Ser mais cooperativistas
Mais de 1 milhão de capixabas já integram cooperativas no Espírito Santo, número que cresceu quase 150% desde 2019
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Não há como negar que o Espírito Santo é um estado fortemente marcado pela presença do cooperativismo. Afinal, já são mais de um milhão de capixabas integrando pelo menos uma cooperativa no Estado e mais da metade da população conectada ao movimento.
Ao longo dos últimos sete anos, o crescimento em solo capixaba foi expressivo. Em 2019, o Estado contava com pouco mais de 430 mil cooperados. Segundo o Censo Cooperativista de 2026, ao final de 2025, esse número chegou a 1.081.334, um aumento de quase 150%.
É como se, nesse período, 252 pessoas tivessem ingressado diariamente em uma cooperativa. Esse crescimento é motivo de muita alegria. Acreditamos que o cooperativismo é capaz de transformar vidas, gerando oportunidades e renda. Mas, ao mesmo tempo em que celebramos esses números, sabemos que podemos evoluir mais.
Embora muitas vezes tratados como sinônimos, “cooperado” e “cooperativista” são termos que possuem uma diferença conceitual. Cooperado é a definição jurídica para um indivíduo que, voluntariamente, adere a uma cooperativa, participa de sua estrutura societária e exerce os direitos e deveres previstos nesse vínculo.
Ser cooperativista, por sua vez, é ir além da condição formal. É vivenciar, nas relações e nas decisões do dia a dia, os valores e princípios que sustentam o movimento. São cooperados e colaboradores que compreendem que fazem parte de um modelo de negócio diferente, baseado na cooperação, na participação e na construção coletiva.
Quando ingressei como médico cooperado na Unimed Sul Capixaba, em 1997, sabia o peso daquela decisão e não demorei para entender que estava fazendo parte de algo muito maior. Aprendi que o cooperado precisa se reconhecer como sócio da cooperativa e, por isso, participar ativamente de suas decisões. Foi o que fiz ao longo dos anos, envolvendo-me em diretorias e conselhos e chegando a exercer, por dois mandatos, a presidência do Conselho de Administração.
Com o tempo, essa compreensão ultrapassou os limites da minha vida profissional. Passei a levar o cooperativismo para outras escolhas da minha vida: consumir produtos e serviços de cooperativas; movimentar financeiramente com uma cooperativa de crédito e seguir os valores fundamentais e éticos do modelo.
É essa consciência que precisamos fortalecer entre os mais de um milhão de cooperados capixabas. Além de estar associado a uma cooperativa, queremos que as pessoas compreendam o significado dessa escolha. É preciso participar, internalizar a cultura cooperativista, conhecer os princípios que sustentam o modelo e perceber que cada pessoa tem um papel na construção do futuro do movimento cooperativista.
A expansão de cooperados é uma conquista que devemos celebrar. Mas o verdadeiro fortalecimento do cooperativismo só acontecerá quando esse crescimento também significar mais pessoas comprometidas com os princípios do coop. Precisamos, portanto, de mais do que cooperados: precisamos formar cooperativistas engajados e orgulhosos de fazer parte desse movimento que une pessoas ao redor do mundo.
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