Presidente de Israel indica Gadi Eisenkot para formar governo
Indicação do rival de Netanyahu por Isaac Herzog abre fase decisiva de negociações para formação de governo em Israel após eleição fragmentada.
A era de Binyamin Netanyahu no poder de Israel pode chegar ao fim nas próximas semanas. O presidente do país, Isaac Herzog, indicou Gadi Eisenkot, principal rival político do atual premiê, para tentar formar um novo governo no Estado judeu.
A indicação ocorreu poucos dias após as eleições legislativas israelenses, realizadas em 27 de outubro, que terminaram sem que nenhum dos blocos políticos conquistasse maioria no Parlamento. Desde então, Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, recebeu o maior número de indicações dos partidos, inclusive de legendas que representam a minoria árabe, embora tenha descartado formar uma coalizão com elas.
"O presidente Herzog convidou Gadi Eisenkot para a residência presidencial, onde amanhã [domingo, 8] receberá a tarefa de formar o governo", afirmou o porta-voz de Herzog, cujo papel, em grande parte cerimonial, inclui indicar um candidato para formar uma coalizão após as eleições.
Durante a campanha, os partidos do bloco oposicionista, liderados pelo Yashar, de Eisenkot, concentraram suas críticas na gestão de Netanyahu e na condução das guerras na região.
O pleito foi o primeiro desde os ataques do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023. Os eleitores foram às urnas para escolher os 120 integrantes do Parlamento israelense, o Knesset. O Likud, partido de Netanyahu, conquistou a maior bancada, com 27 cadeiras.
A legenda governa atualmente com o apoio de outros partidos religiosos e de extrema direita. Juntas, as siglas que compõem o bloco de Netanyahu conquistaram 53 cadeiras, número insuficiente para garantir a maioria parlamentar, de 61 assentos, e que exige novas alianças para a formação de um governo.
Na oposição estão, além de Eisenkot, os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, além de Yair Golan, general da reserva das Forças Armadas. Juntos, os partidos liderados por eles conquistaram 48 cadeiras no Knesset. Com a indicação de Eisenkot por Herzog neste sábado, as atenções se voltam agora para as negociações que o bloco oposicionista terá de conduzir para tentar formar uma coalizão de governo.
A possibilidade de formar um governo de coalizão com os dois partidos árabes já foi discutida por lideranças dos diferentes campos políticos. A hipótese, no entanto, enfrenta resistência de Avigdor Lieberman, do Yisrael Beiteinu, que descarta governar com o Ra’am e a Lista Conjunta —partidos que, juntos, conquistaram um recorde de 19 cadeiras nesta eleição.
Outra alternativa seria a formação de um governo sem maioria parlamentar. Nesse cenário, os partidos da oposição poderiam firmar um acordo com as legendas árabes para garantir apoio a propostas do Executivo, sem que elas integrassem formalmente a coalizão governista.
Com a indicação de Herzog, Eisenkot tem 28 dias para negociar a formação de um novo governo, prazo que pode ser prorrogado por mais 14. Se não conseguir chegar a um acordo —seja para formar uma coalizão majoritária, seja para governar com apoio externo—, o presidente poderá indicar outro nome para tentar formar o governo.
Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot, 66, seria o primeiro chefe de governo do país oriundo da comunidade mizrahi de Israel, formada por judeus cujas raízes remontam ao Oriente Médio e ao Norte da África.
Reservado e avesso à mídia, Eisenkot só ingressou na política em 2022. Ele integrou de forma breve o gabinete de guerra de Netanyahu após o ataque do Hamas a Israel em 2023, antes de retornar à oposição.
Na oposição, repreendeu publicamente Netanyahu por sua condução da campanha militar na Faixa de Gaza, e afirmou que não voltaria a integrar um governo ao lado dele.
A imagem de Eisenkot também está ligada ao preço pessoal pago por sua família desde 2023: um filho e dois sobrinhos morreram combatendo em Gaza.
Eisenkot enfatiou suas credenciais na área de segurança durante a campanha, citando sua "doutrina Dahiyeh", de responder a ataques com força desproporcional, que empregou como comandante durante a guerra de Israel contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano, em 2006.
O ex-militar criticou a violência de colonos contra palestinos, que aumentou desde 2023, aumentando as tensões nas relações de Israel com países ocidentais. Ele também se opõe aos parceiros de extrema direita da coalizão de Netanyahu, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, ambos alvo de sanções de alguns países ocidentais por incitarem a violência contra palestinos.
O jornalista viajou a convite da organização StandWithUs Brasil
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