Recife ganha nova loja de brechó sustentável na Boa Vista
Loja Humana abrirá no dia 1º de outubro com acervo de mais de 7 mil peças e ciclo de preços decrescentes ao longo de três semanas
Recife passa a integrar, a partir de 1º de outubro, a rede internacional de lojas de segunda mão da Humana, organização que atua com coleta, triagem e comercialização de roupas em diferentes países. A novidade chega com a inauguração da Loja Humana Recife, que abre as portas ao público às 9h, na Rua do Hospício, 179, na Boa Vista.
A capital pernambucana é a segunda cidade brasileira a receber uma Loja Humana com o conceito de brechó sustentável, depois de Salvador, onde a operação da marca começou no país. No exterior, a rede Humana People to People está presente em 49 países, em cinco continentes, e mantém atividades relacionadas à coleta e comercialização de roupas de segunda mão em diferentes mercados da Europa, África e Américas.
Em Pernambuco, a operação nasce integrada ao Repense Reuse, projeto da Humana Brasil responsável pela coleta de têxteis pós-consumo. As roupas chegam por meio de coletores instalados na Região Metropolitana e no interior de Pernambuco e seguem para o Centro de Triagem da Imbiribeira, onde passam por seleção e preparação antes de chegar às araras da loja.
“A chegada das Lojas Humana ao Recife representa muito mais do que a abertura de novos pontos de venda. Estamos falando de geração de empregos formais, fortalecimento da economia circular e ampliação do acesso da população a uma moda sustentável e acessível”, afirma Ivanir Matos, gerente geral do Repense Reuse.
“A gente está trazendo para o Recife uma experiência que conecta aquilo que acontece no ponto de coleta com aquilo que o consumidor encontra dentro da loja. Existe toda uma cadeia por trás de cada peça, desde a coleta e a triagem até a preparação e a venda”, explica.
Mais de 7 mil peças em uma loja de 250 metros quadrados
Instalada em uma área de 250 metros quadrados, a Loja Humana Recife terá mais de 60 araras e um acervo inicial superior a 7 mil peças.
- Mais de 6.500 roupas
- Cerca de 250 pares de calçados em exposição simultaneamente
- Mais de 600 acessórios, bolsas e brinquedos
A organização do espaço foi pensada para transformar o chamado “garimpo” de peças de segunda mão em uma experiência de compra mais organizada. A loja é climatizada, tem mobiliário amadeirado, iluminação direcionada aos produtos e setores divididos por categorias e paleta de cores.
O espaço reúne diferentes categorias voltadas ao público:
- Feminina
- Masculina
- Infantil
- Enxoval
- Esporte
- Plus size
- Calçados
- Bolsas e acessórios
A diversidade também aparece nos manequins da vitrine, enquanto os provadores contam com cortinas confeccionadas a partir do reaproveitamento de jeans.
Moda circular começa antes da arara
As peças são depositadas pela população nos Pontos de Entrega Voluntária do Repense Reuse e seguem para o Centro de Triagem da Imbiribeira. Ali, os materiais passam por triagem, classificação e preparação para definir a melhor destinação.
As peças selecionadas para venda chegam à loja e passam a integrar um ciclo comercial de três semanas. A dinâmica permite que o cliente encontre maior variedade no início do ciclo ou espere pelos dias seguintes, quando os preços diminuem.
Para a maior parte das roupas, o ciclo começa com preço de até R$ 35. A partir da primeira semana, os valores passam por reduções diárias e podem chegar à faixa de R$ 4 nos últimos dias do ciclo, enquanto bolsas, calçados e determinadas peças seguem uma precificação específica.
De roupa doada a impacto social
Os recursos obtidos com a comercialização das peças são destinados aos projetos sociais apoiados pela Humana Brasil, fazendo com que o consumo de segunda mão esteja conectado também ao desenvolvimento social. A própria Humana People to People destaca a coleta e venda de roupas de segunda mão como uma das frentes de sua atuação, com o objetivo de prolongar a vida útil dos produtos, reduzir resíduos e gerar recursos para iniciativas de desenvolvimento.
Em 2025, a rede informou ter coletado 140 mil toneladas de roupas e gerado 23,1% do financiamento de seus projetos sociais a partir do comércio de roupas de segunda mão. No Brasil, o Repense Reuse atua justamente nessa conexão entre coleta, reutilização e impacto social.
Segundo a Humana Brasil, as peças coletadas passam por triagem e são destinadas à venda nas Lojas Humana, enquanto os recursos das revendas apoiam projetos da organização.
Recife entra no circuito da moda de segunda mão
A chegada da unidade também amplia uma cadeia que já vinha sendo construída em Pernambuco por meio do Repense Reuse. Além de abastecer a nova loja, o Centro de Triagem do Recife trabalha com a venda de peças em atacado para brechós e bazares da Região Metropolitana, fortalecendo pequenos empreendedores que atuam no mercado de segunda mão.
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