Mais de 100 novas empresas vão investir R$ 5 bi no Estado
Área de condomínios saltou de 163 mil m em 2020 para 1,72 milhão de m neste ano, e expansão vai abrir empregos variados
Mais de 100 novas empresas vão investir cerca de R$ 5 bilhões em atividades de logística nos próximos 10 anos no Estado, com mais empregos.
Os dados são de levantamento confirmado pelo presidente do Conselho Regional de Economia do Estado (Corecon-ES), Ricardo Paixão. Ele avaliou que o ritmo de expansão nos últimos anos mostram a perspectiva na próxima década.
Para se ter ideia, em 2020 eram cerca de 163 mil metros quadrados de condomínios logísticos no Estado, e no primeiro trimestre deste ano, alcançou 1,72 milhão de m, conforme dados da consultoria Colliers. Mantido esse ritmo, o Estado vai alcançar cerca de 2,6 milhões de m adicionais na próxima década, projetou o economista.
“O Estado continuará atraindo mais investimentos e multiplicando empregos e renda”, disse. O mais recente anúncio foi do complexo Raizz Vila Velha, às margens da Rodovia Darly Santos, com 88,5 mil m divididos em quatro galpões, um investimento estimado em mais de R$ 200 milhões.
O Estado tem condições de sustentar um ciclo importante de crescimento logístico na próxima década, explicou Patrícia Gouvêa, diretora-presidente da Nova ES.
A expansão da logística deverá criar demanda por profissionais com diferentes perfis: de atividades operacionais a funções de maior especialização técnica e tecnológica, disse ela. “A formação de mão de obra é uma frente estratégica para acompanhar esse crescimento, e o Estado já conta com iniciativas voltadas a essa demanda. Um exemplo é o Senai Porto, com cursos direcionados à logística”.
Para o fortalecimento da base de atividade logística capixaba e a consolidação do conceito de hub logístico (“hub and spoke”), será necessário viabilizar maior competitividade, em qualidade e custo, em todos os modais, avaliou Rogério Salume, secretário de Estado de Desenvolvimento. “Outro ponto determinante será a capacidade de atrair e expandir novas verticais, como a indústria automotiva e a de bens de consumo”, apontou.
Grandes empresas e distribuidoras estão adotando estratégia de fracionar a distribuição para o varejo e de estar mais próximo dos consumidores, e o Estado é importante para essa dinâmica, pela localização e infraestrutura já existente, destacou José Carlos Bergamin, vice-presidente da Federação do Comércio (Fecomércio-ES).
Multinacionais entre empresas que anunciarão operações
Multinacionais estão entre as empresas que anunciaram ou vão anunciar início das operações no Espírito Santo.
Há, por exemplo, uma grande multinacional do setor de bens de consumo que está iniciando operações no Brasil. O investimento será anunciado em breve, diz Patrícia Gouvêa, diretora-presidente da Nova ES.
Ela destacou também as operações de distribuição de eletrônicos, como a da multinacional chinesa Realme. “Além destas oportunidades já confirmadas, nossa carteira possui atualmente outras 22 que abrangem diferentes tipos de negócio relacionados ao ecossistema logístico”, explicou.
São 5 oportunidades em infraestrutura e operações portuárias e ferroviárias: novos terminais, operadores especializados, ampliação de operações ferroviárias e serviços associados à movimentação de cargas, 9 oportunidades de centros de distribuição e armazenagem, 5 oportunidades ligadas ao comércio exterior e logística especializada, e 3 novas operações industriais e comerciais.
“É importante reforçar que essas oportunidades em andamento estão em diferentes estágios, desde conversas iniciais e estudos de viabilidade até negociações mais avançadas”, afirmou Patrícia.
ES vai seguir atrativo no setor mesmo com reforma tributária
O Espírito Santo seguirá sendo atrativo mesmo com os desafios da reforma tributária, segundo os especialistas.
A reforma tributária deve reduzir parte da vantagem oferecida pelos incentivos fiscais, mas outros fatores podem ajudar a manter a atratividade logística do Estado e até favorecer a chegada de novos investimentos. O Estado terá de se adaptar ao novo cenário e aprimorar sua estrutura para continuar competitivo.
O período de transição pede planejamento, mas o Espírito Santo segue competitivo, segundo o secretário de Desenvolvimento Rogério Salume.
“Construímos um ambiente institucional extremamente qualificado e temos localização excepcional, portos, ferrovias, conexão com o Centro-Oeste e o Sudeste, base industrial e capacidade de articulação local e governamental”.
Nenhum desses fatores depende de incentivo fiscal, e todos são fundamentais para a atração de investimentos e o desenvolvimento da economia, avaliou o secretário.
Para o vice-presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, há uma nova dinâmica para as empresas de distribuição.
“As empresas estão trazendo suas operações para o Estado sabendo sobre o fim dos incentivos, mas planejando no longo prazo. Aqui é um ambiente de menos tensão e não tem situações complexas como entrar e sair de São Paulo e da insegurança do Rio”, afirmou.
O Estado perde parte da vantagem proporcionada pelos incentivos fiscais, mas continua tendo atrativos que pesam na decisão das empresas, destacou o economista e diretor da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan), Marcelo Loyola.
“Pode haver algum impacto, porque os incentivos fiscais foram importantes para atrair empresas e centros de distribuição para o Estado. Com a reforma e a tributação no destino, essa vantagem tende a diminuir”, disse.
Para o empresário Flávio Toi, diretor na Mercocamp, o Estado não apenas não vai perder investimentos como vai atrair mais empresas. “Tem complexos de armazém de 200 mil m sendo construídos. Ninguém, em sã consciência, vai investir numa operação de logística para morrer após a reforma”.
O recado é que o Estado precisa acelerar a infraestrutura antes de 2029, segundo Mauricio Nascimento, diretor de Industrial e Logística da Colliers Brasil. “Se Imetame, Porto Central, BR-262 e EF-118 entregarem dentro do prazo, o Estado entra na transição tributária com um argumento mais forte que o fiscal”.
“Situação fiscal diferenciada”, diz presidente da Nova ES
A reforma tributária representa uma mudança estrutural na competitividade dos estados brasileiros. Mas Patrícia Gouvêa, diretora-presidente da Nova ES, destacou que o Espírito Santo possuí uma situação fiscal “diferenciada”.
O desafio atinge todos os estados, que estão buscando alternativas para preservar sua competitividade. O Espírito Santo tem condições importantes para enfrentar essa transição, avaliou Patrícia.
“Contamos com localização estratégica, infraestrutura logística em expansão, ambiente de negócios reconhecido e segurança jurídica. Também temos uma situação fiscal diferenciada. Em 2025, o Estado destinou 20% de sua receita total a investimentos, a maior proporção entre os estados brasileiros”.
Segundo a diretora da Nova ES, essa capacidade financeira permite continuar investindo em infraestrutura e desenvolver soluções para fortalecer a competitividade.
O Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado (Sindiex) disse que “a combinação entre localização estratégica, portos de águas profundas, novos terminais, integração ferroviária em andamento, os ParkLogs Norte e Sul, um ambiente de negócios reconhecido nacionalmente e uma mão de obra qualificada dá ao Estado condições sólidas para competir em uma nova base”.
Raio-X da logística no Estado
- Quinto maior mercado de condomínios logísticos do País;
- O que são condomínios logísticos:
- São complexos com galpões e infraestrutura compartilhada, projetado para operações de armazenamento, distribuição e transporte de mercadorias;
- Oferecem soluções como segurança, serviços de manutenção e comodidades (estacionamento, refeitório, entre outros) que são compartilhados entre as empresas instaladas, o que contribui para a redução de custos operacionais.
4º maior em movimentação portuária
- O Espírito Santo posiciona-se como o 4º maior estado em movimentação portuária do Brasil (movimentando cerca de 137,5 milhões de toneladas por ano) e consolida-se como um hub multimodal estratégico para o escoamento do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste — cerca de 67% das cargas movimentadas nos portos capixabas têm origem ou destino fora do Estado, com destaque para Minas Gerais, Goiás e Bahia;
- No comércio eletrônico, destacam-se os centros de distribuição da Shopee, em Viana, e da Amazon, em Cariacica. Na área da saúde, estão o Centro Integrado de Logística da MedLevensohn, na Serra, e a operação de distribuição da Prati Donaduzzi. Também tem operações de distribuição de eletrônicos, como a da Realme, e de produtos químicos, como a da Indústria Química Anastácio, que já implantou uma unidade em Vila Velha;
- Há ainda uma grande multinacional do setor de bens de consumo que está iniciando suas operações no Brasil e o investimento será anunciado em breve;
- Além destas oportunidades já confirmadas, a carteira da Nova ES possui atualmente outras 22 que abrangem diferentes tipos de negócio relacionados ao ecossistema logístico.
Maiores galpões do Estado
- Porto Canoa Log (Viana): 194.517 m
- Tims (Serra): 163.835 m
- Centro Logístico Grande Vitória (Viana): 132.596 m
- Codepe (Cariacica): 82.160 m
- Condomínio Logístico Cariacica - BTS (Cariacica): 77.773 m
- Condomínio Logístico Autoglass (Guarapari): 74.232 m
- Log Viana 2 (Viana): 67.797 m
- Log Viana (Viana): 60.986 m
- RG (Cariacica): 59.049 m
- Vila Logística Park (Vila Velha): 51.138 m
- Jabaeté Parque Empresarial (Viana): 44.604 m
- Campo Log 2 (Serra): 41.296 m
- CD Viana – Raiz Capital: 40.138 m
O mercado no Estado
- O mercado de condomínios logísticos no Estado atravessa uma fase de forte expansão, impulsionado pelo crescimento do e-commerce, localização estratégica e incentivos fiscais. O Estado tem 1,75 milhão de m de condomínios logísticos, conforme dados mais recentes da Colliers, sendo o sexto maior mercado logístico do País;
- O estoque de galpões de alto padrão (Classe A) no Estado cresceu de forma expressiva nos últimos anos. A taxa de vacância mais recente é de 6,4%, uma das menores do País;
- Além disso, são 38.199 m em construção e outros 828.603 m em projetos;
- Entre os em andamento no Estado estão o Raizz Vila Velha, o Log Cariacica e o Urban Park Log, da Dázen, na Serra.
A reforma tributária
- Em implementação no Brasil, prevê a substituição de tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços);
- A mudança busca simplificar o sistema, reduzir a cumulatividade, aumentar a transparência e dar mais segurança jurídica às empresas, com potencial impacto sobre custos, investimentos e competitividade.
Transição
- A mudança no sistema de tributação será gradual e ocorrerá ao longo de sete anos, até a implantação completa do novo modelo em 2033;
- Nesse período, empresas terão de se adaptar às novas regras enquanto tributos atuais serão progressivamente substituídos pelo IBS e pela CBS.
O que muda, na prática
- A reforma tributária muda o local onde o imposto é recolhido. Hoje, o ICMS é arrecadado principalmente no Estado onde a empresa está instalada. Com o novo sistema, a arrecadação será direcionada para o local onde o produto ou serviço é consumido. Para o Espírito Santo, isso pode reduzir a arrecadação, já que muitas empresas se instalaram no Estado atraídas por incentivos fiscais, mas vendem para consumidores de outras regiões.
Estratégias
- Os efeitos na economia capixaba tendem a ocorrer ao longo do tempo e de forma diferente entre empresas e setores. Isso ocorre porque cada empresa terá que analisar sua situação;
- Para alguns centros de distribuição, pode passar a fazer mais sentido estar próximo dos grandes mercados consumidores ou de outras regiões que ofereçam vantagens logísticas. Outros têm estratégia totalmente contrária, de fracionar as operações e estar mais próximo do consumidor final.
Desafios
- A reforma não elimina a competição entre os estados. Ela muda as regras dessa competição: em vez de depender tanto do imposto, o desenvolvimento econômico terá de se apoiar cada vez mais nas vantagens reais que o Estado consegue oferecer a quem decide investir. Neste cenário, a competição migra para infraestrutura, qualificação, segurança jurídica e ambiente de negócios;
- O desafio é utilizar os próximos anos para transformar essas vantagens em ganhos concretos de eficiência e produtividade, para continuar atraindo investimentos no novo cenário tributário.
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