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Hérnia umbilical também atinge adultos, diz médico

| 05/10/2020, 09:49 09:49 h | Atualizado em 05/10/2020, 10:23

Gustavo Peixoto Soares Miguel é cirurgião geral e do aparelho digestivo.
Gustavo Peixoto Soares Miguel é cirurgião geral e do aparelho digestivo. |  Foto: Divulgação
A hérnia umbilical acontece com maior recorrência em crianças devido ao mau fechamento do umbigo ainda dentro da barriga da mãe. Entretanto, o problema também atinge frequentemente os adultos, mesmo os que não sofreram com a condição na infância.

Segundo a Sociedade Brasileira de Hérnia, de 20% a 25% dos adultos são atingidos pelas hérnias da parede abdominal. As umbilicais estão entre as mais comuns. Na população brasileira geral, a ocorrência é de cerca de 150 mil casos por ano.

O AT em Família entrevistou o cirurgião geral e do aparelho digestivo Gustavo Peixoto Soares Miguel para entender mais sobre essa condição que nem sempre é grave, mas em alguns casos oferece risco à vida do paciente.

O especialista também é professor do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

AT em Família – São comuns os casos de hérnia umbilical?

Gustavo Peixoto Soares Miguel – No Brasil, a ocorrência média é de cerca de 150 mil casos a cada ano. Os casos são frequentes tanto na infância quanto na vida adulta.

As causas são as mesmas em adultos e crianças?

Não. Em crianças, a principal razão é o não desaparecimento adequado do orifício umbilical, que usualmente se torna progressivamente mais estreito a partir do terceiro mês de vida intrauterina.
Os casos são mais comuns em prematuros, mas nas crianças pode ocorrer o fechamento espontâneo com o passar dos meses.

Imagem ilustrativa da imagem Hérnia umbilical também atinge adultos, diz médico
E nos adultos?

Os casos atingem principalmente mulheres, surgindo durante e após a gestação por ocorrência do aumento da pressão intra-abdominal.

Há outros grupos que estão mais propensos a ter hérnia umbilical já na fase adulta?

Segundo a Sociedade Brasileira de Hérnia, são fatores predisponentes a obesidade, a gestação, a tosse crônica, o tabagismo, o esforço abdominal repetido, o prostatismo (problemas na próstata) e a constipação intestinal.

Quais são os sintomas?

Os sinais são semelhantes em crianças e adultos. Basicamente, há a presença de tumoração na região umbilical, usualmente redutível e indolor.

Dor local ou irredutibilidade indicam complicação com a necessidade de avaliação imediata e possível cirurgia de urgência.

Como é feito o diagnóstico?

Basicamente pela história e exame físico. Geralmente o diagnóstico é óbvio.

A hérnia representa um risco grave?

Na ocorrência de encarceramento (hérnia que não reduz) ou de estrangulamento (necrose do conteúdo herniado), a hérnia umbilical pode representar risco à vida do paciente.

Como é o tratamento?

Em crianças pequenas, a possibilidade de encarceramento é baixa, podendo-se aguardar completar 12 meses pela possibilidade de fechamento espontâneo de pequenos defeitos.

Já em adultos, o tratamento é sempre operatório. Hérnia umbilical diagnosticada é hérnia operada, desde que o paciente apresente condições clínicas favoráveis para o procedimento.

Nas hérnias redutíveis, o caráter é eletivo (planejada com antecedência), já nas encarceradas ou estranguladas, o caráter é de emergência.

Sempre é necessário o uso de tela para reforçar a região afetada?

Pequenas hérnias umbilicais preferencialmente são submetidas ao tratamento cirúrgico sem a necessidade de tela.

As hérnias umbilicais grandes, com anel maior que dois centímetros, têm indicação do uso da prótese, sobretudo quando os fatores predisponentes seguem presentes ou no tratamento das recidivas.

É possível prevenir o aparecimento da hérnia?

Não é possível prevenir a doença em crianças. Em adultos sim, evitando-se os fatores de risco já mencionados.

Tratamento cirúrgico

Em crianças, é possível esperar até que ela complete 12 meses para ver se o umbigo fecha naturalmente.

Em adultos, é necessário fazer cirurgia, mas nem sempre é preciso usar tela de proteção.

A colocação é indicada quando a hérnia é grande, em casos de recidiva ou quando o paciente mantém os fatores de risco para desenvolver novamente o problema.

Perguntas dos leitores

Quem já teve hérnia quando criança tem o risco de ter novamente quando adulto?

Samuel Dal'Col, 50 anos, empresário

Sim. Pode acontecer principalmente em pessoas do sexo feminino durante a gestação. Sobretudo em pacientes que apresentaram hérnias que fecharam espontaneamente na infância, o que geralmente ocorre até os 12 meses de idade.

Há risco de recidiva da hérnia umbilical mesmo após passar por cirurgia?

Emília Soares, 35 anos, costureira

Em crianças, os casos de recidiva são bastante raros. Já em adultos é mais comum a hérnia retornar, principalmente nos pacientes que mantêm o fator de risco que causou a doença, por exemplo, a obesidade, o esforço abdominal repetido, o tabagismo, entre outros.

Fique por dentro

  • A hérnia umbilical é uma protuberância de conteúdo da cavidade abdominal através de defeito do anel umbilical.
  • É mais comum em crianças, mas também acontece em adultos. Nos pequenos, ocorre pelo mau fechamento do orifício umbilical, que acontece progressivamente a partir do terceiro mês de vida intrauterina.
  • Em adultos, está associado a fatores de risco, como gestação, obesidade, tosse crônica, tabagismo, esforço abdominal repetido, prostatismo (problema na próstata) e constipação intestinal.
  • Os sinais da hérnia umbilical são semelhantes nas diferentes faixas etárias, como tumor no umbigo. Dor local ou irredutibilidade são alertas para buscar atendimento médico imediato.
  • Obliteração - Desaparecimento gradativo, que some pouco a pouco.
  • Recidiva - Reaparecimento de uma doença ou de um sintoma após sua cura.

Os números

  • 150 mil Casos de hérnia umbilical acontecem por ano no País
  • 25% ou mais dos adultos no Brasil têm hérnia abdominal
  • 12 meses é o tempo de espera para correção natural em bebês

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