Justiça atende pedidos de famílias e manda internar à força 1.464 viciados
Uma rotina compartilhada por muitos parentes de usuários de drogas: são idas e vindas para casa, recaídas e desaparecimentos por dias ou até meses. Após o apelo de familiares que convivem com essa realidade, a Justiça determinou a internação à força de 1.464 viciados em um ano.
Do total, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que, no ano passado, atendeu 1.243 demandas judiciais por internações compulsórias, ou seja, sem necessidade do consentimento do usuário. Outras 221 seguem tramitando, na sua maioria por falta de documentação necessária ao atendimento.
O número foi superior ao registrado em 2018, quando a Justiça determinou que 1.378 usuários de drogas fossem internados compulsoriamente. Dessas, 1.288 foram atendidas.
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Um dos casos foi protocolado no ano passado pelo advogado Rogério Feitosa. Depois de lutar para livrar a filha do crack, os pais de uma recepcionista de 38 anos decidiram pedir ajuda da Justiça.
No dia 11 de novembro do ano passado, o juiz Rogério Rodrigues de Almeida, da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões de Vila Velha, concedeu uma liminar determinando que o Estado e o município providenciassem, no prazo máximo de 72 horas, a internação compulsória da recepcionista, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.
A vaga de internação foi disponibilizada ontem pela Secretaria de Estado da Saúde.
Não são apenas apelos de familiares de adultos que são atendidos. A defensora pública da 1ª Defensoria da Infância e Juventude de Vitória, Monia Barbosa Ribeiro, revelou que tem atendido pais de adolescentes, principalmente entre 15 e 16 anos, que buscam a internação dos filhos.
“Geralmente, são pais que já tentaram de tudo, bateram em várias portas, e veem na internação a última tentativa de salvar os filhos”.
Além daqueles que saem de casa ou furtam da família, ela revelou que há também os que acabam devendo ao tráfico de drogas local e são ameaçados de morte. “Eles trazem também esse contexto da violência. Em regra, a Justiça tem acatado os pedidos”.
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