Mercado de viagens: Perfil dos visitantes que chegam ao ES
Minas Gerais lidera o envio de visitantes ao Espírito Santo, onde turistas gastam em média R$ 222,59 por dia e permanecem cerca de nove dias no verão.
O gasto diário médio de um turista no Espírito Santo foi de R$ 222,59 durante o verão de 2026. Minas Gerais foi o principal estado de origem dos visitantes: 37,4% dos entrevistados eram mineiros. Conhecer esse perfil pode ajudar a orientar os negócios para a temporada que está chegando.
Os dados são da Pesquisa de Perfil do Turista da Secretaria de Estado do Turismo (Setur-ES), apresentados no relatório “Turismo de Verão no Espírito Santo”, publicado na série Radar Econômico e elaborado pelo Connect Fecomércio-ES.
A pesquisa reuniu 2.500 entrevistas realizadas entre 9 e 25 de janeiro de 2026, em 17 municípios capixabas, abrangendo destinos do litoral e das montanhas.
Segundo o Connect Fecomércio-ES, os dados oferecem referências para orientar a preparação dos negócios para o verão de 2027.
Secretário municipal de Turismo de Guarapari e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Espírito Santo (ABIH-ES), Fernando Otávio Campos Silva tem uma boa expectativa para a temporada.
“Muito boa. Tivemos um verão não muito bom no ano passado. Isso em geral, não só em Guarapari. Este ano, apesar do aumento do combustível e dos problemas com as passagens aéreas, já temos um nível de procura elevado”, conta.
Na Pousada Duas Praias, de sua propriedade, no Morro do Moreno, 75% das vagas para o Réveillon já foram reservadas. “Carnaval tem alta procura”, afirma.
A expectativa de aumento na demanda também é de quem trabalha nos pontos turísticos do Estado. No Farol Santa Luzia, em Vila Velha, o monitor Bruno da Silva, da prefeitura, diz que o movimento cresce durante a temporada.
“No verão é muito movimentado. Todos os dias da semana passa facilmente de mil visitantes. No fim de semana, beira os 2 mil. Neste verão, esperamos um aumento em relação ao ano passado.”
Segundo Bruno, o Farol Santa Luzia costuma receber visitantes de várias partes do país, principalmente de Minas Gerais. O advogado Bruno Jackson, 34, é um deles. Mineiro, ele conta que nunca tinha vindo ao Espírito Santo, apesar de já ter viajado por muitos lugares. Ao pesquisar sobre o destino, percebeu que o Estado “é muito bonito. Tem maravilhas aqui”.
A viagem também foi uma forma de realizar o sonho da mãe, Vera Lúcia da Silva, 51, de andar de avião. Ela conta que só descobriu o destino em São Paulo, mas gostou da surpresa. “Maravilhoso. As praias são lindas”
Raio-X do turista
A Pesquisa de Perfil do Turista da Setur/ES ouviu 2.500 pessoas, entre 9 e 25 de janeiro de 2026, em 17 municípios capixabas. Os resultados mostram o perfil dos visitante no verão capixaba.
Quem visita o Espírito Santo no verão?
Adultos, famílias e visitantes de Minas Gerais formam parte importante do público entrevistado. Eles viajam principalmente a lazer, chegam de carro e movimentam hospedagem, alimentação e transporte.
O retrato do visitante
41 a 50 anos: É a faixa etária mais frequente: 29,2% dos entrevistados.
65,7% viajam em família e em 45,8% das viagens havia crianças.
61,3% são casados. O levantamento também aponta que 40,4% têm ensino superior completo e 35,6%, ensino médio completo.
33,6% estão na faixa de dois a cinco salários mínimos; 25,8%, de cinco a dez
Os números
9 dias é a permanência média
R$ 222 - É o gasto diário individual
88,3% consumiram em bares, restaurantes ou quiosques
De onde vêm?
58,3% vieram de outros Estados e 40,8% eram capixabas. Minas Gerais foi a principal origem entre os visitantes de fora, com 37,4% do total. Belo Horizonte respondeu por 11,3%.
O que procuram?
86,4% viajaram a lazer .Os atrativos naturais influenciaram a escolha de 57,2% dos entrevistados. Quase metade já conhecia o destino visitado (49,2%). A indicação de amigos ou parentes foi citada por 31,4% como fonte de informação; as redes sociais, por 12,8%.
Reforma torna a atividade essencial para os municípios
Com a Reforma Tributária, a distribuição da arrecadação do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) passará a considerar o local onde ocorre o consumo, e não mais a origem da produção ou da prestação do serviço. A mudança amplia a importância econômica do turismo nos municípios.
Em Vila Velha, a prefeitura investe na promoção do destino, na estruturação de roteiros e na qualificação dos profissionais. Entre as ações estão a divulgação da cidade em feiras nacionais e internacionais e a criação de roteiros que integrem praias, Prainha, patrimônio histórico e gastronomia, ajudando a distribuir o consumo entre diferentes bairros e negócios. Além do fortalecimento do turismo religioso e rural.
Em Domingos Martins, a prefeitura trabalha na organização de mais de 20 rotas turísticas, na criação de um catálogo e de um passaporte turístico e na diversificação das experiências oferecidas aos visitantes, segundo Iury Velten, gerente de Desenvolvimento de Atividades Turísticas da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Outra iniciativa em articulação é a reativação do Trem das Montanhas. O município também busca fortalecer eventos.
“É importante destacar que o turismo não deve ser compreendido como uma compensação automática para eventuais perdas tributárias, mas como uma estratégia de fortalecimento da economia municipal, ampliação da atividade produtiva e geração de novas oportunidades de arrecadação”, disse Iury.
Em Vitória, a prefeitura informa que investe no desenvolvimento econômico e no turismo. Uma das principais iniciativas é o programa Vitória de Frente para o Mar, que requalifica as orlas e busca ampliar o potencial turístico da capital.
Mais turistas no farol
Faz 5 anos que o Edson Mineiro trabalha como monitor no Farol de Santa Luzia, em Vila Velha. Cantor recebe os grupos com música. No tempo que cumpre sua função diz que viu o movimento “crescer demais”. Com orgulho, conta que ajudou o local a se tornar mais conhecido.
Márcia Leão, 55, trabalha com ele mas está no farol a menos tempo: um ano e seis meses. Ela adora trabalhar no Farol porque gosta de lidar com pessoas. E também há Abner Hallei. Ele é mais novo, 20 anos, dois no Farol.
Mas, no turismo, a carreira é longa. “Tem uns 10 anos”. Ele explica: seu pai é pescador e transporta turistas pelas ilhas de Vila Velha.
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