Terrorismo nutricional

A prática de uma alimentação saudável se tornou algo estressante para você? Ah! Não sabe dizer? Então, vamos lá... Você já foi a um almoço de família e levou a própria comida? Já deixou de sair com amigos por medo de não poder comer o que estivesse no cardápio?

Quem me acompanha semanalmente sabe que eu superdefendo a prática de uma alimentação saudável, mas será que essa preocupação em excesso também não pode nos fazer mal? Quais são os impactos sociais e psicológicos desta relação com a comida?

Atualmente, tendemos a classificar alimentos de forma muito extremista: ou é ruim ou é bom, ou ajuda ou prejudica, ou engorda ou emagrece. É um verdadeiro terrorismo nutricional.

A verdade, querido leitor, é que não existe nada disso quando se estuda a ciência da nutrição. Nenhum alimento, por si só, é o vilão ou o mocinho.

Está cada vez mais raro encontrar pessoas que pregam o equilíbrio e ainda mais desafiador encontrar as que o praticam.

Infelizmente, as pessoas tendem a agir de forma radical: ou se alimentam de forma exageradamente saudável ou comem de forma descontrolada, enquanto o mais adequado seria nem um, nem outro.

A ideia de terrorismo nutricional surgiu com a demonização dos alimentos.

Esse movimento varia seu foco e teve início com a gordura; depois, com o carboidrato, o açúcar e agora o glúten, a lactose e a frutose.

Todo esse excesso de variedade de informações faz com que se torne cada vez mais confuso entender o que faz bem e o que faz mal... Mas o que é glúten? O que é lactose? O que é frutose?

Será que precisamos parar de comer frutas? Claro que não! Isso é excesso de “informação” mal interpretada e transformada em terrorismo.

E todo esse terrorismo faz com que o ato de comer se torne um comportamento potencialmente nocivo e gerador de sentimentos como culpa e punição.

Esse movimento faz com que você não responda mais à fome ou à saciedade, mas, sim, às regras impostas pela cultura da informação, às emoções e ao seu lado crítico. É quando comer se torna algo estressante.

A novidade é que a culpa ao comer está sendo cada vez mais estudada e foi observado que ela, além de aumentar o risco de você engordar, também aumenta a predisposição a doenças crônicas não transmissíveis: fazendo com que você coma mais rápido, com menos qualidade e em maiores quantidades sem perceber.

Ela também altera sua digestão e aumenta o seu estresse, fortalecendo, assim, o ciclo da compulsão, gerando ainda maior estresse, ou seja, essa culpa ao comer atrapalha nossa saúde física, mental e social.

Por isso, é o que eu sempre digo, equilíbrio e moderação sempre!

Quando você come de forma consciente, com prazer e sem culpa, não se priva do que gosta, come menos ao longo do tempo e aprende a saborear aquilo que está degustando.

O segredo: você precisa fazer escolhas que estão alinhadas ao seu estilo de vida e ao seu objetivo, mas é saudável que exceções sejam abertas para justificar as regras.

Que vontades sejam saciadas. E que se busque um certo prazer na alimentação. É muito importante para a nossa saúde conectar mente e corpo, identificar adequadamente fome e saciedade e comer sem culpa.

Bom final de semana! Sem terrorismo e sem culpa!


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