“Não podemos aceitar 12 mortes por acidentes com bikes elétricas”, diz especialista
Especialistas alertam que a prevenção de novas tragédias no Estado depende de fiscalização, sinalização e regras claras
A morte de 12 pessoas em acidentes envolvendo bicicletas elétricas no Estado levanta um alerta que vai além da imprudência dos condutores. Especialistas defendem que a prevenção de novas tragédias também depende de fiscalização, sinalização e regras claras.
A discussão ganhou força após a morte de Zeli Gonçalves da Silva, de 73 anos, atropelada na orla de Vila Velha no último domingo. A idosa estava internada, mas não resistiu e morreu na última quarta-feira.
A advogada especialista em Trânsito Adriana Duarte defende que não se pode normalizar essas perdas no trânsito. “É um cenário alarmante, que não podemos aceitar. A prevenção envolve não só a conscientização dos condutores, mas também os deveres dos órgãos responsáveis pela segurança das vias”.
Ela frisou que os sinistros com esses veículos no Espírito Santo exigem uma reflexão que ultrapassa a conduta individual dos envolvidos e alcança a estrutura jurídica e administrativa da segurança viária. “A mobilidade elétrica evoluiu. Mas os instrumentos de fiscalização, identificação e responsabilização acompanharam a transformação?”.
O mestre em Direito Processual, advogado e professor Mateus Garcia Bridi destacou que, apesar de existir legislação que trata dos equipamentos, existem lacunas a serem supridas. “A principal delas diz respeito à fiscalização e regras claras de utilização”.
Outro ponto importante, segundo ele, é a utilização desses veículos por crianças e adolescentes. “Não há idade mínima para condução de bikes elétricas, já que são equiparadas à bicicleta comum”.
O chefe da Comunicação Social do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), tenente Lucas Lourenço, classificou o cenário como “preocupante”, diante do número crescente em circulação. “Por não ser necessária a habilitação, observamos menores de idade e pessoas sem a devida formação conduzindo, o que potencializa os riscos de sinistros sérios”.
Segundo ele, o excesso de velocidade e a imprudência são as condutas de maior risco observadas. “É normal vermos condutores a 30 km/h em uma ciclovia ou calçada que não comporta essa velocidade”.
Idosa estava no Estado a passeio
Zeli Gonçalves da Silva, de 73 anos, que morreu após ser atropelada por uma bicicleta elétrica na orla de Vila Velha, estava no Espírito Santo a passeio. Ela caminhava acompanhada de uma das filhas no momento do acidente, ocorrido no domingo.
Segundo informações divulgadas em redes sociais, Zeli era de Santo Antônio de Pádua, no Rio de Janeiro. Ela chegou a ser socorrida e permaneceu internada por três dias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na última quarta-feira.
Uma familiar da vítima demonstrou indignação com a forma como as circunstâncias do acidente vêm sendo relatadas e contestou qualquer tentativa de responsabilizar a idosa pelo atropelamento.
A parente afirmou ainda que a bicicleta elétrica estaria em alta velocidade e transportava outra pessoa e um cachorro no momento da colisão.
Ela também relatou que, durante a internação de Zeli, havia outro idoso em estado grave no hospital, também vítima de um acidente semelhante.
O caso provocou comoção nas redes sociais. Nas manifestações, familiares, amigos e conhecidos lamentaram a perda e prestaram solidariedade à família.
Condutora será ouvida pela polícia
A Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (DDT) – responsável pela investigação do caso da idosa atropelada em Itapuã, Vila Velha – vai intimar a condutora da bicicleta elétrica nos próximos dias para prestar depoimento.
No dia do atropelamento, no último domingo, a condutora permaneceu no local até o atendimento da vítima e foi devidamente identificada pela Guarda Municipal de Vila Velha.
O inquérito já foi instaurado e, segundo a Polícia Civil, “para que a apuração seja preservada, nenhuma outra informação será repassada no momento”.
Um dia após o acidente, na segunda-feira, a Guarda Municipal de Vila Velha informou que a senhora estava na calçada da orla e se encaminhava para atravessar a avenida Estudante José Júlio de Souza.
A corporação detalhou que ela parou no meio da ciclovia para aguardar a passagem dos veículos.
Ao ver que uma bike elétrica trafegava em sua direção, na ciclovia, ela decidiu dar um passo para trás, sem perceber que outra vinha no sentido contrário.
Ela acabou atingida. O Samu foi acionado para o socorro e a encaminhou ao hospital.
Radares estão sendo usados de forma educativa
Radares móveis estão sendo utilizados para monitorar a velocidade de bicicletas elétricas e orientar condutores sobre os riscos associados aos abusos de velocidade nas vias e ciclovias. Por enquanto, os equipamentos têm caráter exclusivamente educativo, sem aplicação de multas.
A Guarda Civil Municipal de Vitória informou que realiza ações educativas com uso pedagógico de radar móvel voltadas a pessoas que utilizam bicicletas elétricas e outros meios de transporte alternativos autopropelidos.
A iniciativa tem como objetivo orientar os condutores sobre o uso seguro dos equipamentos, as regras de circulação e os limites de velocidade.
As ações educativas com usuários desses modais são realizadas pela Guarda de Vitória desde 2024. Desde setembro, porém, a atividade passou a contar também com o uso de um radar móvel cedido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Neste momento, o equipamento não é utilizado para a imposição de infrações pecuniárias.
“O radar funciona como uma ferramenta de triagem e orientação, permitindo aos guardas municipais identificar a velocidade instantânea desenvolvida pelo veículo, realizar a abordagem e orientar o condutor quando necessário”, pontuou a inspetora Schumack, da Guarda de Vitória.
Somente em 2026, já foram realizadas 140 ações educativas com usuários de bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos, incluindo abordagens em vias públicas, atividades de conscientização em parques e palestras programadas nas unidades de ensino.
A Guarda Municipal de Vila Velha, por meio da Subinspetoria de Educação para o Trânsito, também destacou que tem realizado o trabalho preventivo com ações educativas direcionadas a usuários de patinetes, bicicletas elétricas e ciclomotores que circulam pelas vias do município.
Outra iniciativa foi a implementação do Curso de Mobilidade Segura, voltado aos condutores que trafegam habitualmente com esses novos veículos pela cidade.
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