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Colunista

Febre alta a cada 48 horas pode ser sinal de malária

| 21/10/2020, 18:35 18:35 h | Atualizado em 21/10/2020, 18:35

Crispim Cerutti junior diz que gestantes, crianças e idosos podem ter evolução mais complicada da doença
Crispim Cerutti junior diz que gestantes, crianças e idosos podem ter evolução mais complicada da doença |  Foto: Arquivo AT - 18/07/2012

A malária é uma doença comum em algumas áreas do mundo, sendo, aqui no Brasil, mais frequente na região Amazônica. Porém, pode ocorrer também em outras áreas do País. A atriz Camila Pitanga, por exemplo, contraiu a doença no litoral de São Paulo.

Ela foi diagnosticada com malária em agosto, enquanto estava em isolamento social em uma zona de Mata Atlântica. Os principais sintomas da doença são febre alta a cada 48h ou 72h, calafrios, sudorese e dor de cabeça.

O AT em Família entrevistou o médico infectologista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Crispim Cerutti Junior para entender mais sobre a doença que, nos casos mais casos graves, pode levar à morte.

AT em Família – Qual a causa da malária?

Crispim Cerutti Junior A malária é uma doença infecciosa, parasitária, não contagiosa, adquirida mediante a picada de um mosquito diferente do pernilongo comum, popularmente chamado de mosquito prego pelo fato de sugar o sangue na perpendicular sobre a pele de sua vítima.

No Brasil, 99,7% dos casos de malária se concentram na região Amazônica. Destes casos, cerca de 80% são do tipo malária vivax, mais branda que a falciparum, mas também capaz de evoluir de forma grave, embora menos frequentemente.

Dos outros 20%, quase todos os casos são por malária falciparum, restando aproximadamente 1% deles para a o terceiro tipo de malária: a malariae. Esta é caracterizada por ser uma forma crônica da doença, com poucos sintomas, mas que, a longo prazo, pode provocar insuficiência renal crônica.

Estamos em uma área onde há o risco de contaminação?

Fora da região Amazônica, pode ocorrer em duas situações. A primeira diz respeito a surtos da doença em áreas receptivas, ou seja, onde não existe a doença, mas existe o mosquito transmissor.

Nesses locais, a chegada de uma pessoa doente proveniente de região de transmissão de malária, pode propiciar a infecção dos mosquitos locais, que transmitem o parasita para os habitantes da região, desencadeando um surto.

Isto acontece ocasionalmente no Norte do Espírito Santo, nos municípios localizados acima da calha do Rio Doce. Há, na região, um movimento de ida e vinda em relação à região Amazônica, colonizada por parentes de vários moradores desses municípios.

O último surto aconteceu no município de Vila Pavão, dando origem a 140 casos e uma morte.

A segunda situação em que a malária ocorre fora da Amazônia é em uma condição especial de transmissão, nas áreas onde há Mata Atlântica. A condição é especial porque o mecanismo de transmissão é diferente.

É uma malária que se caracteriza por baixo número de casos e por uma manifestação branda, não evoluindo com gravidade.

No Espírito Santo, essa forma de malária ocorre nos municípios da região Serrana, a maioria dos casos sendo registrada em Santa Teresa e Domingos Martins.

Há uma explicação para o aumento nos casos de malária nos últimos anos?

O controle da malária, além das atividades de combate ao mosquito, onde é possível, se baseia no diagnóstico precoce e no tratamento eficaz dos doentes, o que depende de uma política governamental bem definida e de ações bem específicas.


Saiba mais


Sintomas da doença

  • Há seis espécies diferentes do parasita, três delas circulando no País.

  • Cada espécie, atingida a sincronização da multiplicação, dá origem à febre com uma periodicidade diferente.

  • Considerando as espécies por aqui, ocorre febre a cada 48 horas ou 72 horas, dependendo do parasita.

  • Os sintomas ainda podem incluir sudorese, dor de cabeça e calafrios.


Perguntas dos leitores


Felipe Fermiano
Felipe Fermiano |  Foto: Acervo pessoal
Felipe Fermiano, 23 anos, estudante - É possível prevenir a malária?

Crispim Cerutti Junior - Não há vacina para prevenção, a qual só pode ser feita, com resultados nem sempre eficazes, por meio do uso de medicação por quem se desloca para as áreas de transmissão. Esta é uma opção que somente deve ser orientada por um médico que tenha experiência com a doença.

Diana almeida, 27 anos, camareira - Existe algum perfil de pessoa que está mais propenso a ter uma evolução mais complicada da doença?

Crispim Cerutti Junior  - Sim, há pessoas que estão mais propensas a ter uma evolução mais complicada da malária. Os pacientes mais vulneráveis à gravidade da doença são aqueles que nunca tiveram malária antes, as crianças, os idosos e também as gestantes.


Fique por dentro


  • O risco de infecção é maior nas áreas tropicais do planeta, especialmente na África, sudeste da Ásia e região Amazônica.

  • Uma pessoa que retorna de áreas de transmissão deve ficar atenta, pois a doença pode se manifestar até quatro semanas após o regresso devido ao período de incubação.

  • A ocorrência da malária está ligada às atividades humanas. Na região Amazônica, a abertura de novas clareiras na floresta, a formação de um novo assentamento ou o início de garimpo em um curso fluvial geralmente são acompanhados por um surto.

  • Malária
    Malária |  Foto: Arte: André Félix
    A malária falciparum tem como consequência manifestações neurológicas (coma e convulsões, principalmente), insuficiências renal e respiratória, sangramentos, entre outras.
  • Período de incubação - Tempo entre a exposição ao causador e a manifestação dos primeiros sintomas.

  • Surto - Casos de doenças acima da média.

Os números

  • 20% é a letalidade da malária falciparum

  • 99,7% dos casos no Brasil ocorrem na região Amazônica

  • 80% desses casos são do tipo mais brando, a malária vivax

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