Novo Papanicolau para mulheres; saiba o que mudou no exame
O exame de DNA-HPV permite identificar a presença do vírus e pode ajudar a detectar precocemente mulheres com maior risco
Um novo exame para detectar o papilomavírus humano (HPV), principal causador do câncer do colo do útero, começa a ampliar as opções de prevenção e diagnóstico da doença.
A tecnologia, que permite identificar a presença do vírus e pode ajudar a detectar precocemente mulheres com maior risco de desenvolver lesões, já está sendo ofertada em alguns municípios e planos de saúde do Espírito Santo.
O teste molecular de DNA-HPV foi implementado pelo Ministério de Saúde no ano passado e passa a substituir gradativamente o Papanicolau, devendo ser realizado em mulheres entre 25 e 64 anos.
O novo exame ofertado pelo Ministério da Saúde é capaz de identificar 14 genótipos do vírus antes da ocorrência de lesões ou câncer em estágios iniciais.
No Espírito Santo, pela rede estadual, desde 2024 já é realizado o teste molecular para a detecção de HPV oncogênico pelo exame PCR, atendendo os 26 municípios da região Sul de Saúde.
O teste ofertado pelo Estado é capaz de detectar 28 genótipos diferentes do HPV.
Por nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) informou que a oferta do exame será ampliada gradualmente para as demais regiões do Estado, de forma escalonada e seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero.
Já a Unimed Vitória informou que o teste molecular de DNA-HPV integra o Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), contando com cobertura pelo plano de saúde conforme as diretrizes regulamentares.
A Unimed informou ainda que o tipo de exame a ser realizado, seja o teste de DNA-HPV ou a Citologia Oncótica (Papanicolau), é definido pela conduta médica após avaliação do histórico e das necessidades individuais de cada paciente.
Marcio Almeida, CEO da Bluzz Saúde, afirmou que a operadora oferta o exame e quem define qual procedimento realizar é o médico que acompanha a paciente.
A São Bernardo Samp e a MedSênior também foram procuradas, mas não responderam até o fechamento da reportagem, se o teste já é ofertado nas operadoras.
Até 5 anos sem repetir o exame
Mulheres que fizerem o novo teste molecular para detectar o papilomavírus humano (HPV) poderão ficar até cinco anos sem precisar repetir o exame, caso o resultado seja negativo.
Segundo Lucia Helena Mello, vice-presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Espírito Santo (Sogoes), quando o teste der negativo, a orientação é repetir o rastreamento em cinco anos.
Já quando há detecção do vírus, a conduta depende do tipo identificado e da necessidade de investigar possíveis alterações no colo do útero.
A médica ressalta que detectar o HPV não significa que a paciente tenha câncer ou necessariamente desenvolverá a doença. A identificação do vírus indica a necessidade de avaliar o risco e definir se são necessários exames complementares.
“Se der um HPV detectado, o 16 e o 18, que são os oncogênicos mais frequentes relacionados ao câncer do colo do útero, essa paciente tem que ser encaminhada direto para a colposcopia”.
Quando o teste identifica outros tipos de HPV oncogênico, pode ser necessária uma citologia reflexa, conhecida como Papanicolau, feita com o material já coletado.
Se o resultado mostrar alterações nas células, a paciente será encaminhada para colposcopia. Se a citologia estiver normal, a orientação é repetir o teste de DNA-HPV em um ano.
Apesar da mudança no rastreamento, o exame citológico tradicional não deixa de ser utilizado. Ele continua sendo uma alternativa nos serviços que ainda não oferecem o teste molecular e também pode ser necessário para complementar a investigação de determinados resultados positivos, explica Lucia Helena.
A presidente da Sociedade de Patologia do Trato Genital Inferior, Neide Boldrini, destaca que o Papanicolau é um exame morfológico baseado na forma das células. “Já o DNA-HPV é por meio da biologia molecular, por isso, é um exame mais eficaz”.
A ginecologista Débora Dalvi, referência técnica de Citopatologia do Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen-ES), explica que o exame avalia a presença do DNA do HPV nas células do útero.
“No exame molecular PCR para HPV, é retirada uma amostra que passa por um processo de extração do DNA. O que chamamos de amplificação para avaliar se naquelas células existe o DNA viral do HPV”, explicou.
Fique por dentro
Exame DNA-HPV
- HPV PCR é um teste que identifica a presença do vírus HPV no organismo, por meio de amostras moleculares e análise do DNA das células;
- O HPV é responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero. Ter o vírus do HPV não significa possuir doenças como o câncer de colo de útero, mas significa risco para ter essa lesão.
O que é o HPV
- O HPV (papilomavírus humano) é um grupo com mais de 200 tipos diferentes de vírus e cerca de 40 tipos afetam a região genital;
- Trata-se de infecção sexualmente transmissível (IST) muito comum que afeta a pele e as mucosas.
Quais os tipos de HPV
- Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem pelo menos 14 tipos principais de HPV;
- Os que podem causar câncer de colo de útero são os tipos 16 e 18, considerados de alto risco;
- Já classe dos 31, 33, 51 são os HPV com alto risco oncogênitos, com potencial para causar alterações nas células. E se não forem acompanhadas e tratadas, podem evoluir para o câncer de colo de útero.
Diferença entre o Papanicolau e o exame de DNA-HPV
- O papanicolau é um exame morfológico, ou seja, ele é baseado em formas da célula;
- Já o teste de DNA-HPV, de biologia molecular, é um exame de DNA. Então, se há infecção pelo HPV, o médico dará o diagnóstico de acordo com o DNA da coleta;
- Ou seja, o Papanicolau se difere do HPV PCR na forma de análise. Um analisa o formato morfológico das células e o outro analisa o DNA.
Quanto tempo até sair o resultado
- No Espírito Santo, os laboratórios dão resultado com 10 dias, outros com até 15 dias.
Idade para iniciar o exame
- O teste deve ser realizado em mulheres entre 25 e 64 anos.
Período para repetir o DNA-HPV
- Se o exame for negativo para o HPV, a paciente só vai repetir o teste 5 anos depois;
- Se for positivo para o HPV 16 e 18, a paciente vai para a colposcopia. Se ele for positivo para outros tipos, faz a citologia reflexa.
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