Login

Esqueci minha senha

Não tem conta? Acesse e saiba como!

Atualize seus dados

Artistas e arquitetos contra mudança no Cais das Artes

Eles são contra o projeto do governo do Estado de ocupar o espaço com empresas de tecnologias

Camila Lima, do jornal A Tribuna | 26/01/2022 18:32 h

Arquitetos cobram o retorno das obras no Cais das Artes, paradas desde 2015, e não querem que o espaço seja destinado a empresas de tecnologia
Arquitetos cobram o retorno das obras no Cais das Artes, paradas desde 2015, e não querem que o espaço seja destinado a empresas de tecnologia |  Foto: Antonio Moreira/AT
 

Um projeto que começou a ser construído em 2010, mas até hoje não foi finalizado. Essa tem sido a realidade do Cais das Artes, na Enseada do Suá, em Vitória. 

Artistas e arquitetos cobram que as obras, paralisadas em 2015, sejam retomadas e voltem ao projeto original: de abrigar e fomentar a arte e a cultura no Espírito Santo. 

Eles são contra ocupar o espaço com empresas de tecnologias, ação proposta pelo governo do Estado no ano passado.

Cantor lírico e ex-professor da Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames), Augusto Caruso conta que chegou ao Estado em 2013 na esperança de participar da inauguração do Cais das Artes. Ele afirma ser favorável que o espaço seja voltado 100% para as artes.

“Eu e minha mulher viemos da Áustria para o Espírito Santo e vimos que aqui tínhamos a possibilidade de agregar, e agregamos, mas o Cais das Artes seria uma possibilidade de desenvolver vários segmentos da arte em um espaço cultural”.

O arquiteto e conselheiro do Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento  Espírito Santo (IAB-ES), Eduardo Pasquinelli, junto a outros membros do IAB-ES, estiveram no local. 

Segundo Eduardo, o espaço não foi concebido para abrigar empresas de tecnologia (startups). “O local é um museu. É uma área de uso público”, afirmou.

O conselheiro pontuou ainda que será apresentado um documento, em forma de manifesto, ao Estado com algumas reivindicações sobre o Cais das Artes.

De acordo com Eduardo, no manifesto estarão elencados três pilares: conclusão da obra, concepção original e que seja de uso público.

“Vamos fazer um manifesto formalizado e em uma semana isso estará escrito. Apresentaremos nosso posicionamento quanto instituição e classe”, afirmou.

Ele ressalta ainda que o Cais vai movimentar a economia estadual.

Para o arquiteto Otavio de Castro, conselheiro do IAB-ES, o Estado não deve cuidar sozinho da gestão do espaço.

“Existem empresas privadas que fazem a gestão desses espaços, não só administrando a conta, mas, também, auxiliando na produção de projetos; fazendo a conexão com o Estado e o turismo para desenvolver projetos socioculturais e educacionais para que todo o entorno do espaço seja valorizado”.

Projeto prevê áreas integradas

Um novo projeto foi apresentado ao Ministério Público do Estado para a retomada das obras no Cais das Artes. A informação foi passada pela Secretaria de Cultura (Secult) à reportagem.

A ideia, segundo a Secult, sempre foi integrar a cultura com outras áreas, como educação, inovação, gastronomia, turismo e economia criativa, por exemplo. 

“Mantendo as diretrizes iniciais do projeto como um espaço cultural, que já previa espaços e ativações além do Museu e do Teatro, como restaurantes e café. O intuito é que Cais das Artes receba exposições, encontros e espetáculos de todos os portes, priorizando a produção artística e a diversidade cultural capixaba”, completou a nota.

A Secult informou ainda que está acompanhando as discussões acerca do Cais das Artes e tem bom diálogo com o Instituto de Arquitetos do Brasil no Espírito Santo, que tem cadeira no Conselho Estadual de Cultura. 

“Instituições que representam arquitetos no Estado puderam visitar as obras do Cais, e a Secult pretende reunir-se com representantes da classe sobre o tema”.

Sobre as reivindicações quanto ao uso do espaço por empresas de tecnologia, a Secult disse que “as alternativas serão debatidas com a sociedade em tempo oportuno”. 

Procurado para informar as possíveis datas para a retomada e conclusão da obra, se haveria modificações no projeto original e o valor final do projeto, o DER-ES não respondeu até o fechamento desta edição.


SAIBA MAIS


Entenda

  • O Cais das Artes começou a ser construído em 2010, ainda no primeiro mandato do então governador Paulo Hartung.
  • A previsão era de que a obra fosse finalizada em 2012, mas a primeira empresa que assumiu o empreendimento faliu antes da conclusão. As obras retornaram em 2013, mas foram paralisadas novamente em 2015, ficando impedida de acontecer pela Justiça.
  • A previsão era de que a construção na Enseada do Suá, em Vitória, voltasse a acontecer em abril de 2020. A obra teria duração de um ano e meio, e seria inaugurada em outubro do ano passado.
  • Até 2020, a obra inacabada já havia custado R$ 132 milhões aos cofres públicos. Para finalizá-la, na ocasião o Departamento de Edificações e de Rodovias (DER-ES) havia afirmado que seriam investidos mais R$ 75 milhões.

Projeto

  • O projeto do Cais das Artes foi assinado pelo arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha, que faleceu dia 23 de maio do ano passado, aos 92 anos, em São Paulo, devido a um câncer de pulmão.
  • O espaço foi desenvolvido para para receber shows, peças teatrais e exposições artísticas. No projeto original, o Cais das Artes conta com museu, restaurante e auditório para receber eventos culturais.

Novo projeto

  • A Secretaria de Cultura (Secult) informou que, na última semana, o Departamento de Edificações e de Rodovias  (DER-ES) apresentou ao Ministério Público um novo projeto de retomada da obra. A ideia, segundo a Secult, sempre foi integrar a cultura com outras áreas, como educação, inovação, gastronomia, turismo e economia criativa, por exemplo. 

Fonte: Pesquisa AT.

Ficamos felizes em tê-lo como nosso leitor! Assine para continuar aproveitando nossos conteúdos exclusivos: Assinar Já é assinante? Acesse para fazer login

Quer receber as últimas notícias do Tribuna online? Entre agora em um de nossos grupos de Whatsapp

MATÉRIAS RELACIONADAS