Conselho aponta falta de transparência da Meta durante eleição no Brasil
TSE cobra tratamento igual entre Lula e Flávio, e órgão de proteção de dados pede explicações sobre bloqueios e remoções
O Comitê de Supervisão de Conteúdo da Meta afirmou que a empresa falhou em garantir transparência suficiente sobre sua atuação durante a eleição presidencial no Brasil e apontou “falhas recorrentes” na moderação de conteúdos políticos.
O órgão é formado por especialistas externos e independentes e analisa decisões tomadas nas plataformas da companhia.
Segundo o comitê, problemas que afetaram produção e divulgação de conteúdos ligados à campanha de Lula (PT) deveriam ter sido encaminhados para revisão por equipes especializadas. O conselho cobra da Meta métricas públicas capazes de mostrar de forma objetiva a eficácia e as falhas de seus mecanismos de fiscalização eleitoral.
A manifestação ocorre em meio à pressão sobre a empresa. O TSE deu 24 horas para que a Meta comprove que cumpriu determinação de tratamento igualitário entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). A Agência Nacional de Proteção de Dados também deu cinco dias úteis para esclarecimentos sobre bloqueios, remoções de publicações e restrições de alcance.
A Meta reconheceu falhas que atingiram conteúdos ligados a Lula, mas nega favorecimento político. Segundo a empresa, os episódios decorreram de problemas técnicos e não de ação direcionada contra uma candidatura.
Um estudo da Universidade Federal do Paraná analisou oito incidentes envolvendo plataformas digitais na eleição. Em seis deles, os pesquisadores identificaram efeitos prejudiciais à campanha de Lula ou a conteúdos críticos a Flávio.
Os autores ressaltam, porém, que os dados não permitem concluir que tenha havido interferência deliberada das empresas. Entre os episódios estão a retirada de conteúdos, limitação de alcance e respostas diferentes de ferramentas de IA.
Em um teste citado pelo estudo, a Meta AI se recusou a criar uma imagem com “Lula 13”, mas aceitou inicialmente um pedido com “Flávio 22”. Em outro caso, a Meta admitiu ter removido por engano perfil que publicou vídeo crítico a Flávio e restaurou a conta após reconhecer o erro.
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