvolvido em Israel. No Brasil, a pesquisa ocorre no Hospital AC Camargo.
Prevenção
10 - Medicação para reduzir o colesterol LDL
- Com o objetivo de prevenir problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), está sendo desenvolvido um estudo com a aplicação de um medicamento que é capaz de reduzir o colesterol LDL (conhecido como colesterol ruim) e outros lipídios.
- A pesquisa está sendo realizada no Cedoes – Pesquisa e vai selecionar pacientes que já tiveram infarto ou AVC e outros que não tiveram, mas que possuem alto risco de ter.
11 - Medicação para reduzir a lipoproteína (a)
- Bastante semelhante ao colesterol LDL, a lipoproteína (a) em excesso também gera riscos de ocorrência de infarto e de AVC. Por isso, também há estudos em andamento para a redução dessa substância, evitando eventos cardiovasculares. A segurança e a eficácia do medicamento já foram comprovadas. Agora, a pesquisa irá avaliar se a redução da lipoproteína diminui a ocorrência de um novo infarto ou AVC.
12 - Medicina de precisão
- Também chamada de medicina de alta definição, é uma nova vertente que defende um diagnóstico com maior precisão, especializado e individual. Nas consultas, é realizada a avaliação genética do paciente, com o objetivo de antecipar a predisposição para algumas doenças, principalmente as evitáveis, como as cardiovasculares. Trabalha também em cima de avaliações metabólicas, hormonais e até sanguíneas, a fim de definir o tratamento adequado para cada pessoa.
13 - Inteligência artificial Laura
- Por meio de inteligência artificial e tecnologia cognitiva, a ferramenta Laura realiza a priorização de atendimento em instituições de saúde e o gerenciamento de dados da rotina hospitalar, emitindo alertas para a equipe assistencial. Dessa forma, consegue ajudar a reduzir a mortalidade hospitalar, se tornando, assim, uma expectativa para aumentar a longevidade de pacientes.
Fonte: Cedoes – Pesquisa e Diagnóstico; Hospital Santa Rita; Farmacêutica Bayer; Secretaria de Estado da Saúde (Sesa); cirurgião oncológico Heber Salvador; médico do esporte Guilherme Corradi; Laura Assistant; e Medtronic.
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