Deputado Emerson Freitas usava redes sociais para extorsão, diz PCPE
Investigações indicam que o influenciador e deputado eleito cobrava dinheiro para não atacar investigados nas redes sociais
Investigações sobre o caso envolvendo o influenciador digital e deputado estadual eleito Emerson Freitas apontam que ele usaria a fama nas redes sociais para cometer crimes de extorsão e lavagem de capitais. As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa cedida pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) nesta sexta-feira (6).
Segundo a polícia, Emerson ameaçava publicar conteúdos negativos contra pessoas investigadas nas suas redes, em uma das quais ele possui mais de um milhão de seguidores, e pedia dinheiro em troca para não realizar as postagens. Ele também prometia apagar publicações em troca de pagamento.
Ao fim do inquérito, o deputado foi indiciado pelos crimes de extorsão majorada, exploração de prestígio e lavagem de capitais.
Uso da imagem com autoridades e áudios da investigação
A investigação também descobriu que Emerson utilizava fotos tiradas com autoridades e alegava influência com promotores e um juiz para interferir em processos.
Em um áudio obtido pela polícia, o parente de um preso diz que vai enviar R$ 20 mil para Emerson não fazer publicações contra o detento. Ele também afirma que, sem o dinheiro, o influenciador iria encontrar um juiz que supostamente seria amigo para prejudicar o preso.
Em outro momento da apuração, os investigadores destacam um primeiro áudio em que Emerson cita um homem identificado como Dadom e o nome do juiz Abner. Em outro áudio, o próprio Emerson pede R$ 7 mil para ajudar um amigo de outro investigado.
Após esses relatos, o delegado Jorge Pinto detalhou a investigação. Segundo a polícia, Emerson não tinha qualquer tipo de influência e intimidade com promotores e um juiz, como alegava para as vítimas.
"Essas pessoas não viam outra saída. Acreditavam piamente em uma história que foi construída ao longo de anos", explica. "Familiares desesperados com ameaças de transferências de presos se sentiam acuados e acabavam realizando, de forma constante, pagamentos em benefício do investigado".
Participação de intermediária e contestação da defesa
O influenciador contou com uma laranja, pessoa que recebia valores em conta em seu nome também intermediava negociações, de acordo com mais áudios encontrados pela polícia. Ela era servidora pública do Detran e responde formalmente pelo crime de lavagem de capitais.
Segundo os investigadores, a defesa de Emerson teve acesso aos autos do processo, e o influenciador foi intimado a prestar depoimento em outubro, diferente do que foi dito pelo advogado. Weryd Simões afirmou que Emerson se apresentou à polícia espontaneamente.
A polícia negou perseguição política e afirmou que foi necessário pedir o mandado de prisão do influenciador para evitar novos crimes.
Revogação da prisão e medidas cautelares
Emerson Freitas teve a prisão revogada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) na última terça-feira (3), após ter sido alvo de mandado de prisão preventiva no fim de outubro e considerado foragido por cinco dias. O processo apontava Emerson Freitas como suspeito de extorsão.
Após a revogação do mandado, Emerson esteve no Fórum Joana Bezerra, no Recife, junto com o seu advogado, e cedeu entrevista à TV Tribuna.
Na ocasião, o influenciador afirmou que foi surpreendido pela decisão judicial e justificou que não se apresentou antes porque não tinha conhecimento formal do processo. No entanto, uma das ações policiais ocorreu na casa de um funcionário do deputado eleito, no bairro do Mandú, na zona norte do Recife, onde o advogado do influenciador chegou a conversar com a imprensa.
O desembargador Paulo Augusto de Freitas Oliveira, responsável pela decisão que concedeu o habeas corpus ao influenciador, estabeleceu medidas cautelares contra Emerson Freitas.
- Uso de tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 30 dias;
- Proibição de sair do estado;
- Obrigação de comparecer periodicamente à Justiça;
- Proibição de manter contato direto ou indireto com testemunhas e vítimas relacionadas ao caso.
Relato de vítima e acusação de falsidade ideológica
Uma das vítimas de Emerson Freitas, a advogada Isabella Pequeno, publicou uma declaração nas redes sociais expondo uma denúncia realizada feita por ela contra o deputado estadual em 2023.
Na época, Emerson se apresentou para Isabella como sargento da polícia e disse que precisava de dinheiro para impedir que o assassinato dela, que havia sido supostamente encomendado, se concretizasse.
Segundo a advogada, o deputado eleito teria usado a suposta ameaça de morte para pressioná-la, mencionando também informações pessoais e patrimoniais de seus familiares. Isabella, no entanto, sustenta que a história sobre a encomenda de seu assassinato era falsa e teria sido utilizada como estratégia de intimidação.
No vídeo, Isabella divulgou um áudio repleto de tentativas de intermediação e declarações relacionadas à violência. Segundo ela, o conteúdo está inserido no contexto dos episódios denunciados e já foi formalmente anexado aos procedimentos judiciais.
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