Histórias de jovens em que o estudo fez a diferença
Segundo o Instituto Ponte, jovens atendidos pela instituição acabam ganhando, em média, sete vezes mais que a renda da família
Para alguns jovens, estudar significa mais do que conquistar uma vaga em uma boa escola ou universidade. Significa descobrir caminhos que antes pareciam distantes, mudar de cidade, escolher uma profissão e passar a enxergar possibilidades maiores para o próprio futuro.
Histórias assim se encontraram na tradicional Festança IP, em comemoração aos 12 anos do Instituto Ponte, no Teatro Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória.
Alunos que fazem parte da instituição em diferentes estados do Brasil se reuniram com familiares, voluntários e parceiros em uma programação voltada à transformação por meio da educação.
Com o tema “Next Level: Ascensão Social”, a programação usou referências do universo dos jogos para mostrar as diferentes “fases” enfrentadas pelos estudantes, desde o processo seletivo até a chegada ao ensino superior e ao mercado de trabalho.
Para a fundadora e presidente do instituto Ponte, Bartira Almeida, o encontro é um momento de troca entre os estudantes e uma oportunidade de perceber como as perspectivas deles mudam ao longo do acompanhamento.
“Você conversa com eles e percebe que o sonho ganha outro tamanho. É uma alegria ver jovens que apresentam um potencial enorme passar a enxergar novos caminhos possíveis”.
Atualmente, o Instituto Ponte atende 568 alunos de 19 estados brasileiros, sendo 166 universitários, 248 estudantes do ensino médio e 154 do ensino fundamental. Ao longo de 12 anos de história, a instituição já conectou 718 jovens à educação de qualidade.
E de acordo com um levantamento da organização, ao concluir a graduação, os jovens atendidos passam a receber, em média, sete vezes a renda per capita que suas famílias tinham quando ingressaram no programa.
“Acho lindo ver eles falando hoje: ‘Eu quero alcançar a minha ascensão’. Para mim, é um momento muito legal, porque eu vejo de perto o trabalho, vejo a energia dos meninos falando isso e percebo como eles passam a enxergar outras possibilidades para o próprio futuro”, conclui Bartira.
Você sabia?
Fundado em 2014, o Instituto Ponte é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) criada para ser a “ponte” entre potenciais doadores e bons programas sociais na área da educação. Seu trabalho é focado em jovens de famílias de baixa renda.
Transformação por meio da educação
Preparação para o ITA
A estudante Rafaelle da Silva Oliveira, de 15 anos, deixou o município de Chaval, no Ceará, para estudar na capital, Fortaleza, após passar pelo processo seletivo do Instituto Ponte.
Dona de um currículo repleto de medalhas em áreas como Matemática, Português e História, ela está se preparando para o vestibular Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
“Quando me falaram sobre o ITA eu me apaixonei e decidi que realmente queria fazer Engenharia. Esse é o futuro que desejo para mim”.
Apoio acadêmico
Cursando o segundo período de Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lucas Antonio Silva Araújo, de 19 anos, sempre soube a instituição onde queria estudar, mas descobriu o curso após chegar ao Instituto Ponte, em 2023.
Além do apoio acadêmico, ele diz que aprendeu no Instituto habilidades que o ajudam até hoje. “Os projetos ajudam a desenvolver oratória e a trabalhar em grupo, coisas importantes na faculdade”.
Direcionamento
Filha de pais que não cursaram o ensino superior, Luiza Rubim, de 21 anos, entrou no Instituto Ponte ainda no ensino fundamental, em 2017, sem saber qual carreira seguir.
Hoje, ela está no último período de Engenharia da Computação no Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli), em São Paulo.
“Eu era boa aluna, mas não tinha disciplina nem direcionamento de carreira. Acho que o principal que o Instituto me trouxe foi autoconhecimento para entender o que eu queria”.
Comemoração
Energia dos alunos
“Esse é o dia de que eu mais gosto (da comemoração), porque tem a energia dos alunos e uma troca muito grande de experiências entre eles.
É quando a gente consegue ver de perto o resultado do trabalho e o quanto eles se inspiram uns nos outros.
É uma alegria ver um jovem que tinha um potencial enorme, mas talvez não tivesse oportunidade de desenvolvê-lo, passar a enxergar novos caminhos”.
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