Alerta para risco maior nas ciclovias com uso de álcool durante o verão
Especialistas afirmam que a substância compromete reflexos, equilíbrio e capacidade de discernimento dos condutores das bikes
Com a chegada do verão, o aumento da circulação de bicicletas elétricas nas praias e orlas acende um alerta para os riscos da mistura de álcool e direção.
A facilidade de deslocamento e a sensação de que esses equipamentos são menos perigosos que carros e motocicletas podem levar usuários a subestimar os efeitos da bebida, que compromete os reflexos, o equilíbrio e a capacidade de tomar decisões no trânsito.
Conforme explica o psiquiatra Rômulo José Méia Azevedo, o álcool é uma substância psicoativa que é depressora do cérebro, ou seja, que lentifica suas funções.
“Portanto, reflexos, equilíbrio, atenção e percepção de perigo são frontalmente prejudicados durante o efeito do álcool. Da mesma forma que na condução de veículos automotores, a bebida afeta nossa capacidade de discernimento de situações perigosas”, adverte.
O especialista em Trânsito Josimar Amaral explica que o risco pode ser ainda maior quando há alteração na potência das bicicletas, permitindo velocidades superiores às previstas na regulamentação.
“De acordo com a quantidade de álcool e a capacidade de cada pessoa, existe perda de concentração e diminuição dos reflexos. Isso pode causar consequências severas tanto para quem conduz a bicicleta quanto para outras pessoas, em situações de colisão ou atropelamento”, frisa.
Estudos apontam, de acordo com o capitão Anthony Moraes Costa, consultor em Segurança Viária, que os primeiros sintomas de embriaguez envolvem a impetuosidade, também conhecida como “síndrome do super-homem”, em que a pessoa faz coisas que normalmente não faria, entre elas assumir atitudes de risco.
“As demais fases envolvem agressividade e alteração da capacidade psicomotora. No trânsito, essa é uma receita que não termina bem, independentemente do veículo que se esteja conduzindo”.
Jederson Lobato, gerente de fiscalização de trânsito do Detran-ES, explica que as infrações de trânsito previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), inclusive a questão dos exames e testes, são aplicáveis aos condutores para os quais se exige habilitação.
“Como não é exigida habilitação legal para a condução de uma bicicleta elétrica, também não podemos aplicar a obrigatoriedade de um teste de bafômetro a esse condutor. O teste está vinculado à habilitação”.
Especialistas defendem uso do bafômetro para ciclistas
Apesar de não ser obrigatório para quem conduz bicicletas elétricas, que dispensam habilitação, o teste do bafômetro deveria fazer parte da fiscalização desses veículos, na avaliação de especialistas em trânsito.
Para eles, a medida ajudaria a coibir a condução após o consumo de álcool e a reduzir a sensação de que esses usuários não estão sujeitos às regras de fiscalização.
O especialista em trânsito Josimar Amaral destaca que o uso do etilômetro, o bafômetro, para fiscalização de condutores de bikes elétricas esbarra no fato de não haver registro desses equipamentos para que eles fossem emplacados, como ocorre com carros e motocicletas.
Na avaliação de Josimar, no momento da venda de uma bicicleta elétrica, o município teria de efetuar o devido registro, sendo assim estabelecida uma placa ou QR Code, para identificação.
“Como isso, aparentemente, não é tão fácil, e até hoje ninguém conseguiu evoluir, a fiscalização por meio de etilômetro pode ser apenas uma questão educativa, preventiva, no apontamento dos riscos que utilizar uma bicicleta elétrica após consumir bebida alcoólica pode trazer para o próprio condutor e os demais usuários da via”.
O capitão Anthony Moraes Costa, consultor em Segurança Viária, também considera que a identificação dos veículos é um ponto importante.
Sem registro e emplacamento nos moldes dos veículos motorizados, a aplicação de sanções encontra dificuldades, já que nem sempre é possível associar a bicicleta a um responsável.
Para o gerente de Fiscalização de Trânsito do Detran-ES, Jederson Lobato, a inclusão dos condutores de bicicletas elétricas na obrigatoriedade do bafômetro dependeria de uma mudança legislativa.
“A bicicleta elétrica e os equipamentos autopropelidos, como os patinetes, são positivos e vieram para facilitar a micromobilidade e os deslocamentos urbanos de pequenas distâncias. Mas o uso desse espaço público compartilhado precisa ser feito de maneira segura. Precisamos avançar na legislação, na regulamentação e na infraestrutura das cidades para conseguir organizar e separar os diferentes fluxos de circulação”.
Efeitos do álcool no organismo
O álcool é uma substância psicoativa depressora do cérebro que compromete reflexos, equilíbrio, atenção e a percepção de perigo.
O consumo pode provocar perda de concentração e decisões arriscadas. Os efeitos variam conforme sexo biológico, peso, metabolismo e volume ingerido.
Riscos na via
Bikes elétricas exigem equilíbrio e atenção; associar seu uso à ingestão de álcool pode causar acidentes. Veículos adulterados para maior potência podem atingir velocidades superiores às regulamentadas. Colisão ou atropelamento oferece consequências graves para o condutor e terceiros.
O que eles dizem
Registros
“O Cetran/ES reforçou e deu respaldo às ações de fiscalização, alinhado às previsões da Resolução 996 do Contran. Ainda há dificuldades na efetivação das punições, já que persiste o entrave para identificar o veículo e associá-lo ao proprietário. Essa é uma adequação importante que precisa ser feita na promoção da segurança viária, que inclui a educação para o trânsito e a melhoria da malha cicloviária", destacou o Capitão Anthony Moraes Costa, consultor em Segurança Viária.
Comportamento
“Ainda não observamos uma conscientização plena dos usuários. É importante ponderar que nem todos adotam comportamentos inadequados. As bicicletas elétricas são importantes para diversas situações, como o lazer e o transporte, e já representam a principal forma de mobilidade em alguns segmentos. Mas há quem as utilize de maneira desatenta. Também vemos adolescentes e jovens conduzindo como se fossem convencionais, sem observar as normas de circulação e conduta", afirma Josimar Amaral, especialista em Trânsito.
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