Internacionalização de serviços e o capital humano do Brasil
Portugal pode ampliar o acesso de empresas capixabas ao mercado europeu, especialmente nos setores de tecnologia, consultoria, saúde e inovação
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Quando se fala em exportação brasileira, ainda prevalece a imagem de commodities e produtos industriais. No entanto, o verdadeiro salto de competitividade do Brasil e, em particular, do Espírito Santo está na capacidade de exportar serviços e talento para mercados estratégicos como Portugal.
O setor de serviços já responde por cerca de 71,9% do PIB brasileiro, com forte vocação para a internacionalização, sobretudo em países de língua portuguesa. Nesse contexto, Portugal se consolidou como porta de entrada natural para a União Europeia, combinando afinidade cultural e linguística com acesso a um mercado de mais de 450 milhões de consumidores.
As exportações globais de serviços do Brasil vêm crescendo de forma estrutural, acompanhando uma tendência mundial em que o comércio de serviços já representa mais de 27% das trocas internacionais. No eixo Brasil–Portugal, esse avanço é impulsionado principalmente pelos serviços de Tecnologia da Informação, consultoria, engenharia, marketing, P&D, educação e conteúdos digitais. O fluxo bilateral de comércio entre Brasil e Portugal registra aumentos homólogos de dois dígitos, como o crescimento de 12,5% apontado pelo Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil.
Para empresas e profissionais brasileiros, especialmente capixabas, a oportunidade é oferecer conhecimento e soluções em uma moeda mais forte, com margens superiores às praticadas no mercado interno. Desenvolvimento de software, inteligência artificial, cibersegurança, telemedicina, engenharia especializada, design, educação online e consultoria em gestão são apenas alguns dos segmentos com demanda crescente em território português.
Além disso, acordos como o Mercosul–União Europeia, o enquadramento jurídico de igualdade de direitos entre brasileiros e portugueses e instrumentos de mobilidade profissional tendem a facilitar ainda mais a circulação de talentos e a prestação de serviços qualificados.
Contudo, aproveitar essa janela de oportunidade exige preparo. É preciso inteligência de mercado, leitura regulatória e posicionamento estratégico. Isso envolve entender profundamente o mercado europeu e as especificidades do cliente português; adaptar ofertas, modelos de contrato e padrões de qualidade às exigências locais; construir parcerias em solo luso, seja com clientes-âncora, distribuidores, incubadoras ou investidores; além de estruturar a operação para faturar em conformidade fiscal e regulatória, preservando competitividade.
O Espírito Santo já demonstra competências exportáveis em TI, saúde suplementar, logística, inovação e serviços corporativos. O próximo passo é encarar Portugal não apenas como destino migratório, mas como plataforma de negócios e hub de serviços de alto valor agregado. O cenário é favorável. As relações bilaterais estão em expansão, os dados apontam crescimento consistente e o mundo demanda exatamente aquilo que o Brasil tem de melhor: capital humano, criatividade e capacidade de resolver problemas complexos.
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Tribuna Livre,por Leitores do Jornal A Tribuna