Abstenção pode impactar resultado das eleições no Espírito Santo
Expectativa é de que em torno de 600 mil a 650 mil eleitores deixem de comparecer às urnas no Estado no próximo domingo
A quantidade de eleitores que não comparece às urnas é um dos fatores que podem influenciar o resultado de uma eleição. No Espírito Santo, a projeção é de uma abstenção que deve ficar entre 20% e 23% do eleitorado nas eleições deste ano. Considerando um universo de cerca de 3 milhões de eleitores, isso representaria entre 600 mil e 650 mil pessoas que podem deixar de votar.
A projeção foi apresentada pelo analista e consultor de inteligência política Lucas Margotto, em participação no podcast Tribuna Política.
A abstenção não é contabilizada como voto para nenhum candidato. Na prática, quanto maior o número de eleitores ausentes, menor é o universo de votos efetivamente registrados. Em uma disputa com pequena diferença entre os candidatos, a distribuição dos votos de quem comparece às urnas pode, portanto, ter impacto no resultado, explica o especialista.
O histórico recente mostra que a ausência dos eleitores representa uma parcela significativa do eleitorado capixaba. No primeiro turno de 2018, 19,28% dos eleitores aptos não compareceram às urnas no Espírito Santo, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram mais de 527 mil abstenções.
Em 2022, a taxa foi de 20,75% no primeiro turno. Na ocasião, 2.315.889 eleitores compareceram para votar no Estado. Já no segundo turno daquele ano, a abstenção foi de 20,48%, de acordo com o TSE.
Por que o eleitor deixa de votar?
Durante o Tribuna Política, Lucas Margotto relacionou a abstenção a fatores como o desgaste provocado pela polarização política e o desinteresse de parte do eleitorado.
“Muitas pessoas estão cansadas de ter que se justificar para amigos ou familiares e de enfrentar o ambiente acirrado da polarização. Para esses eleitores, abster-se ou não ir à urna acaba sendo uma forma de evitar atritos nas relações sociais”, afirmou.
Outros fatores também podem dificultar o comparecimento às urnas. Entre eles estão o deslocamento até o local de votação, filas, trânsito e mudanças de cidade sem a transferência do título eleitoral.
No Espírito Santo, por exemplo, eleitores que se mudaram do interior para a Grande Vitória, mas continuam com o título registrado no município de origem, podem optar por justificar a ausência em vez de retornar à cidade onde estão inscritos.
Impacto nas eleições
A influência da abstenção ocorre porque os resultados são calculados a partir dos votos registrados nas urnas. Os eleitores que não comparecem não têm seus votos distribuídos entre os candidatos.
Em uma eleição com diferenças pequenas entre concorrentes, uma variação no número de pessoas que comparecem pode modificar o total de votos necessários para alcançar determinado percentual ou vantagem sobre os adversários. Isso vale tanto para disputas majoritárias quanto para a composição do Legislativo, que segue regras próprias de distribuição de vagas.
Por isso, a participação eleitoral é acompanhada pelas campanhas e pela Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza estatísticas de eleitorado e de comparecimento e abstenção, permitindo acompanhar os dados de cada eleição.
O colunista de política da Rede Tribuna, Eduardo Maia, destacou no podcast a importância da mobilização dos eleitores na reta final da campanha. Para o dia da votação, também é possível levar uma anotação em papel com os números dos candidatos para facilitar o preenchimento da urna.
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