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ENTRE PRATELEIRAS

Minerais críticos: o que está em jogo em 2027?

Investimentos em lítio, terras raras, grafita e outros minerais expõem disputa entre simples extração e avanço da industrialização no Brasil até 2027

Jaques Paes | | Atualizado em
Entre Prateleiras

Jaques Paes

Executivo, mestre em gestão empresarial, consultor, mentor de profissionais em transição de carreiras e professor do MBA de ESG e Sustentabilidade da FGV

O Brasil chegará a 2027 com um governo eleito e uma pergunta que interessa a empresas, investidores e regiões com potencial mineral: quantos dos investimentos em minerais críticos anunciados nos últimos anos realmente sairão do papel?

A corrida pelos minerais críticos já movimenta bilhões de reais. Empresas estrangeiras compram direitos minerários, anunciam projetos e ampliam sua presença no país.

Terras raras, lítio, grafita e outros minerais despertam interesse por sua utilização em equipamentos eletrônicos, veículos elétricos e diferentes atividades industriais. Mas a quantidade de projetos anunciados diz pouco sobre quanto será efetivamente produzido.

Uma empresa pode adquirir uma área mineral porque acredita que ela valerá mais no futuro. Pode desenvolver pesquisas, identificar recursos e vender sua participação antes mesmo de começar a extração.

Também pode construir uma mina e enviar sua produção para processamento no exterior. Em cada uma dessas situações, o Brasil participa do negócio de maneira diferente.

Os investidores conhecem essas alternativas e procuram preservar a possibilidade de escolher entre elas. Adquirir um direito minerário pode representar uma oportunidade de negócio.

Construir uma unidade industrial exige comprometer capital, contratar trabalhadores, desenvolver fornecedores e assumir custos que continuarão existindo mesmo que os preços internacionais caiam. Quanto maior o investimento realizado, mais difícil se torna abandonar ou modificar o projeto.

O governo brasileiro, por sua vez, pretende ampliar a industrialização dos minerais extraídos no País. A política nacional aprovada em setembro prevê instrumentos para estimular investimentos, financiamento e desenvolvimento tecnológico.

Parte dessas medidas precisará ser implementada durante o mandato que começa em janeiro. Sua implementação dependerá também das prioridades atribuídas à política mineral nos próximos anos.

A alta do Ibovespa, a desvalorização do dólar, o recuo dos juros futuros e o ingresso de capital estrangeiro após o primeiro turno mostram que as expectativas econômicas já estão sendo influenciadas pelo processo eleitoral.

Enquanto as condições econômicas e políticas são avaliadas, as empresas podem preservar suas alternativas de investimento. Para o Brasil, esse intervalo representa uma disputa por atividades industriais que ainda podem ser instaladas em diferentes países.

O próximo governo encontrará uma série de investimentos em diferentes estágios. Alguns poderão avançar rapidamente. Outros dependerão de financiamento, licenciamento ou condições internacionais mais favoráveis.

Ao longo de 2027, será possível observar quais empresas estarão dispostas a assumir compromissos maiores e quais preferirão conservar suas alternativas.

A maneira como o próximo governo utilizará os instrumentos disponíveis moldará o futuro dessa agenda. Ao longo de 2027, começaremos a descobrir quanto do interesse pelos minerais brasileiros poderá se transformar em atividade econômica no Brasil.

É o preço que se paga por sermos guiados por políticas de governo, e não de Estado.

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Esta coluna parte da ideia de que gestão, sustentabilidade, projetos e estratégia não vivem em gavetas separadas. “Entre Prateleiras” é o espaço onde essas fricções aparecem e onde decisões, narrativas e contradições se encontram. Seu propósito é trazer à superfície o que costuma ficar guardado para provocar conversas que façam diferença no mundo que a gente vê lá fora.