Prevenção no Abril Marrom
Confira a coluna desta terça-feira (01)
A cada mês, campanhas de conscientização mobilizam a sociedade para refletir sobre diferentes aspectos da saúde. Os chamados “meses coloridos” têm como objetivo alertar, informar e incentivar a prevenção. Em abril, a cor marrom — que representa a tonalidade da íris mais comum entre os brasileiros — chama a atenção para a importância da saúde ocular.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 90% dos casos de deficiência visual são evitáveis ou tratáveis, especialmente quando identificados por meio de consultas preventivas com o oftalmologista.
O relatório “As Condições da Saúde Ocular no Brasil 2023”, divulgado pelo CBO, estima que o País tenha cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas. Entre os principais fatores de risco estão o envelhecimento da população, as mudanças no estilo de vida, a urbanização e os fatores genéticos. Soma-se a isso a falta de acesso ao atendimento oftalmológico de qualidade, especialmente entre os grupos economicamente mais vulneráveis. Cerca de 948 mil pessoas cegas no Brasil fazem parte dessas camadas e não têm acesso regular a consultas.
Outro dado relevante foi publicado pelo American Journal of Epidemiology: o surgimento de demências, como a Doença de Alzheimer, pode estar relacionado a uma baixa de visão. Idoso com baixa acuidade visual tem maior probabilidade de apresentar declínio cognitivo.
Mas a cegueira e a baixa visão apresentam uma série de desafios que vão além das limitações físicas e emocionais. A população de baixa renda sofre impactos ainda maiores, como a ausência de serviços de reabilitação adequados — que hoje atendem apenas 38,8% das pessoas com deficiência visual — além dos efeitos econômicos e sociais.
Os custos com tratamentos, medicações, reformas para adequação na moradia e aquisição de equipamentos específicos são elevados. Além disso, a falta de acessibilidade em espaços públicos, transporte e educação compromete a inclusão social e a autonomia dessas pessoas.
Nesse cenário, o lado positivo é que muitas das principais causas de cegueira são doenças tratáveis. A catarata, por exemplo, responde por cerca de 50% dos casos. Outras causas comuns incluem o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade, a retinopatia diabética e os erros refrativos não corrigidos. A prevenção, portanto, é sem dúvidas a chave para reduzir esses índices e oferecer a mais brasileiros a chance de preservar sua visão.
O primeiro desafio, em um país com dimensões continentais, é ampliar o acesso aos cuidados oftalmológicos por meio de políticas públicas eficientes, com atendimento já na atenção primária à saúde. Campanhas como o Abril Marrom reforçam essa urgência, chamando a atenção da população para a conscientização, prevenção e o diagnóstico precoce.
O caminho é simples: manter consultas regulares com o oftalmologista para detecção precoce das doenças, adotar hábitos saudáveis, controlar o peso, evitar o cigarro e o álcool, além de cuidar adequadamente de doenças como diabetes e hipertensão.
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