Apenas 0,03% dos votos foram registrados após as 17h, diz TSE
Só 34.330 votos, equivalentes a 0,03% do total, foram registrados após as 17h, segundo o TSE, sem efeito no resultado final da eleição.
Apenas 34.330 votos, ou 0,03% do total, foram registrados após as 17h de domingo, segundo registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Embora o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e aliados contestem o resultado eleitoral por causa da decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal federal) Cristiano Zanin de manter as urnas abertas após as 17 horas de domingo, a medida teve impacto ínfimo no número total de votos e não mudaria em nada o resultado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu por uma diferença de 4.430.251 votos.
Após ser derrotado nas urnas, Flávio disse que "é impossível aceitar o resultado dessas eleições", afirmou que pedirá a anulação dos votos e tratou como "sacanagem" a decisãodo STF que prorrogou em duas horas o horário da votação.
"O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo, no meio do jogo, às 17 horas e um minuto", disse Flávio.
No domingo (25), diante de pedido da campanha de Lula, Zanin determinou que as urnas se mantivessem abertas até às 19h. A campanha de Flávio também fez um pedido de prorrogação do horário de abertura das urnas, mas restrito a cidades do Sul e do Sudeste onde tinha melhor desempenho eleitoral.
"O que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto de como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vou pedir anulação dessas eleições", afirmou.
Segundo Pedro Burgos, professor do Insper e especialista em jornalismo de dados que fez o levatamento a partir dos dados do TSE, na maioria das zonas eleitorais, esses votos extras aconteceram entre 17h e 17h20, ou seja, eram de pessoas que provavelmente estavam na fila.
"E em São Paulo, por exemplo, 80% das zonas já fecharam de fato às 17h", acrescenta.
Flávio também pôs em dúvida o procedimento do TSE após o término da apuração. "O detalhe que poucos sabem aqui. Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre [do TSE] a partir do momento que a decisão foi tomada. Então, tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora, nessas eleições", sem explicar qual seria a irregularidade a qual se referia.
Em checagem, o tribunal afirmou ser falsa a afirmação de que representantes do partido foram retirados do local durante a apuração da eleição presidencial, vencida por Lula (PT) contra Flávio.
"A sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação. Todas as demais unidades e áreas do tribunal, como a sala de totalização, podem ser visitadas por fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do Ministério Público, entre outros, que acompanham, de lá, desde o início, a totalização e a divulgação dos resultados do pleito", diz trecho de nota publicada no site da Justiça Eleitoral.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também questionou o resultado da eleição e criticou a decisão de Zanin.
"O que a gente está vendo nesse momento é uma eleição que é impossível de reconhecer. É impossível acreditar que, simplesmente o ex-advogado pessoal do Lula toma uma decisão um minuto após encerrar a apuração, nunca antes vista na história desse país", disse Nikolas.
A decisão, na realidade, foi tomada pouco antes do início das apurações.
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