Lojas de armas desviavam munições importadas para o crime organizado
Investigação no Espírito Santo encontrou 10 tipos de fraudes em lojas de armas e munições e prisões de empresários ligados ao crime
Dez tipos de fraudes foram identificados em lojas de armas e munições investigadas pela Polícia Civil do Espírito Santo. Entre as irregularidades estão a venda de armamentos com documentos falsos e a comercialização clandestina de munições importadas, sem emissão de notas fiscais. A investigação também identificou compradores ligados ao crime organizado e pessoas com renda incompatível com os valores movimentados.
Entre os casos identificados, um assalariado com renda declarada inferior a R$ 3 mil teria comprado 40 mil munições em um ano, em uma única loja. A investigação também apontou um comprador que movimentou centenas de milhares de reais sem renda lícita e confessou fazer a contabilidade de uma das duas maiores facções criminosas do Estado.
Segundo o titular da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), delegado Guilherme Eugênio Rodrigues, o esquema envolvia munições importadas que, segundo a investigação, eram comercializadas sem o devido registro fiscal.
“E na loja cujo dono foi preso inicialmente, constatou-se que ela não havia emitido nota de nenhuma venda de munição, nenhuma venda de munições importadas, e que havia 1.400 munições de fuzil 556”, afirmou.
A Receita Estadual analisa notas fiscais de entrada e saída e os estoques das empresas para identificar divergências e rastrear os destinatários das mercadorias. O auditor fiscal Peterson Bragante Costa explicou que os dados podem ajudar a identificar compradores sem capacidade financeira para adquirir os produtos.
“Na nota fiscal de saída a gente consegue identificar o nome da pessoa física que fez a compra e através de investigação vai conseguir identificar: ‘Olha, essa pessoa ela não tem capacidade financeira para adquirir isso’. E com isso eles vão conseguir e complementar a investigação dele e identificar se realmente está sendo municiado, o crime organizado com munições, com armas ou não.”
As empresas podem receber autos de infração, ter sócios responsabilizados e ser excluídas do Simples Nacional, passando a pagar tributos mais altos. A perícia da Polícia Científica também vai examinar as armas apreendidas, verificar possíveis adulterações e buscar conexões com outros crimes por meio do banco balístico nacional.
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, destacou a integração entre os órgãos envolvidos, incluindo Polícia Militar, Polícia Federal, Exército e Secretaria da Fazenda.
“Então, quando todas as forças fazem essa atuação integrada, possibilita desvendar com muito mais clareza eventuais irregularidades.”
A investigação seguirá com a apuração das vendas clandestinas de munições e a identificação dos compradores e dos responsáveis de fato pelos estabelecimentos.
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