168 mil pessoas trabalham com turismo no ES
Guias, garçons e trabalhadores do transporte entram nessa conta, que vem crescendo desde 2021 e já reúne 8,1% dos ocupados
Praticamente todos os dias, nos últimos quatro anos, Shirley Mattos tem guiado grupos de 40 a 60 turistas e passageiros pelo Estado, em roteiros que vão do sabor de uma moqueca à emoção que uma paisagem de Pedra Azul desperta, como ela descreve.
Ela faz parte de um universo que reúne mais de 168 mil pessoas ocupadas em atividades características do turismo no Espírito Santo, segundo o Boletim Economia do Turismo, do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). O número, referente ao segundo trimestre de 2026, representa 8,1% do total de pessoas ocupadas no Estado.
A estimativa inclui trabalhadores diretamente ligados ao turismo, como guias cadastrados, e profissionais de atividades que não atendem apenas turistas, como garçons e trabalhadores do transporte aquaviário. No trimestre, o Espírito Santo ficou na 19ª posição entre os estados na participação dessas ocupações.
Segundo o diretor-presidente do IJSN, Antonio Ricardo Freislebem da Rocha, a participação dessas atividades no total de ocupados oscila entre 8% e 9% desde 2022, com variações provocadas pela sazonalidade do setor. Na série histórica desde 2021, porém, a tendência é de crescimento. “Está subindo e mantendo a inclinação. Esperamos no longo prazo esses valores aumentando continuamente”.
Há 11 anos, Shirley acompanha as mudanças no turismo do Estado. Proprietária da agência SM Receptivo Tour ES, tornou-se, em 2025, a primeira guia de turismo comendadora do Estado.
“No início foram muitas lutas. Diante da pouca divulgação do nosso Estado e da falta de apoio, tomei a iniciativa de investir na promoção dos destinos capixabas por meio das redes sociais”.
Ela acredita que o Espírito Santo tem potencial para se tornar uma das grandes referências do turismo receptivo no Brasil, mas aponta gargalos, como a necessidade de qualificação e valorização dos profissionais que atuam diretamente no setor.
Para a mineira Amabilis Cabral, 63, que participou de um dos grupos guiados por Shirley no último dia 30, o guia profissional faz toda a diferença. “Deu uma aula de história, não ficou nem uma dúvida”.
Amabilis e Maria Antônia Stanisci, 75, visitaram o Estado juntas. Para Amabilis, a experiência também passou pelos restaurantes: “Gostei bastante”.
Maria, que veio pela primeira vez, resumiu a visita: “Amei”.
Criação de conteúdo de viagens
Ser influenciador de viagens também é uma forma de fazer renda com turismo no Estado. Esse é um dos objetivos do casal Lívia e Carlos Lenke, que criaram em fevereiro o YouTube do EmCurso Trips, com dicas de viagem e Lifestyle. Em março, nasceu o Instagram. O outro objetivo é fazer o que gostam: viajar.
Os dois são militares e, por enquanto, criam o conteúdo nas folgas. “Ainda não é nossa principal fonte de renda, trabalhamos muito por permuta ainda”, explica Lívia.
Mas isso não significa que seja fácil. Lívia descreve o negócio como uma empresa e Carlos fala da dificuldade de conciliar dois empregos. Mas confirmam que vale a pena e que a primeira viralização já conseguiram.
Alimentação e transporte têm 85% da força de trabalho
Alimentação e transporte respondem por 85% dos ocupados no Estado em atividades caracteristicas do turismo. Para o secretário de turismo do Estado, Luciano Machado, isso mostra como o turismo movimenta uma ampla cadeia produtiva, beneficiando desde restaurantes até empreendedores locais, produtores rurais, artesãos e prestadores de serviço.
“Nosso objetivo é fortalecer um turismo que gere oportunidades durante todo o ano, valorize os profissionais do setor e contribua para melhorar a renda das famílias capixabas”, explica, ao dizer que, para enfrentar um dos desafios do setor, a sazonalidade, tem buscado diversificar os motivos que levam pessoas a viajar para o Estado.
“O turismo de negócios e eventos, o agroturismo, as experiências gastronômicas, o ecoturismo, o turismo cultural e nautico podem contribuir para distribuir melhor o fluxo de visitantes ao longo dos meses”, aponta.
Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-ES), Fernando Otávio Campos, diz que, quando a obra do Novo Pavilhão de Carapina for lançada, ela deve dobrar o turismo de negócios, o que teria impacto no setor de hotelaria, trazendo novos investimentos em hotéis:
“Precisamos dessa confirmação para iniciar grandes investimentos. Faz 10 anos que não temos”.
O setor no Estado
Percentual de pessoas ocupadas no setor no Estado é maior do que em Minas Gerais
- 168.651 pessoas estavam ocupadas em atividades características do turismo no Espírito Santo no 2º trimestre de 2026.
O número ficou estável em relação ao mesmo trimestre de 2025 e acima dos 166 mil registrados no 1º trimestre de 2026.
R$ 3.436,72 é o rendimento médio mensal no turismo no ES.
37,1% dos ocupados no turismo: Esse é o percentual de informalidade, proporção superior à dos demais setores da economia capixaba (33,4%). A informalidade é mais elevada no segmento de alimentação, onde 43,7% dos trabalhadores não têm vínculo formal. Já o alojamento tem a menor taxa de informalidade: 8,1%.
Perfil dos ocupados
Sexo: 94.985 homens e 73.666 mulheres.
Faixa etária: maior concentração entre 40 e 59 anos (73.534).
Escolaridade: ensino médio completo é o nível mais frequente (81.103).
Jornada: mais de 50% trabalham de 40 a 44 horas semanais.
85% dos ocupados estão concentrados em alimentação e transporte.
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