Policial que agrediu mulher em bar do ES tem porte de arma suspenso pela Justiça
Cabo da PM também está proibido de se aproximar da vítima, de seus familiares e das testemunhas do caso
O cabo da Polícia Militar suspeito de agredir uma assistente administrativa com socos no rosto na noite da última segunda-feira (2), em um bar no bairro Itapuã, em Vila Velha, teve o porte de arma suspenso pela Justiça capixaba. Em documento enviado pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) à reportagem do Tribuna Online, consta que Bernardo Menezes Coutinho também está proibido de se aproximar da vítima, de seus familiares e das testemunhas do caso.
Segundo a assistente administrativa, as agressões teriam se iniciado a partir de uma discussão por causa de divergências políticas.
Em entrevista na última quarta-feira (4) à repórter Vanuza Santana, da TV Tribuna/Band, a vítima contou que chegou no local acompanhada da mãe e de uma amiga. As três sentaram na calçada e começaram a conversar, momento em que a vítima começou a falar sobre o resultado das eleições.
Neste momento, segundo a assistente administrativa, três mulheres que estavam sentadas em uma mesa ao lado iniciaram uma discussão com a vítima.
"Estávamos falando sobre polícia. Umas moças da mesa ao lado não gostaram e começaram a fazer deboche. Eu comecei a discutir com elas e a provocar", disse a assistente administrativa.
Durante a discussão, o cabo da PM chegou no local e começou a desferir socos no rosto da assistente administrativa. A mulher também teria sido pressionada contra a parede do bar.
Por causa das agressões, a vítima relata que caiu na calçada do estabelecimento, onde ficou desacordada e teria perdido a consciência. Diante da situação, ela foi encaminhada ao Hospital Antônio Bezerra de Farias. Para a reportagem da TV Tribuna/Band, a assistente administrativa contou que precisou levar quatro pontos na região do supercílio.
A Polícia Militar foi acionada e, durante o atendimento, testemunhas informaram que o suspeito das agressões teria se deslocado para um condomínio residencial nas proximidades. Os policiais foram até o edifício e, com o apoio do síndico, tentou fazer contato com o morador. Contudo, os agentes não conseguiram localizar o suspeito.
"Uma pessoa que deveria defender a sociedade está fazendo agressões por um motivo banal. A agressão dele poderia ter me levado a óbito, porque tive fratura interna no nariz e meu rosto está bem machucado", relatou a vítima.
Além de ter tido o porte de arma suspenso e de estar proibido de se aproximar da vítima, de seus familiares e das testemunhas do fato, a Justiça determinou que Bernardo não faça publicações em redes sociais e/ou aplicativos de celular (WhatsApp e outros) contendo comentários ou imagens da vítima, ou ainda divulgar prints de conversas realizadas com a vítima e seus familiares.
Por fim, a Justiça solicitou que o cabo da PM não frequente os locais onde a vítima costuma frequentar, como locais de trabalho, local de lazer, igrejas, atividade física, entre outros.
Corforme consta no documento do TJES, Bernardo estará sujeito a prisão preventiva caso descumpra alguma das medidas impostas pelo Tribunal.
Reportagem tentou entrevista com o cabo da PM
A repórter Vanuza Santana esteve no condomínio onde o cabo da PM reside na manhã da última quarta-feira (4). O homem havia demonstrado interesse em falar com a reportagem, mas, no local, a mãe do suspeito informou que ele apenas se manifestaria por meio de um advogado.
A reportagem segue tentando contato com a defesa do policial. O espaço segue aberto para manifestações.
A reportagem do Tribuna Online também procurou a Polícia Militar, visto que, a princípio, a corporação havia informado que ainda não havia uma denúncia formal na Corregedoria a respeito do caso.
Em nota enviada nesta sexta-feira (6), a PM informou que as medidas judiciais impostas foram devidamente cumpridas.
"O policial militar já desempenha sua função em atividades administrativas, em município distinto daquele onde ocorreu o fato. Por não se tratar de ocorrência com tipificação prevista no Código Penal Militar, a Corregedoria acompanhará o inquérito instaurado na esfera competente. A conduta do policial militar será avaliada no âmbito administrativo, à luz do Código de Ética e Disciplina da PMES, observados o devido processo legal e os procedimentos cabíveis", comunicou a corporação.
*Com informações da repórter Vanuza Santana, da TV Tribuna/Band.
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