Casal revive romance em ônibus da antiga viação em Vila Velha
Fernanda e Jayme se conheceram na linha 016 da antiga Viação Sanremo, que encerrou suas atividades em Vila Velha em outubro
Um ônibus que marcou o início de uma história de amor há 10 anos voltou a ser cenário romântico em Vila Velha.
Fernanda Passos de Jesus Stein, de 36 anos, e Jayme Stein, de 43, que se conheceram na linha 016 da antiga Viação Sanremo, fizeram uma sessão de fotos nos veículos da empresa, após o fim das operações, em outubro. Casados desde 2017, eles se despediram do lugar onde tudo começou.
Em 2016, Jayme dirigia a linha Primeiro de Maio/Praia de Itapuã, usada por Fernanda todas as manhãs. Uma amiga em comum, Fabiana, contou a ela que o motorista queria convidá-la para tomar sorvete. A notícia não a animou. “Fiquei até resistente no início em que fiquei sabendo do interesse, parei de pegar ônibus com ele”, relata.
Fernanda conta que logo voltou a usar a linha porque Jayme era pontual. O convite veio entre outubro e novembro de 2016, mas ela só aceitou meses depois. Os dois saíram pela primeira vez em 13 de março de 2017, para a Praia de Camburi, em Vitória. “Conversamos sobre muitas coisas, mas logo ele falou que gostaria de encontrar alguém especial para formar uma família”, recorda. Ela viu nele alguém muito sério.
O namoro também conquistou as passageiras habituais. Fernanda lembra que elas brincavam com Jayme quando ela desembarcava e chegaram a organizar um chá de panela dentro do ônibus. O casal se casou em 16 de dezembro de 2017.
Houve momentos difíceis. Fernanda afirma que Jayme a apoiou durante um problema de saúde. Na pandemia, os dois e o filho contraíram covid-19, e o motorista precisou ser internado. “Foi muito difícil. Achei que nossa história poderia acabar ali”, lembra.
Hoje, os dois vivem no bairro Ilha das Flores, em Vila Velha, com o filho Ravy, de 6 anos. Fernanda trabalha com eventos infantis, e Jayme continua motorista.
Segundo ela, o menino adora a história dos pais e já andou no ônibus conduzido pelo pai.
Ao saber do fim das operações da Sanremo, Fernanda quis guardar em fotografias a lembrança das viagens que deram início à família. “Voltar à Sanremo é fazer uma retrospectiva de muitas coisas que passamos, muitas batalhas e muitas vitórias”, conta. E resume o que aquele percurso significou: “Um trajeto comum para muitos, para mim foi um divisor de águas”.
“O que preservo da nossa história é o respeito”
A Tribuna:O que você pensava de Jayme quando ele era motorista do ônibus que você pegava?
Fernanda Passos de Jesus Stein No início, eu não olhava para ele com outras intenções. Era somente o motorista do 016. Fiquei surpresa quando soube do interesse dele por mim. Até parei de pegar o ônibus com ele, mas, como era pontual, voltei.
Como foi o primeiro encontro de vocês?
Saímos pela primeira vez em 13 de março de 2017. Fomos à Praia de Camburi. Conversamos sobre muitas coisas, mas logo ele falou que gostaria de encontrar alguém especial para formar uma família.
Qual é a lembrança mais curiosa do início do namoro?
As passageiras eram sempre as mesmas e já tinham amizade com ele. Quando souberam do nosso relacionamento, ficaram muito felizes. Quando eu descia no meu ponto, elas gritavam: “Oi, Júnior, o que é que você fez com a Fernanda?”. Elas até organizaram nosso chá de panela dentro do ônibus. Ganhamos muitas coisas.
Qual foi o momento mais difícil que vocês enfrentaram juntos?
Quando conheci Jayme, estava passando por um momento delicado de saúde e ele me deu muito apoio. Na época da covid, nós três pegamos a doença, mas Jayme ficou internado. Foi muito difícil.
O que sentiu ao voltar aos ônibus da Sanremo para a sessão de fotos?
Voltar à Sanremo é fazer uma retrospectiva de muitas coisas que passamos, muitas batalhas, mas também muitas vitórias. Sempre passamos por tudo um ao lado do outro. Agora temos o Ravy.
O que diria a Fernanda de 2016, que ainda não imaginava tudo o que viveria?
Diria que ela pode ir. Deus vai surpreendê-la. O que preservo da nossa história é o respeito de um pelo outro.
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