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AT em Família

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Anemia nem sempre é culpa da má alimentação, diz hematologista

13/10/2021 22:04:40 min. de leitura

A deficiência de ferro no organismo é uma das principais causas de anemia em todo o mundo. O nutriente pode ser obtido através de uma alimentação variada e balanceada. Entretanto, a anemia nem sempre é provocada por maus hábitos alimentares.

Segundo a Organização Mundial da Família, 30% das anemias são causadas por doenças crônicas, como diabetes, tumores, artrite reumatoide e outras patologias reumatológicas.

Em entrevista ao AT em Família, o hematologista Marcos Daniel Santos alerta para números preocupantes relacionados à anemia. O especialista é membro da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e médico do Núcleo Especializado em Oncologia.

A Organização Mundial da Família estima que, em todo o mundo, cerca de 30% da população é deficiente em ferro. Outro dado alarmante é que mais da metade das crianças precisam receber algum tipo de suplementação de ferro para combater anemia ferropriva, que é a deficiência desse nutriente.

O médico enfatiza que a anemia impede o funcionamento adequado do organismo, prejudicando a concentração, a força, o ânimo e a produtividade do paciente.

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Marcos Daniel diz que sintomas incluem cansaço e irritabilidade Foto: Divulgação
 

AT em família – A causa da anemia está sempre relacionada à má alimentação?
Marcos Daniel Santos –  Não. Uma das principais causas de anemia é a deficiência de ferro, que corresponde a 30% dos casos. Entre as causas de anemia ferropriva temos as deficiências alimentares, as perdas sanguíneas crônicas e as cirurgias gástricas.

Quais outros fatores podem levar à anemia?
A anemia pode acontecer pelo aumento da destruição das células vermelhas, processo conhecido como hemólise. O exemplo mais conhecido é a doença falciforme. Também pode ser causada por perdas crônicas de sangue, como fluxo menstrual abundante, doenças crônicas do intestino e do estômago e tumores intestinais.

Ou pode ser causada pela não produção das células vermelhas, com deficiência de ferro, de vitamina B12, doenças crônicas tais como  diabetes, presença de tumores na medula óssea (as leucemias, por exemplo) ou quando a medula óssea está muito deficiente (a chamada aplasia de medula óssea).

Quais hábitos alimentares podem agravar esse quadro?
As dietas restritivas e desbalanceadas podem gerar deficiências de elementos essenciais, tais como  ferro, vitamina B12,  ácido fólico, entre outros.

Existem fases da vida que as pessoas ficam mais sujeitas a ter anemia?
Nas fases onde há maior taxa de crescimento, há maior risco para desenvolvimento de anemia. Por isso, a Organização Mundial da Saúde preconiza reposição de alguns elementos e enriquecimento de farinhas.
As mulheres estão em maior risco quando entram na fase reprodutiva, pela possibilidade de fluxos menstruais abundantes, e na gestação, que é acompanhada por uma anemia dilucional específica.

As pessoas mais velhas, mais propensas a doenças crônicas, ficam em maior risco de desenvolverem anemia por essas doenças, conhecida como anemia da inflamação.

O simples fato de envelhecer não é acompanhado por anemia.

Como é o tratamento?
O tratamento é totalmente dependente da causa. No caso de deficiência de ferro, devemos repor este elemento, mas também cuidar da causa desta deficiência. Se o paciente tem uma doença na medula óssea, como as leucemias agudas, deverá receber transfusões de sangue. Se a anemia é causada pela destruição das células vermelhas, o tratamento da causa da destruição deve ser instituído.

É muito importante evitar a automedicação e o uso de crendices ou costumes errôneos, tais como colocar pedaços de ferro no feijão. Manter uma alimentação variada e equilibrada também é fundamental.


SAIBA MAIS


  • Sintomas variados
  • A manifestação da anemia pode ocorrer de diferentes formas, dependendo do que está causando o problema.
  • É comum que pacientes relatem sintomas como cansaço fácil, sonolência, irritabilidade e insônia.
  • Se a anemia for por falta de ferro, pode haver queda de cabelo, unhas fracas e dores nos músculos da perna.
  • Se for por destruição das hemácias, o paciente pode apresentar alteração na cor da urina e uma cor amarelada nos olhos.